Categoria: Segurança
PMDF reforça campanha de identificação de crianças durante o Carnaval
Documento simples ajuda na localização e identificação de crianças em caso de desencontro durante blocos e eventos no DF
Com a proximidade do Carnaval e o aumento da circulação de pessoas em blocos de rua e eventos abertos, a Polícia Militar do Distrito Federal reforçou a campanha de identificação de crianças como medida preventiva para evitar desaparecimentos durante a folia. O foco da ação é o uso de carteirinhas de identificação, que podem ser impressas pelos responsáveis antes de sair de casa.
A carteirinha deve conter informações básicas, como nome da criança, nome do responsável e telefone para contato. O documento pode ser colocado no bolso da roupa, preso ao cordão do abadá ou mantido junto a um crachá simples, facilitando a atuação rápida da polícia e das equipes de apoio caso os responsáveis percam a criança.
Clique neste link para ter acesso à carteirinha.
De acordo com a PMDF, o Carnaval reúne fatores de risco como grandes aglomerações, barulho intenso, consumo de álcool por parte dos adultos e circulação constante de pessoas desconhecidas. Nesse contexto, a identificação prévia é uma ferramenta essencial para reduzir o tempo de localização e evitar que situações de desencontro se prolonguem.

Prevenção é responsabilidade do adulto
Além do uso da carteirinha de identificação, autoridades de segurança e especialistas em infância alertam que a prevenção de desencontros durante o Carnaval passa por um conjunto de atitudes adotadas pelos adultos responsáveis. Em ambientes com grande aglomeração, manter a criança sempre ao alcance do olhar, evitar o uso excessivo do celular e não delegar a supervisão a irmãos mais velhos ou terceiros são cuidados considerados essenciais.
Outra medida importante é o planejamento prévio. Avaliar se o local é adequado para crianças, chegar mais cedo aos eventos, escolher pontos de referência fixos e combinar previamente como agir em caso de separação ajudam a reduzir riscos. Roupas chamativas ou facilmente reconhecíveis também facilitam a localização em meio à multidão.
Assim como a carteirinha, adesivos e pulseiras de identificação com o nome e contato dos responsáveis costuma ser uma estratégia eficiente.
A orientação à criança deve existir, de forma compatível com a idade, explicando que ela deve permanecer no local e procurar um policial ou agente identificado caso os responsáveis a percam.
A PMDF destaca que, embora seja importante orientar a criança sobre o que fazer se se perder, a responsabilidade pela segurança é sempre do adulto. Planejar, antecipar riscos e adotar cuidados básicos são atitudes indispensáveis para garantir que o Carnaval seja um espaço de lazer — e não de perigo.
ONU alerta para ameaças da inteligência artificial contra crianças
Conteúdos gerados por IA ampliam riscos de abuso, exploração sexual e danos psicológicos no ambiente digital
O crescimento do uso de ferramentas de inteligência artificial ampliou ameaças contra crianças e adolescentes, como aliciamento online, produção de imagens falsas e ciberbulying, segundo alerta divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 19 de janeiro. De acordo com a agência, a proliferação dessas ferramentas tem facilitado práticas como aliciamento online, produção de imagens falsas de caráter sexual, ciberbullying e exposição a conteúdos impróprios, ampliando a vulnerabilidade de públicos mais jovens.
As preocupações constam de uma declaração que reúne orientações e recomendações para governos, setor privado, educadores e famílias. O documento sustenta que a proteção das crianças no ambiente digital deve ser tratada como uma questão central de direitos humanos, diante do impacto crescente das tecnologias emergentes sobre o desenvolvimento, a saúde mental e a segurança infantil.
Segundo o diretor do Gabinete de Desenvolvimento das Telecomunicações, da União Internacional das Telecomunicações, Cosmas Zavazava, a inteligência artificial tem sido usada para sofisticar práticas abusivas já existentes. Ele cita desde o aliciamento personalizado, baseado na análise de comportamentos e interesses, até a criação de deepfakes e a incorporação de funcionalidades prejudiciais em plataformas digitais amplamente utilizadas por crianças e adolescentes.
