Fabrício Licursi reflete sobre o patriarcado em De volta aos 15

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Ator que interpreta Eduardo na fase adulta da série da Netflix conta como se preparou para o personagem machista

Por Patrick Selvatti

Fabrício Licursi, 39 anos, refletiu muito sobre o patriarcado para dar vida ao personagem Eduardo, que está de volta ao streaming na segunda temporada de De volta aos 15, série da Netflix, protagonizada por Maísa Silva e Camila Queiroz, que dão vida a Anita, da adolescência aos 30 anos. “O ator sempre tem que refletir algo concreto, ir para uma ação física direta. Então, eu refleti um pouco sobre essa história do patriarcado e um pouco dessa atitude do masculino no mundo, onde não existem muitas questões”, explica o ator, em entrevista ao Próximo Capítulo.

Na juventude, interpretado por Gabriel Wiedeman, Eduardo pratica bullying, é machista e apresenta uma tendência ao alcoolismo, que se confirma em sua vida adulta, quando está casado com Carol (Yana Sardenberg), prima de Anita (Camila Queiroz). “Ações afirmativas surgem para esses homens nunca se perguntarem sobre a estrutura que ronda o mundo, porque meio que foi dado a eles esse poder. A partir do que vai acontecendo, o Eduardo vai respondendo e manipulando isso sem medo de mentir mesmo ou de distorcer um pouco a situação”, avalia o “paraibano paulistano”, nascido em João Pessoa, mas que sempre viveu em São Paulo.

Sobre o vício em álcool do personagem, Licursi relata que a preparação também foi buscar essa reflexão do lugar do homem na estrutura da sociedade. “O alcoolismo também ajuda o Eduardo a ter um desenvolvimento no mundo, de se expor em seus exageros, independentemente do que aconteça e sem medo de passar vergonha”, argumenta o ator, que, coincidentemente, está em cartaz com uma peça que trata do tema.

Alcoolismo

Em Bárbara, Fabrício contracena com Marisa Orth, que monta, nos palcos, uma história inspirada no livro A saideira: Uma dose de esperança depois de anos lutando contra a dependência, da jornalista e escritora Barbara Gancia. “O assunto veio junto e o que ficou forte para mim, por exemplo, é que a gente não usa mais a palavra vício, mas a palavra dependência, uma dependência química. Foi importante para entender que, às vezes, o Eduardo vai precisar de outras pessoas pra ter esse espaço de consciência”, defende o intérprete.

A segunda temporada de De volta aos 15 tem um sabor especial para o elenco, que, enfim, se reuniu por completo após uma primeira temporada gravada em plena pandemia de covid-19. “Particularmente, cada um foi se virando, porque era pandemia. Não houve ensaio, a gente só fez estudos de texto pelo Zoom. Mas eu consegui ir no set de filmagem assistir o Gabriel Vileman, com quem divido o papel, e consegui assistir ele fazendo um pouco do Eduardo. O Gabriel criou uma risada que é meio uma característica do personagem e aí eu pedi para ele me gravar em áudio de WhatsApp essa risada e eu fui colocando-a risada como mote que ia preencher a partitura física e vocal que eu faço”, detalha.

Perguntando se gostaria de “voltar aos 15” e o que faria diferente, Fabrício Licursi pontua que seria dizer o sim e o não que, muitas vezes, a gente tem vontade de dizer.  “Se eu voltasse aos 15, eu talvez me desse mais permissão para fazer escolhas. Ou para estar tranquilo num lugar que eu queira estar ou para dizer não e sair de um lugar que eu não queira estar”, finaliza.

Patrick Selvatti

Sabe noveleiro de carteirinha? A paixão começou ainda na infância, quando chorou na morte de Tancredo Neves porque a cobertura comeu um capítulo de A gata comeu. Fã de Gilberto Braga, ama Quatro por quatro e assiste até as que não gosta, só para comentar.

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