Raquel Cunha/Globo. O cigarro está de volta ao horário nobre em O outro lado do paraíso
Depois, o ato de fumar começou a ser associado às doenças trazidas pelo vício, as propagandas foram proibidas e os personagens fumantes desapareceram ou foram reduzidos àqueles que tinham na trama a função de discutir ー e na maioria dos casos condenar ー o tabagismo.
Por isso, me chamou a atenção que três personagens de produções a que assisti recentemente tenham esse vício ー Lívia (Grazi Massafera) de O outro lado do paraíso; Gilda (Debora Bloch), de Treze dias longe do sol; e Bob (Sean Astin) da segunda temporada de Stranger things.
Particularmente, a última personagem que me vem à memória com cigarro na mão e fora de um folhetim de época é Raquel, a gêmea má do remake de Mulheres de areia (1993).
Agora, é a Lívia de O outro lado do paraíso (leia crítica da segunda fase da novela) que, vira e mexe, aparece fumando. Ao que parece a personagem de Grazi fuma apenas por prazer e vício ー não há uma função dramática no ato.
Isso é observado também em Treze dias longe do sol (leia mais sobre a o seriado), série que está na Globo Play e deve estrear em janeiro na Globo. Gilda, a diretora-financeira da construtora do prédio que desabou deixando mortos e feridos, desconta no cigarro a tensão e as frustrações da vida pessoal e profissional.
Stranger things (saiba mais sobre a segunda temporada) é a única dessas três produções que têm uma justificativa para o cigarro. A trama se passa na década de 1980, quando o tabagismo era menos combatido pela sociedade. Além disso, os tocos do cigarro de Bob acabam sendo importantes para a resolução de um dos mistérios da série.
A volta do cigarro à programação da TV aberta não veio de repente. Ele ressurgiu em produções exibidas em horários mais avançados (geralmente na faixa das 23h), como O caçador (eram muitas as cenas do André de Cauã Reymond fumando), O rebu (com as atrizes Cassia Kis, a Gilda, e Patrícia Pillar, a Angela, sempre com um cigarro em mãos) e O astro (discretamente Henri Castelli acendeu alguns cigarros em Ipanema como Felipe).
Mas agora está em vários horários, para quem quiser ver. Sem nenhum motivo dramático, o cigarro nas tramas parece soar exatamente como o hábito (e vício) de fumar: démodé, ou simplesmente, fora de moda.
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