Zavazava lembrou que, durante a pandemia de Covid-19, houve um aumento expressivo de casos de abuso online, especialmente contra meninas e jovens mulheres, muitos deles com consequências físicas e psicológicas. Para entidades de defesa dos direitos da criança, a IA amplia esse cenário ao permitir que agressores utilizem dados e padrões emocionais para manipular e explorar vítimas com maior precisão.
Um dos pontos mais alarmantes destacados pelas agências da ONU é o uso da inteligência artificial para gerar imagens falsas sexualmente explícitas de crianças reais, prática que tem impulsionado novas formas de extorsão sexual. Dados citados no alerta indicam que, nos Estados Unidos, os casos de abuso sexual infantil facilitado por tecnologia cresceram de forma significativa entre 2023 e 2024.
Para a ONU, esse fenômeno evidencia a gravidade dos riscos associados ao uso não regulado da inteligência artificial e reforça a necessidade de respostas coordenadas em nível nacional e internacional. Alguns países já começaram a adotar medidas mais restritivas. No fim de 2025, a Austrália tornou-se o primeiro país a proibir o acesso de crianças com menos de 16 anos às redes sociais, sob o argumento de que os riscos superam os benefícios.
Outros países, como Reino Unido, França, Canadá e Malásia, também discutem legislações semelhantes ou restrições adicionais, refletindo uma preocupação crescente com o impacto das plataformas digitais sobre o bem-estar e a segurança das crianças.
A declaração aponta ainda uma lacuna generalizada de literacia em inteligência artificial entre crianças, pais, professores e formuladores de políticas públicas, além de formação insuficiente sobre proteção de dados e avaliação de impactos nos direitos da criança. O documento atribui responsabilidades diretas às empresas de tecnologia, afirmando que muitas ferramentas baseadas em IA ainda não são desenvolvidas com foco no bem-estar infantil.
Segundo Zavazava, a ONU tem intensificado o diálogo com o setor privado para reforçar essas obrigações. Ele afirma que a utilização responsável da inteligência artificial é compatível com inovação e atividade econômica e que algumas empresas já assumiram compromissos para proteger crianças e populações vulneráveis.
A agência destaca que, embora a Convenção sobre os Direitos da Criança tenha sido atualizada em 2021 para incorporar os riscos do mundo digital, ainda são necessárias orientações complementares. Nesse contexto, foram elaboradas diretrizes específicas de proteção infantil online, voltadas a famílias, educadores, reguladores e empresas, com o objetivo de reduzir riscos e promover um uso mais seguro da tecnologia por crianças cada vez mais expostas ao ambiente digital desde idades precoces.
Proteção infantil ainda é desafio
No Brasil, o avanço das tecnologias de inteligência artificial tem inflamado o debate sobre regulação das plataformas digitais e proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. Projetos de lei em tramitação no Congresso buscam estabelecer regras mais rígidas para o uso de dados, responsabilização das empresas e combate a crimes digitais, mas especialistas avaliam que a legislação ainda avança de forma lenta diante da velocidade das inovações tecnológicas.
Organizações de defesa da infância alertam que crianças brasileiras estão expostas precocemente ao ambiente digital, muitas vezes sem mediação adequada de adultos ou políticas públicas consistentes de educação digital. Casos de aliciamento, exposição a conteúdos impróprios e violência online têm sido registrados em diferentes regiões do país, evidenciando a necessidade de ações integradas entre Estado, escolas, famílias e setor privado.
Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente não trate diretamente de IA, juristas e entidades da área da infância argumentam que a omissão regulatória não exime o poder público e as empresas de responsabilidade. Para eles, garantir a segurança de crianças no ambiente digital é uma extensão dos direitos fundamentais já assegurados pela lei, exigindo atualização normativa, fiscalização efetiva e políticas de prevenção compatíveis com a realidade tecnológica atual.
Afogamentos na infância: nova campanha nacional mira cultura de prevenção
Com afogamento entre as principais causas de morte acidental na infância, educadoras aquáticas defendem supervisão ativa, aulas desde os 6 meses e alertas contínuos de prevenção
O Brasil terá, a partir deste ano, um mês oficial dedicado à segurança aquática. Sancionada e publicada no Diário Oficial da União no início desta semana, a nova legislação transforma novembro em um período permanente de mobilização nacional para prevenir afogamentos, uma das principais causas de morte acidental entre crianças.
