8 livros sobre identidade, diversidade e consciência negra para ler com crianças

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No Dia da Consciência Negra, o blog da Primeira Infância selecionou livros que podem ajudar famílias e educadores a construirem conversas sensíveis e positivas com as crianças

A construção da identidade racial começa muito antes do que os adultos imaginam. Pesquisas mostram que, por volta dos três anos, as crianças já reconhecem diferenças de cor, cabelo e traços, formulam preferências e começam a interpretar o mundo a partir das referências que recebem. Na primeira infância, essas referências são decisivas para formar autoestima, pertencimento e relações mais saudáveis. E uma das formas mais naturais de introduzir essas conversas em casa e na escola é por meio dos livros.

A literatura infantil oferece algo que nenhuma explicação teórica alcança: imagens, personagens e histórias que validam quem a criança é. Quando uma criança se vê representada, ou vê outra criança diferente dela sendo valorizada, ela entende que existe beleza, potência e diversidade no mundo. A leitura abre janelas internas e externas, cria pontes com a cultura afro-brasileira e permite que temas importantes sejam vividos com leveza.

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Nos últimos anos, autores negros e obras que abordam ancestralidade, identidade e diversidade ganharam espaço no mercado editorial brasileiro, ampliando o acesso a narrativas que celebram a infância preta. No Dia da Consciência Negra, o Blog da Primeira Infância selecionou livros que podem ajudar famílias e educadores a construir conversas sensíveis e positivas com as crianças, respeitando o ritmo e a compreensão de cada faixa etária.

O cabelo de Lelê — Valéria Belém

Clássico para falar de autoestima e orgulho do cabelo crespo. Lelê descobre sua história, suas raízes e a beleza da própria identidade. É um livro que ajuda crianças a valorizarem suas características e a reconhecerem as dos colegas.

O mundo no black power de Tayó — Kiusam de Oliveira

Colorido, vibrante e cheio de identidade, apresenta a ancestralidade afro-brasileira de forma lúdica. Tayó carrega um universo inteiro em seu black power, conectando imaginação, cultura e pertencimento.

Menina bonita do laço de fita — Ana Maria Machado

Uma fábula delicada sobre beleza e diversidade. A narrativa mostra como as diferenças enriquecem as relações e como a curiosidade pode ser ponte para o carinho, sem reforçar estereótipos.

Amoras — Emicida

Com linguagem poética e afetiva, fala sobre amor-próprio, força e identidade. Funciona muito bem em leituras compartilhadas, especialmente à noite, como ritual de acolhimento.

Meu crespo é de rainha — bell hooks

Uma celebração da corporalidade e da beleza negra. O texto forte e sensível ensina que o corpo é fonte de orgulho e que o cabelo crespo carrega história e dignidade.

Os pequenos guardiões — Kiusam de Oliveira

Traz elementos da ancestralidade africana de forma acessível, lúdica e espiritual, respeitando o entendimento das crianças. Introduz tradições afro-brasileiras com cuidado e poesia.

O mar que banha a Ilha de Goré — Kiusam de Oliveira

Ideal para crianças um pouco maiores dentro da primeira infância, apresenta memória e história sem violência gráfica. Permite conversas sobre passado, resistência e humanidade.

Teté não quer ser princesa — Janaína Tokitaka

Embora não seja exclusivamente sobre raça, questiona padrões estéticos e amplia discussões sobre diversidade. Mostra que as crianças podem ser quem quiserem, sem limitar sonhos ou identidades.

A leitura desses livros não precisa ser acompanhada de discursos longos. As conversas surgem naturalmente quando o adulto dá espaço para a criança comentar o que vê, identificar parecidos e diferentes, e relacionar a história com sua vida. Perguntas como “O que você mais gostou nesse personagem?”, “Quem da nossa família tem esse cabelo?” ou “O que essa parte da história te lembra?” ajudam a aprofundar o diálogo sem peso. Boa leitura!

Jéssica Andrade

Jornalista com especialização em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. Coautora do livro Maternidade Atípica, integra o Colo — Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil.

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Jéssica Andrade

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