Categoria: Literatura
Férias: 5 livros que ensinam, divertem e estimulam o cérebro
Tempo livre pede leituras que cabem na mala, acolhem no sofá e viram pontes de conversa entre crianças, famílias e educadores.
As férias chegaram — e, com elas, uma oportunidade preciosa para o desenvolvimento infantil. Estudos em neurociência mostram que a leitura na infância estimula áreas do cérebro ligadas à linguagem, à empatia, à autorregulação emocional e à criatividade, além de fortalecer vínculos afetivos quando compartilhados com adultos. Ler não é apenas um passatempo: é uma experiência que organiza pensamentos, amplia repertórios e ajuda a criança a compreender o mundo e a si mesma.
Pensando nisso, reunimos cinco livros que dialogam com diferentes idades e universos. São histórias que despertam a imaginação, acolhem sentimentos, promovem inclusão e convidam à reflexão, tudo com leveza, humor e sensibilidade. Uma curadoria pensada para acompanhar as crianças nas viagens, nos dias tranquilos em casa ou nas pequenas aventuras do cotidiano.
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Prepare-se para uma vitrine que une aprendizado e encanto, porque boas férias também passam por boas histórias.
O pequeno mundo criativo
Com uma narrativa poética e ilustrações delicadas, o livro convida as crianças a percorrerem uma jornada criativa em busca da reconstrução de um pequeno mundo. A obra estimula o pensamento criativo, o olhar crítico e a resolução de problemas ao integrar arte, sustentabilidade e economia circular. Em tempos de urgência ambiental, a história mostra que imaginar soluções também é um gesto de cuidado com o planeta — e que toda criança pode ser parte dessa transformação.
Autora: Silmara Rascalha Casadei
Editora: Cortez Editora
Onde encontrar: Amazon
Óculos? Pra mim?
Tudo parece menos divertido quando o mundo está borrado. Entre tropeços e apertar de olhos, uma menininha descobre que usar óculos pode transformar não só a visão, mas a forma de se perceber no mundo. Com humor e delicadeza, a história aborda aceitação, autoestima e a beleza das pequenas descobertas do dia a dia. Ao final, o livro traz ainda um guia do oftalmologista Sergio Passerotti para pais e educadores, com orientações sobre os cuidados com a visão infantil.
Autora: Maíra Lot Micales
Editora: Caminho Suave
Onde encontrar: Amazon
Família da Libras – Sentimentos
Os sentimentos não podem ser vistos, mas podem — e precisam — ser expressos. Neste livro sensível e acolhedor, as crianças são convidadas a aprender sobre emoções por meio da Língua Brasileira de Sinais. Com poesia, afeto e sinais, a obra amplia a comunicação emocional e promove inclusão desde a infância, reforçando que acessibilidade também é linguagem, vínculo e cuidado.
Autor: Filipe Macedo
Editora: Ciranda na Escola
Onde encontrar: Amazon
João Problemão
João conhece um “amigo” curioso em um momento de frustração. Pequeno no início, ele cresce à medida que é alimentado — até se tornar um grande problema. A história é uma metáfora potente e acessível sobre emoções, hábitos e autorregulação, ajudando crianças a entenderem que sentimentos precisam ser reconhecidos, não ignorados, para que possam ser manejados de forma saudável.
Autora: Verônica Cunha
Editora: Hanoi Editora
Onde encontrar: Hanoi
Como surgiu o primeiro Griot
Inspirado em relatos ancestrais da África Ocidental, o livro apresenta a origem dos Griots — mestres da palavra responsáveis por preservar a memória, a cultura e a história de seus povos. Mais do que uma narrativa histórica, a obra conecta música, oralidade e identidade cultural, mostrando às crianças a importância das histórias como herança viva entre gerações.
