Mês: maio 2026
Vacinas evitaram 154 milhões de mortes e seguem essenciais na infância
Apesar do impacto histórico na redução da mortalidade infantil, queda na cobertura vacinal preocupa o Brasil e no mundo
A vacinação infantil já evitou 154 milhões de mortes no mundo desde 1974, sendo 95% entre crianças com menos de 5 anos, um dos dados mais contundentes da saúde pública global e que reforça a importância de manter altas coberturas vacinais.
Mesmo com esse impacto histórico, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta para uma queda recente na adesão às vacinas, cenário que preocupa autoridades sanitárias no Brasil e no exterior. A imunização na primeira infância, considerada uma das estratégias mais eficazes para salvar vidas, enfrenta desafios que vão desde desinformação até dificuldades de acesso em alguns contextos.
O debate ganhou força após os Estados Unidos suspenderem, no início de 2026, a recomendação de seis das 17 vacinas do calendário infantil, incluindo imunizantes contra gripe, hepatites A e B e rotavírus. A decisão gerou preocupação entre especialistas, que veem risco de aumento na hesitação vacinal e possíveis impactos globais na proteção coletiva.
“A diminuição da imunização em um país com a influência dos Estados Unidos ressoa como um alerta sanitário global”, afirmou o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eduardo Jorge da Fonseca Lima, em artigo.
No Brasil, o histórico de sucesso das campanhas de vacinação é amplamente reconhecido. O país erradicou a poliomielite, eliminou a rubéola congênita e reduziu drasticamente mortes por doenças infecciosas ao longo das últimas décadas, graças ao alcance do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e à oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, os índices recentes mostram sinais de alerta. Dados do Ministério da Saúde indicam que apenas duas vacinas obrigatórias para recém-nascidos (BCG e hepatite B) alcançaram cobertura acima de 95%. Ainda assim, houve queda em relação ao ano anterior.
O cenário não é exclusivo do Brasil. Segundo estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,7 milhões de crianças no mundo estão com vacinas atrasadas ou sequer iniciaram o esquema vacinal, em comparação ao período pré-pandemia.
O Anuário VacinaBR, relatório estatístico de vacinação no Brasil 2000 – 2023, destaca que nas últimas cinco décadas, as vacinas tiveram um papel central na redução da mortalidade infantil, representando 40% da queda global dessa estatística. “Desde 1974, os imunizantes evitaram 154 milhões de mortes, 95% delas entre crianças menores de 5 anos”, aponta o documento desenvolvido pelo Instituto Questão de Ciência (IQC).
Especialistas destacam que a vacinação vai além da proteção individual. Ao reduzir a circulação de vírus, ela protege toda a comunidade e evita o ressurgimento de doenças já controladas.
Além disso, a imunização precoce tem efeitos duradouros: diminui o risco de sequelas neurológicas e respiratórias, reduz hospitalizações e contribui para uma vida adulta mais saudável.
Com um dos calendários vacinais mais completos do mundo, o Brasil oferece gratuitamente proteção contra mais de 20 doenças ainda nos primeiros meses de vida. Manter essa política pública forte é essencial não apenas para preservar conquistas históricas, mas para garantir a saúde e qualidade de vida das próximas gerações.
A partir dos seis meses, crianças brasileiras têm acesso à vacina contra a Covid-19, febre amarela e tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Confira o calendário completo de vacinação infantil desenvolvido pelo Ministério da Saúde aqui. O calendário proposto também observa a importância do cuidado com as gestantes, garantindo que os primeiros mil dias de vida sejam seguros e saudáveis.


