Crédito: Reprodução/imdb/HBO/Prime Video/Hulu/AMC
Finalmente 2021 caminha para os últimos momentos, e enquanto algumas pessoas já se preparam para sair da dieta na ceia ou capricham na decoração natalina, os fãs de séries se divertem com as boas e velhas listas dos destaques do ano. O Próximo Capítulo segue a tradição dos anos anteriores (que você pode conferir aqui e aqui) para apresentar os melhores episódios de 2021.
Sim, o mais comum é encarar as séries em um conjunto de temporada, mas por aqui a gente não trabalha com o simples normal. O melhor do melhor são os episódios. Eles são os tijolos que levantam a casa de uma trama e merecem ser encarados com toda pompa e detalhe — afinal, até mesmo no Emmy o que importa são os episódios, votados independentes dos pares que formam uma temporada.
A tarefa não é fácil. Os melhores episódios não podem ser o único ponto positivo de uma série — e nesta lista não são considerados neste contexto —, mas tem de ser um espelho, um reflexo do que aquela temporada teve de melhor. As regras são claras e simples: basta o episódio ter tido reprodução neste ano, independente de emissora, país, serviço de streaming, gênero ou tipo de produção.
Não esqueça de palpitar depois: concorda com a lista? Esquecemos alguém?
Este que vos escreve é o primeiro a admitir que a popularidade não foi a maior marca de The North water. Mas esquecer a qualidade técnica (e criativa) do piloto da produção é simplesmente impossível.
Behold the man leva o telespectador ao longínquo ano de 1859 para apresentar o difícil cotidiano de um grupo de caçadores de baleia em uma viagem ao limite da humanidade na época: o polo Norte. A atuação de Colin Farrell é satisfatória e o esforço hercúleo de levar uma equipe de televisão para os confins do mundo (e sem chroma key) é de encher os olhos.
Séries de ação fazem parte da história da televisão, logo, é até um pouco difícil imaginar novidades no gênero. É exatamente aí que The mosquito coast surpreende. Com uma mistura de ação, suspense e drama, a família Fox foge, mas a gente nem sabe exatamente do quê.
Light out, o piloto da produção, é o responsável por desenhar todo esse panorama. Uma espécie de correria sem suor, perseguição sem batidas, choros sem lágrimas. O episódio sabe dosar com maestria o que o público pode ou não saber. E ser “enganado”, neste contexto, se torna um grande prazer. Leia a crítica completa da série neste link.
Seguindo o exemplo de The North water, Reservation dogs não ganhou a popularidade que merecia. Uma pena. A pequena produção da FX norte-americana é uma verdadeira joia de entretenimento e cultura.
A história se volta para um grupo de adolescentes indígenas dos Estados Unidos que vive em um verdadeiro limbo social. Ainda com fortes ligações com a própria ancestralidade e ao mesmo tempo empurrados pela “intensa” representação dos jovens do país nas redes sociais — e hormonalmente em geral, eles têm de se conhecer em meio a tantas dúvidas.
Toda a primeira temporada de Reservation dogs é engraçada e reflexiva, e California dreamin’ é a cereja neste bolo de sensibilidade e identidade.
Midnight mass foi a nova minissérie de Mike Flanagan. A produção conclui uma espécie de “série antagônica”, que começou com Hill em 2018, e teve continuidade com Bly, em 2020. Seguindo a “tradição” de revelar as verdades nos quintos episódios (e uma importante morte), o showrunner (que também dirigiu e co-escreveu Book V: Gospels) deixou claro o quanto a manipulação da igreja pode se transformar em uma tragédia.
Para fazer isso, Flanagan volta às raízes da TV e aposta em uma ferramenta cada vez mais rara: os diálogos. Em Book V: Gospels, não tem corre-corre, não tem tiros, sustos, tampouco suspense. As palavras, especialmente por sermões e citações bíblicas, contam tudo o que há de ser dito.
Book V: Gospels coroa a excelente atuação de Hamish Linklater no papel de padre/demônio e coroa também uma versão inteligente e atual do terror. Leia a crítica completa da série neste link.
The boy from 6B é o mais perfeito exemplo de como uma lista de melhores episódios é mais assertiva do que uma simples lista de “melhores séries do ano”. A grande verdade é que Only murders in the building é uma ótima produção, mas o sétimo episódio da temporada de estreia é uma verdadeiro ponto fora da curva em relação à qualidade e, especialmente, criatividade.
A história de Theo (James Caverly) foi fundamental para a trama, mas a forma como o garoto foi introduzido na história beira o brilhantismo. Um episódio mudo para desenhar a perspectiva de um garoto surdo surpreendeu o público, e o melhor: deu (muito) certo. The boy from 6B mostra a força de uma boa ideia, com plena execução. Leia a crítica completa da série neste link.
Ted Lasso teve uma das melhores temporadas de 2021. Foram 12 episódios com a “profunda-comédia-otimista-e-ao-mesmo-tempo-depressiva” que já é marca da série. A diferença de No weddings and a funeral, contudo, é um importante ensinamento, que Ted Lasso já havia mencionado, mas agora agora foi dissecado.
Otimismo não é estar sempre feliz. Não é seguir a vida como se tudo fosse um campo de rosas. Pelo contrário. Sofrimento e bads foram uma das maiores marcas do episódio (desde os detalhes do suicídio do pai de Ted — Jason Sudeikis —, até a morte do pai de Rebecca, interpretada por Hannah Waddingham), os telespectadores aprendem: os momentos difíceis, às vezes, simplesmente não podem ser ignorados.
