Guthierry Sotero | Crédito: Lukas Alencar Divulgação.
Por Patrick Selvatti
O mundo jurídico perdeu para o artístico. Guthierry Sotero queria ser desembargador e até estagiou no Ministério Público por dois anos, mas o chamado da arte falou mais alto. Primeiro, ele encontrou a música e, através dela, veio a interpretação. Hoje, o ator e cantor de 21 anos celebra a conquista de seu primeiro grande papel em uma novela, na TV Globo. Na pele do estudante universitário e ativista Vini, de Vai na fé, o carioca/angolano ainda entrou para a História, ao lado de Jean Paulo Campos, como o primeiro casal gay 100% preto das novelas.
“É um misto de sentimentos, mas creio que um deles é estar marcado no audiovisual e acredito que seja o primeiro de muitos com o meu trabalho. A sensação de retorno imediato da televisão é muito boa e a pressão por resultados também. Eu só tenho a agradecer por tudo e por finalmente ter visto a minha hora chegar, foram anos lutando por isso e quando acontece tudo parece um sonho”, comemora Guthy, que também festeja o fato de estar presente em um momento marcante da TV brasileira, com a inclusão de mais atores pretos em papéis de maior destaque. “É com essa minoria trabalhando que as pessoas em casa terão pessoas iguais a si nas telinhas. O preconceito está enraizado na sociedade, infelizmente são coisas que demandam mais tempo a serem resolvidos, porém, aos poucos creio que esse paradigma está sendo quebrado”, avalia.
Guthierry conta que já passou por situações de discriminação racial. Segundo ele, independentemente do lugar que a pessoa negra frequenta, seja com ou sem condições, ela está sujeito a que isso aconteça, apenas pela cor da pele. Ele relata uma situação, durante a pandemia, em que ele estava com dois amigos em uma loja de departamentos, no Rio de Janeiro. “Estávamos procurando algo na ala das bermudas/shorts, mas não encontramos nada. Na saída, veio uma segurança afirmando que eu tinha roubado algo e colocado entre as pernas. ‘Devolve o que você pegou’, ela ordenou, e eu respondi à altura”, ele citou. “Uma confusão se criou e eu quis saber quem era o responsável pelas câmeras para tratar diretamente com ele, já que ele tinha afirmado para ela que eu havia pego algo. Perceberam o erro e quiseram diminuir a situação. Com a cabeça e mecanismos que tenho hoje, com certeza teria gravado e colocado a empresa na justiça”, pontuou.
O ator também poderá ser visto na série Veronika, do Globoplay, ainda não lançada, e que tem uma pegada parecida com Vai na fé em termos de representatividade negra. Ele adianta que seu personagem, Rodriguinho (fase jovem, depois, Dério Chagas assume) é um dos protagonistas e um cara totalmente diferente do Vini. “Desde os princípios, vivências, trejeitos, tudo… Foi um personagem que me desafiou muito e eu amei fazer parte do processo, vocês vão me ver num outro lugar de atuação e isso me fascina na profissão! Esses dois produtos se assemelham pela presença da representatividade desde o elenco, atrás das câmeras e todo o mecanismo que fazem um set funcionar. Me senti muito bem e fui abraçado por cada pessoa presente nesses projetos”, finaliza Guthierry.
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