Com mais críticas e sangue, ‘The boys’ tem início eletrizante de terceira temporada

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O Próximo Capítulo já assistiu aos episódios iniciais da série e passa as primeiras impressões da nova temporada de The boys

Por Pedro Ibarra

Em um mercado saturado de plataformas de streaming, lotadas de séries e filmes que estreiam quase diariamente, se destacar é uma tarefa difícil. Após o sucesso, manter a qualidade e um material pertinente para os recém-conquistados fãs é ainda mais complicado. Dessa forma, séries que conseguem manter a mesma relevância por mais de uma temporada, encontrando novos espectadores e contando histórias pontentes são raras e devem ser exaltadas. The boys, série da Amazon Prime Video, é uma delas.

Um mundo real, com problemas reais, porém habitado por seres fantásticos e super poderosos. The boys apresenta uma realidade impossível, em que os super-heróis andam entre os humanos e, devido às habilidades que possuem, são as grandes celebridades da terra.

Porém dentro dessa fantasia há uma metáfora muito poderosa, uma situação que dialoga muito com a atualidade. Como um dedo em uma ferida, muito sangrenta por sinal, o seriado é uma crítica completamente surreal e violenta das chagas que assolam a sociedade no cotidiano.

O início da terceira temporada apresenta exatamente o resumo do que é The boys. Uma série de ritmo acelerado, regada a sangue de cenas extremamente violentas, mas que serve como metáfora afiada para as questões sociais do mundo real. A produção tem heróis que flertam com a supremacia em nome de números em redes sociais e mocinhos que tomam atitudes moralmente muito questionáveis.

A nova temporada não se apega a personagens e foca majoritariamente em desenvolver as intrigas principais. O núcleo de Hughie (Jack Quaid) e Butcher (Karl Urban) e o ódio que possuem dos super-heróis e o núcleo dos chamados “sups”, os poderosos, que tentam conter o Homelander (Anthony Starr) de um surto completo, enquanto lidam com as próprias questões pessoais.

O caminhar, a passos rápidos, deste terceiro ano se mostra crucial para o desenvolvimento de um embate final na série. Não há um episódio que não seja eletrizante e cheio de informações. É uma série que do primeiro minuto do primeiro episódio já tem os eventos que se falados em uma conversa podem ser considerados spoilers. Tudo acontece muito rápido e ao mesmo tempo. Os três primeiros episódios são mais movimentados do que muita temporada de série.

A violência também volta muito descarada, mas nada que não tenha sido desde o início da produção. Contudo, há a sensação de que, cada vez mais, a estética está se aproximando do gênero gore, com cenas que para pessoas desacostumadas, podem revirar o estômago.

The boys eleva tudo ao excesso e começa a terceira temporada no caminho certo. Ainda tensa e empolgante como nos anos anteriores, agora a produção consegue aumentar a relevância do próprio discurso em ações de todos os personagens. De orgulho, vaidade e vingança a racismo, supremacismo e masculinidade frágil e tóxica, todos os temas são discutidos ou satirizados no roteiro. A série tem avenida aberta para ser um espelho grotesco da sociedade, do mundo real.

Pedro Ibarra

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