O cigarro está de volta à tevê?

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O cigarro já foi considerado símbolo de sedução e de glamour lá pelos idos dos anos 1970 e 1980 e até o início da década de 1990. Nessa época, era comum vermos personagens de novela com um cigarro ou uma cigarrilha em mãos.

Depois, o ato de fumar começou a ser associado às doenças trazidas pelo vício, as propagandas foram proibidas e os personagens fumantes desapareceram ou foram reduzidos àqueles que tinham na trama a função de discutir ー e na maioria dos casos condenar ー o tabagismo.

Por isso, me chamou a atenção que três personagens de produções a que assisti recentemente tenham esse vício ー Lívia (Grazi Massafera) de O outro lado do paraíso; Gilda (Debora Bloch), de Treze dias longe do sol; e Bob (Sean Astin) da segunda temporada de Stranger things.

Particularmente, a última personagem que me vem à memória com cigarro na mão e fora de um folhetim de época é Raquel, a gêmea má do remake de Mulheres de areia (1993).

Agora, é a Lívia de O outro lado do paraíso (leia crítica da segunda fase da novela) que, vira e mexe, aparece fumando. Ao que parece a personagem de Grazi fuma apenas por prazer e vício ー não há uma função dramática no ato.

Isso é observado também em Treze dias longe do sol (leia mais sobre a o seriado), série que está na Globo Play e deve estrear em janeiro na Globo. Gilda, a diretora-financeira da construtora do prédio que desabou deixando mortos e feridos, desconta no cigarro a tensão e as frustrações da vida pessoal e profissional.

Stranger things (saiba mais sobre a segunda temporada) é a única dessas três produções que têm uma justificativa para o cigarro. A trama se passa na década de 1980, quando o tabagismo era menos combatido pela sociedade. Além disso, os tocos do cigarro de Bob acabam sendo importantes para a resolução de um dos mistérios da série.

A volta do cigarro à programação da TV aberta não veio de repente. Ele ressurgiu em produções exibidas em horários mais avançados (geralmente na faixa das 23h), como O caçador (eram muitas as cenas do André de Cauã Reymond fumando), O rebu (com as atrizes Cassia Kis, a Gilda, e Patrícia Pillar, a Angela, sempre com um cigarro em mãos) e O astro (discretamente Henri Castelli acendeu alguns cigarros em Ipanema como Felipe).

O personagem André estava sempre com um cigarro em O caçador

Mas agora está em vários horários, para quem quiser ver. Sem nenhum motivo dramático, o cigarro nas tramas parece soar exatamente como o hábito (e vício) de fumar: démodé, ou simplesmente, fora de moda.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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