Fome na infância cai 30% no país em um ano, diz governo

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Dados do governo federal indicam redução da insegurança alimentar entre crianças e adolescentes, mas cenário ainda exige atenção

O número de crianças e adolescentes em situação de insegurança alimentar no Brasil caiu cerca de 30% em um ano, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A redução é atribuída à ampliação de políticas públicas de transferência de renda e segurança alimentar.

A queda foi observada a partir de levantamentos do governo federal, realizados entre 2023 e 2024, que apontam melhora no acesso à alimentação em lares com crianças e adolescentes. Dados do Ministério da Saúde também indicam que, em 2025, quase 8 milhões de crianças tiveram o peso e altura acompanhados pela atenção primária à Saúde. Nesse período, o nível de magreza acentuada caiu de 2,8 para 1,8% das crianças e a obesidade recuou de 6,4 para 5,7%.

Entre os fatores que contribuíram para o recuo da fome na infância estão o fortalecimento do Bolsa Família, a ampliação de benefícios para famílias com filhos e a recomposição de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, como a distribuição de alimentos e o apoio à agricultura familiar.

A secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, destaca que o resultado se deve a uma combinação de políticas públicas voltadas ao acesso à renda e à alimentação.

“A redução da fome entre crianças e adolescentes aconteceu por uma combinação de ações importantes do governo. O Bolsa Família, por exemplo, passou a pagar valores extras por criança, R$ 150 para menores de 6 anos e R$ 50 para quem tem entre 7 e 17 anos, chegando a milhões de famílias. Além disso, o programa, o Bolsa Família, também ajudou a ampliar o acompanhamento nutricional dessas crianças, porque isso é uma condição para estar no programa”, detalha.

Em fevereiro deste ano, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar foram reajustados em média, em 14%. O programa atende 38 milhões de estudantes em escolas da rede pública.

O que é insegurança alimentar?

A insegurança alimentar ocorre quando uma pessoa não tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. No caso das crianças, os efeitos são ainda mais graves, pois atingem uma fase essencial do desenvolvimento.

Ela pode ser classificada em três níveis:

  • Leve: preocupação ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos
  • Moderada: redução na quantidade de comida entre adultos e/ou crianças
  • Grave: falta de alimentos, podendo levar à fome
Jéssica Andrade

Jornalista com especialização em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. Coautora do livro Maternidade Atípica, integra o Colo — Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil.

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