E está tudo bem, afinal o que importa é não desistir. É não se deixar levar pelos fracassos, pelas perdas, pelas lágrimas. O que realmente importa é olhar para tudo dando errado, apertar o play em No weddings and a funeral e chorar cantando com o elenco o clássico Never gonna give you up, de Rick Astley — depois dar uma risadinha com a piada do “pênis grande”. Leia a crítica completa da série neste link.
A excelência de Barry Jenkins é quase um espelho de The underground railroad. A capacidade de mostrar infinitas camadas de dor por meio de uma sensibilidade “dura”, torna a visão do cineasta (à frente de Moonlight, ganhador do Oscar de melhor filme de 2016) uma verdadeira preciosidade — e a grande marca da minissérie.
Sim, definitivamente, Chapter 9: Indiana winter (o nono episódio da produção) talvez seja o episódio mais lembrado pelos telespectadores de The underground railroad pela carga catártica que apresenta, mas Chapter 1: Georgia ainda assim leva o lugar nesta lista por conta da ótima apresentação e desenvolvimento que apresenta.
Mesmo sendo extensamente explorada pela TV e pelo cinema, a abolição da escravidão nos Estados Unidos foi realizada de uma forma tão violenta que ecoa na sociedade até hoje, e Chapter 1: Georgia representa de forma magistral toda a dor e “mágica” do primeiro grito que permitiu tal eco.
Uma morte brutal e surpreendente (para dizer o mínimo), muita tensão e uma boa — ou melhor: excelente — dose de ação. Illusions não encerrou a brilhante história de Mare of Easttown, mas conseguiu reunir os elementos de uma complexa investigação psicológica que, a priori, parecia ainda ter um longo caminho a percorrer.
A beleza de Illusions, e a justificativa para um lugar tão prestigiado nesta lista, se encontra no núcleo do que é ser TV, do que faz milhões acompanharem uma história: o entretenimento. Mais do que catarse ou qualidade técnica, o que o público realmente ama nas séries é ter o coração acelerado por alguns instantes, de forma visceral e crível. Nesta seara, Illusions deu aula. Leia a crítica completa da série neste link.
The handmaid’s tale nunca foi uma série fácil de se assistir. Seja pelo conteúdo violento, seja pela relação de “amor e ódio” dos telespectadores. Ao encarar os fatos, era fácil perceber um detalhe fundamental: ou a produção evoluía, ou morria.
A quarta temporada da megaprodução escolheu a primeira opção e The crossing foi o primeiro sinal disso. The handmaid’s tale, a partir deste episódio, mudou completamente a sua proposta, sua referência. É preciso uma boa dose de coragem para fazer isso, é uma dose maior ainda de talento.
The crossing foi o 39º episódio da série e o 1º dirigido por Elisabeth Moss, a protagonista e produtora da trama. Ninguém melhor do que ela para se despedir de Offred e dar as boas-vindas a June — em um sentido mais literal.
Neste momento, o último de June em Gilead (pelo menos nas condições de “aia”, spoilers à parte) é uma poesia sobre amizade, sobrevivência e luta. Isso, claro, escrito em um papel manchado de muito sangue, marca maior da produção. The crossing não só “cruzou” a linha do trem, mas levou toda uma história de três temporadas para um novo recomeço. Leia a crítica completa da série neste link.
Nos 45 minutos do segundo tempo, em 12 de dezembro, Succession concluiu a terceira temporada e apresentou a esta lista o melhor episódio do ano: All the bells say. É difícil falar sobre esta verdadeira obra-prima, mas é possível dizer que o iminente confronto dos Roy contra os Roy finalmente chegou.
Em uma hora, All the bells say foi o casamento da excelente cinematografia — filmada na Toscana italiana — com o mais eletrizante ritmo televisivo. A esperança de salvar a Waystar, o desabafo de Kendall (Jeremy Strong), o brilho nos nossos olhos perante a queda de Logan (Brian Cox) e por fim a mais pura tragédia romana em uma das maiores traições da história da TV.
Vale lembrar, contudo, que nem só de drama vive Succession. Muito pelo contrário. O tom cômico da produção foi outro (surpreendente) destaque de All the bells say. Seja com Connor (Alan Ruck) tentando brigar em italiano com e ouvindo uma resposta em inglês da empregada, ou com Roman (Kieran Culkin) reclamando da espera pelo Gin depois de saber que o irmão matou um garçom. A verdade é que Succession subiu o nível do que o grande público conhecia como “dramédia”.
Em resumo, Succession vive o ápice da sua carreira, onde quase todos os elementos que formam uma grande série estão em comunhão. E o prazer de desfrutar desta excelência fica conosco.
Ator brasiliense que brilhou como Xodó em O outro lado do paraíso se rende novamente…
Jovem atriz permanece até o fim da trama das 18h da TV Globo como Maria…
Cidade fictícia do interior do Rio Grande do Norte, Barro Preto está localizada em uma…
Astro mirim revelado em Amor perfeito será neto de Zezé Motta em A nobreza do…
Com continuação prevista para 2027, sucesso de João Emanuel Carneiro retorna à TV Globo em…
Ator carioca vive agora um bilionário paulistano na nova produção da ReelShort. Ele faz par…