American crime story: O assassinato de Gianni Versace termina saga com balanço positivo

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Mais focada no assassino do que na vítima, a série American crime story: O assassinato de Gianni Versace mostra qualidade técnica e aborda o comportamento queer da década de 1990

Após o sucesso de público e, principalmente, de crítica com a primeira temporada focada no julgamento do atleta O.J Simpson, a antologia American crime story voltou às telinhas com o objetivo de contar a história do assassinato do estilista Gianni Versace em nove episódios. BaseadA no livro Vulgar favors: Andrew Cunanan, Gianni Versace, and the largest failed manhunt in U.S. history (1999), de Maureen Orth, a produção teve características marcantes do idealizador Ryan Murphy, como a contranarrativa, o humor sarcástico e os diálogos rápidos.

Crítica de American crime story: O assassinato de Gianni Versace

Em menos de cinco minutos do primeiro episódio, o público já é colocado ao assassinato a sangue frio de Gianni Versace (Édgar Ramirez) pelo jovem Andrew Cunanan (Darren Criss) com vários tiros no rosto. A partir daí, a grande impressão é de que a série seguirá um caminho a todo vapor perante a as consequências de tal morte, principalmente pela visão da irmã mais nova, Donatella Versace (Penélope Cruz).

Entretanto, não é isso que acontece. Talvez, o pequeno deslize – e o mais notável – desta temporada de American crime story seja a desconfortável sensação que o público tem em ter trocado a prometida história do assassinato de Versace, pela história do assassino Andrew a partir do segundo episódio. No fundo, a produção poderia ter sido facilmente intitulada como American crime story: Os assassinatos de Andrew Cunanan, afinal é esse o enredo apresentado por cerca de 90% dos episódios desta temporada.

Reprodução/Divulgação.

Apesar disso, o grande louvor da série é exatamente em saber contar a história de Cunanan de uma forma tecnicamente perfeita – que, às vezes, faz o enredo de Versace nem importar tanto assim. Desde o assassinato do grande estilista, o público começa a entender como o assassino – brilhantemente interpretado por Darren Criss – chegou àquele ponto trágico da vida.

Viu-se o envolvimento de Cunanan com homens mais velhos, sob o paradigma da prostituição; as paixões debaixo de um espectro de abandono e rejeições; até a conturbada infância com sugestões de abuso sexual e fortemente pautada pela megalomania do pai. Tudo isso, envolto aos outros assassinatos de Andrew (incluindo o de David Madson, o amor da vida dele, papel do ator Cody Fern) até o próprio suicídio. E é claro, abordando também o péssimo trabalho da polícia em toda essa verdadeira saga atrás do serial killer mais perigoso da América.

Vários pontos em relação à série merecem ser exaltados. A começar pelo grande elenco. Não é de hoje que Murphy é conhecido pela grande habilidade de conseguir organizar nomes de peso em produções originais e, desta vez, não foi diferente. Édgar Ramirez, Darren Criss e Judith Light (como Marilyn Miglin) dão uma verdadeira aula de atuação. Até Rick Martin consegue um momento de louvor nos últimos segundos da trama com a tentativa de suicídio de Antonio D’Amico.

Mas o show à parte fica por conta de Penélope Cruz. Com uma personagem-chave e que, ao mesmo tempo, enfrenta o desafio por ser um papel com base em alguém que ainda está vivo, a atriz consegue balancear perfeitamente todos os lados negativos e positivos que Donatella teve com o irmão mais velho, principalmente, relacionado ao fato dele ser gay e da relação com Antonio.

Crédito: Jeff Daly/FX. Penélope Cruz é Donatella Versace

Inclusive, um detalhe muito importante de American crime story: O assassinato de Gianni Versace é apresentar de forma muito bem construída como a cultura gay concretizou parte da indústria de moda que vemos hoje (assim como a televisiva e cinematográfica), e mesmo assim foi irracionalmente fadada à periferia da história sob preconceitos relacionados à disseminação da Aids (que, de acordo com a série, era uma doença que acometia Gianni, fato sempre negado pela família).

Grandes nomes da moda, música, cinema e televisão que eram gays sofreram extremo preconceito entre a década de 1980 e 1990 e tiveram embates próprios com relação ao risco de atrelar o trabalho a orientação sexual, muitos, inclusive, com abandono de carreiras ou atentado a própria vida.

Pulsando cada vez mais forte, a cultura queer passou por uma revolução a partir do final da década de 1990 e início dos anos 2000, e a série não se furta a ignorar o assunto, tanto pelo lado de Gianni (que teve problemas, inclusive, com a irmã, em lidar com o tema), quanto pelo lado de Antonio (que teve os direitos assegurados pelo companheiro, mas perdeu parte da herança para Donatella, que não aprovava a relação dos dois) até mesmo pela vida de Andrew, que teve parte do destino fadado pela orientação sexual.

Ainda sem previsão de estreia, a próxima temporada de American crime story terá como foco a passagem do furacão Katrina nos Estados Unidos. A primeira debateu o julgamento de O.J. Simpson e você pode saber mais sobre os episódios aqui.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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