Estilo de Gilberto Braga era inconfundível: ácido, irônico, veloz. O autor de clássicos como Vale tudo e Dancin Days vai deixar saudades
O Brasil das telenovelas perdeu nesta terça-feira (26/10) um dos seus maiores retratistas. O país de hoje se vê refletido ainda nas ações e na “banana” dada por Marco Aurélio (Reginaldo Faria) ao fugir do Brasil na cena final de Vale tudo. O autor dessa e de outras maravilhas, Gilberto Braga, nos deixa, aos 75 anos.
Gilberto Braga tinha o melhor texto da TV brasileira. Diálogos certeiros, marcantes, com um estilo próprio de mostrar a elite brasileira de uma forma crítica. Alguns acusam o autor de ser elitista, de deixar as classes baixas fora das telas. Não era bem assim. No ar no viva com Paraíso tropical, ele consagrou Camila Pitanga e sua prostituta Bebel.
Foram muitos os personagens que se tornaram clássicos e entraram de vez para o rol dos grandes da novela falando as precisas palavras de Gilberto. De Odete Roitman (Beatriz Segall) e Maria de Fátima (Gloria Pires) de Vale tudo a Julia Matos (Sônia Braga) e Yolanda Pratini (Joana Fomm) de Dancyn Days ー isso só pra citar duas novelas de Braga que marcaram época e pararam o país. Campeão de audiência, Gilberto Braga era internacional e recordista de exportação, com Escrava Isaura.
O sucesso veio também com Paraíso tropical, Celebridade e com a dupla Anos dourados e Anos rebeldes. Gilberto não era bom só de texto, era bom de cenas também. Inesquecível Raquel (Regina Duarte) rasgando o vestido de noiva da filha em Vale tudo; a surra de Maria Clara (Malu Mader) em Laura (Claudia Abreu) em Celebridade; o assassinato de Heloísa (Claudia Abreu) em Anos rebeldes; ou o beijo entre Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) em Babilônia, a última novela dele.
Gilberto Braga se vai, mas deixa vivos esses e tantos outros personagens doces e ácidos ー como a vida.