Novembro Roxo reforça alerta para a saúde ocular de bebês prematuros

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Oftalmologista destaca que diagnóstico precoce da retinopatia da prematuridade é decisivo para evitar sequelas permanentes

O mês de novembro marca a campanha Novembro Roxo, voltada à conscientização sobre os desafios enfrentados por bebês prematuros e a necessidade de cuidados contínuos nos primeiros meses de vida. Entre as complicações mais frequentes, os problemas oculares merecem atenção especial, já que o desenvolvimento da visão ocorre de forma acelerada no fim da gestação e segue após o nascimento.

A principal preocupação é a retinopatia da prematuridade, condição que pode causar perda parcial ou total da visão quando não identificada a tempo. Segundo a oftalmologista Isabela Porto, do Hospital de Olhos (CBV), o risco exige vigilância precoce. “A retinopatia ocorre quando há alterações nos vasos sanguíneos da retina. Por isso, todo bebê prematuro deve passar por avaliação oftalmológica nas primeiras semanas de vida”, explica.

O mapeamento de retina é o exame recomendado e precisa ser realizado, preferencialmente, entre a quarta e a sexta semana após o nascimento. “É um procedimento rápido, indolor e decisivo para o prognóstico visual. Quanto antes identificamos a retinopatia, maiores são as chances de evitar complicações”, orienta a médica.

Prematuros também apresentam maior probabilidade de desenvolver miopia, estrabismo e outras alterações visuais ao longo da infância. “Mesmo quando o primeiro exame não aponta problemas, o acompanhamento periódico é essencial. Muitas dificuldades surgem mais tarde, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, acrescenta Isabela.

A especialista reforça que a prevenção começa ainda na UTI neonatal, com orientação adequada às famílias e às equipes de saúde. “Identificar qualquer alteração no momento certo é o que garante a esse bebê a chance de desenvolver uma visão adequada”, afirma.

Jéssica Andrade

Jornalista com especialização em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil. Coautora do livro Maternidade Atípica, integra o Colo — Coletivo de Jornalismo Infantojuvenil.

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Jéssica Andrade

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