Dia Nacional da Criança Traqueostomizada reforça cuidado, empatia e inclusão

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Data chama atenção para a importância da orientação às famílias, do acompanhamento multidisciplinar e da desmistificação do procedimento.  Dia Nacional da Criança Traqueostomizada alerta que o procedimento pode ser decisivo para salvar vidas e garantir qualidade de vida às crianças

Celebrado no dia 18 de fevereiro, o Dia Nacional da Criança Traqueostomizada é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre um procedimento médico muitas vezes cercado de medo e desinformação. A data também reforça a importância do atendimento qualificado e destaca a necessidade de suporte contínuo às famílias e equipes de saúde que acompanham esses pequenos pacientes.

A traqueostomia, procedimento terapêutico que cria uma abertura direta na traqueia para permitir a respiração, pode ser fundamental para garantir a sobrevivência e o desenvolvimento de crianças com dificuldades respiratórias graves. Embora a técnica salve vidas, ela também representa desafios técnicos e emocionais para pais e cuidadores, especialmente em contextos fora do ambiente hospitalar.

De acordo com publicações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o perfil das crianças submetidas à traqueostomia mudou nas últimas décadas. Se antes o procedimento era mais frequentemente associado a infecções respiratórias agudas, hoje está majoritariamente relacionado a condições crônicas complexas, como prematuridade extrema, malformações congênitas das vias aéreas e doenças neuromusculares que exigem suporte ventilatório prolongado.

O aumento da sobrevida de recém-nascidos prematuros e de crianças com doenças raras também contribuiu para a ampliação dessa demanda assistencial.

No Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB), a cirurgiã torácica Maria Alice Cardozo explica que a traqueostomia não deve ser vista como algo definitivo ou assustador, mas como uma solução que pode ser temporária e essencial para a segurança respiratória da criança. Segundo ela, a compreensão correta do procedimento desde o primeiro diálogo com a família é um passo importante para reduzir ansiedades e promover cuidado com empatia.

Entre as principais preocupações das famílias está a obstrução da cânula, um risco que pode exigir ações imediatas. Embora o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) deva ser acionado em emergências, a equipe do HCB treina as famílias para realizar aspirações, nebulizações e até procedimentos de emergência, como retirar e recolocar a cânula quando necessário. “Às vezes o Samu não chega a tempo. Por isso a família tem que ser orientada”, afirma a médica.

O cuidado vai além do procedimento em si: envolve um atendimento multidisciplinar, incluindo enfermagem, fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia. Esta última com papel crucial na reabilitação da fala e da deglutição, aspectos que preocupam intensamente os familiares.

Vida ativa e suporte à família

Apesar da complexidade do tratamento, a médica reforça que a criança traqueostomizada pode viver de forma ativa, com limitações específicas. Elas, por exemplo, devem evitar atividades que aumentem o risco de entrada de água nas vias aéreas, como nadar em piscina. Mas com potencial de desenvolvimento é comparável a de outras crianças, quando acompanhada adequadamente.

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A decânulação,  momento em que a cânula é retirada definitivamente, é uma etapa possível para muitas crianças, e ocorre após avaliações clínicas cuidadosas, incluindo broncoscopia e testes de tolerância com a cânula ocluída. O corpo normalmente fecha o orifício da traqueostomia naturalmente, sem a necessidade de pontos cirúrgicos, e a criança permanece em observação por 24 a 48 horas.

Por trás de cada cânula, existe uma criança pronta para descobrir o mundo. O Dia Nacional da Criança Traqueostomizada não é apenas uma data no calendário, mas um convite à empatia, à troca de experiências entre famílias, à melhoria contínua da qualidade de vida dessas crianças e à criação de políticas públicas que garantam assistência integral.

Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e da Agência Brasília

Jéssica Andrade

Jornalista com especialização em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. Coautora do livro Maternidade Atípica, integra o Colo — Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil.

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