Autor: Rogério Andrade Barbosa
Editora: Cortez Editora
Onde encontrar: Amazon
8 livros sobre identidade, diversidade e consciência negra para ler com crianças
No Dia da Consciência Negra, o blog da Primeira Infância selecionou livros que podem ajudar famílias e educadores a construirem conversas sensíveis e positivas com as crianças
A construção da identidade racial começa muito antes do que os adultos imaginam. Pesquisas mostram que, por volta dos três anos, as crianças já reconhecem diferenças de cor, cabelo e traços, formulam preferências e começam a interpretar o mundo a partir das referências que recebem. Na primeira infância, essas referências são decisivas para formar autoestima, pertencimento e relações mais saudáveis. E uma das formas mais naturais de introduzir essas conversas em casa e na escola é por meio dos livros.
A literatura infantil oferece algo que nenhuma explicação teórica alcança: imagens, personagens e histórias que validam quem a criança é. Quando uma criança se vê representada, ou vê outra criança diferente dela sendo valorizada, ela entende que existe beleza, potência e diversidade no mundo. A leitura abre janelas internas e externas, cria pontes com a cultura afro-brasileira e permite que temas importantes sejam vividos com leveza.
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Nos últimos anos, autores negros e obras que abordam ancestralidade, identidade e diversidade ganharam espaço no mercado editorial brasileiro, ampliando o acesso a narrativas que celebram a infância preta. No Dia da Consciência Negra, o Blog da Primeira Infância selecionou livros que podem ajudar famílias e educadores a construir conversas sensíveis e positivas com as crianças, respeitando o ritmo e a compreensão de cada faixa etária.
O cabelo de Lelê — Valéria Belém
Clássico para falar de autoestima e orgulho do cabelo crespo. Lelê descobre sua história, suas raízes e a beleza da própria identidade. É um livro que ajuda crianças a valorizarem suas características e a reconhecerem as dos colegas.
O mundo no black power de Tayó — Kiusam de Oliveira
Colorido, vibrante e cheio de identidade, apresenta a ancestralidade afro-brasileira de forma lúdica. Tayó carrega um universo inteiro em seu black power, conectando imaginação, cultura e pertencimento.
Menina bonita do laço de fita — Ana Maria Machado
Uma fábula delicada sobre beleza e diversidade. A narrativa mostra como as diferenças enriquecem as relações e como a curiosidade pode ser ponte para o carinho, sem reforçar estereótipos.
Amoras — Emicida
Com linguagem poética e afetiva, fala sobre amor-próprio, força e identidade. Funciona muito bem em leituras compartilhadas, especialmente à noite, como ritual de acolhimento.
Meu crespo é de rainha — bell hooks
Uma celebração da corporalidade e da beleza negra. O texto forte e sensível ensina que o corpo é fonte de orgulho e que o cabelo crespo carrega história e dignidade.
Os pequenos guardiões — Kiusam de Oliveira
Traz elementos da ancestralidade africana de forma acessível, lúdica e espiritual, respeitando o entendimento das crianças. Introduz tradições afro-brasileiras com cuidado e poesia.
O mar que banha a Ilha de Goré — Kiusam de Oliveira
Ideal para crianças um pouco maiores dentro da primeira infância, apresenta memória e história sem violência gráfica. Permite conversas sobre passado, resistência e humanidade.
Teté não quer ser princesa — Janaína Tokitaka
Embora não seja exclusivamente sobre raça, questiona padrões estéticos e amplia discussões sobre diversidade. Mostra que as crianças podem ser quem quiserem, sem limitar sonhos ou identidades.
A leitura desses livros não precisa ser acompanhada de discursos longos. As conversas surgem naturalmente quando o adulto dá espaço para a criança comentar o que vê, identificar parecidos e diferentes, e relacionar a história com sua vida. Perguntas como “O que você mais gostou nesse personagem?”, “Quem da nossa família tem esse cabelo?” ou “O que essa parte da história te lembra?” ajudam a aprofundar o diálogo sem peso. Boa leitura!