A mudança reforça a urgência de transformar cuidado em cultura, segundo especialistas ouvidas pelo Blog da Primeira Infância. Para elas, prevenção não é um alerta pontual, mas uma prática diária que envolve adultos, escolas, clubes e políticas públicas.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), o afogamento é a segunda maior causa de óbito acidental entre crianças de 1 a 14 anos, ficando atrás apenas dos acidentes de trânsito. A entidade estima que, todos os anos, milhares de crianças são atendidas em emergências por incidentes relacionados à água, e que a maioria dos casos ocorre em piscinas, rios, lagos e represas, muitas vezes na presença de adultos, mas sem supervisão ativa. Além disso, para cada morte registrada, há pelo menos quatro a cinco episódios de quase-afogamento, que podem deixar sequelas neurológicas permanentes.
Para a educadora aquática Patrícia Guggiana, a criação de um mês oficial representa mais do que uma data simbólica: é uma convocação nacional. “Significa mais visibilidade, mais campanhas educativas e mais responsabilidade compartilhada entre escolas, profissionais, famílias e gestores públicos. A pauta deixa de ser um aviso isolado e passa a ser uma política de conscientização contínua”, afirma.
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Segundo ela, o país ainda trata afogamentos como acidentes imprevisíveis, quando na verdade a maioria é totalmente evitável. “É silencioso, rápido e previsível. E, mesmo assim, negligenciado. Muitos adultos acreditam que ‘comigo não acontece’. Em poucos segundos, com um adulto por perto, o acidente já está em curso”, pontuou Guggiana.
Patrícia destaca que o maior mito entre famílias é acreditar que uma criança que sabe nadar está protegida. “Habilidade aquática não substitui supervisão. Mesmo experientes, crianças podem se desorientar, escorregar ou agir de forma impulsiva. A prevenção nasce da soma: supervisão ativa, barreiras físicas e educação aquática constante”, afirma.
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A especialista lista sinais de risco que surgem antes de uma situação grave e passam despercebidos. “Tudo começa de forma silenciosa: criança muito perto da borda, boias mal ajustadas, brincadeiras de empurrão, respiração acelerada, tentativas constantes de se equilibrar. Outro sinal é o excesso de confiança, tanto dos pais quanto das crianças”, diz.
Se pudesse dar apenas uma orientação neste mês de conscientização, Patrícia é objetiva: “Nunca tire os olhos da criança na água. Supervisão ativa, sem celular, sem distrações. É a regra número um”, orienta a educadora.
Prevenção deve começar cedo
A professora e instrutora de natação Emilly Seródio reforça que as aulas não substituem o adulto, mas ampliam as chances de resgate em caso de emergência. “Nossas aulas para bebês e pré-escolares ensinam habilidades que compram tempo. A criança aprende a reagir a uma emergência. O adulto é quem deve impedir que a emergência aconteça”, explica.
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Segundo ela, a idade ideal para iniciar a adaptação ao meio aquático é por volta dos 6 meses. “É quando o bebê já tem bom controle do pescoço e ainda mantém reflexos naturais que facilitam o aprendizado. Não é sobre natação esportiva, mas sobre familiarização, conforto e habilidades básicas de sobrevivência antes que o medo se instale”, ao apontar que nunca é tarde para iniciar a prevenção.
Para famílias com piscina em casa ou que frequentam clubes, Emilly é enfática: “o celular, o livro e as conversas de adultos são perigos quando a criança está na água. A supervisão ativa é indispensável”, reforça.
Seródio reforça três medidas práticas que ajudam a prevenir acidentes: retirar brinquedos da piscina após o uso, porque atraem a criança para a beira sem o adulto perceber; instalar cerca de isolamento e portão com fecho automático, “os dispositivos mais importantes que o dinheiro pode comprar”; tratar a aula de natação como ferramenta de proteção, não como garantia de segurança.




