Por trás de cada evento, campanha ou vídeo que viraliza nas redes, existe um trabalho de bastidor que raramente aparece: o de transformar um momento em narrativa. É nesse território que, desde 2023, atua a produtora Studio Comp, especializada em cobertura de eventos, acompanhamento artístico, direção criativa e produção de drops, vídeos curtos e de rápida absorção, pensados especialmente para redes sociais. O objetivo é manter todas as etapas de um projeto, do roteiro à finalização, sob os olhos da mesma equipe.
A proposta do estúdio parte de uma premissa simples: imagem bonita não basta se não tiver estratégia por trás. Por isso, o trabalho da marca combina visão artística com um olhar atento aos objetivos de comunicação de cada cliente, unindo captação de ponta, color grading [correção/tratamento de cor] exclusivo e tratamento de áudio profissional para entregar conteúdos que não apenas registram um momento, mas o fazem ser sentido e lembrado. Apenas em 2026, o estúdio atuou em mais de 50 trabalhos no segmento audiovisual.
“Temos uma linguagem própria no geral, e isso sempre foi um pilar da empresa. Faz parte do nosso DNA ser chamativo, disruptivo, sair do óbvio, brincar com as supostas regras e limites criativos que existem dentro de cada tipo de entrega. E isso vem das nossas referências, das escolas com as quais aprendemos e nos inspiramos, mas também de quem somos como pessoas. No geral, estamos sempre buscando clientes e projetos alinhados com essa visão. Se você realmente quiser um registro comum, talvez a Comp não seja pra você”, explica o fundador e diretor criativo Yuri Marques.
Essa característica autoral do estúdio, segundo Yuri, está presente em diferentes detalhes. Inclusive, no próprio nome da marca. Segundo o empreendedor, o “Comp” veio da palavra “composição”. “É justamente o termo-chave para descrever quem somos e o que fazemos. Composição, segundo a etimologia, é a união de duas coisas que, juntas, criam algo novo e com significado próprio. Nossa visão como empresa vem desta filosofia: quando unimos o nosso olhar e a nossa visão de mundo com o que quer que seja, causamos transformação e fazemos nascer algo totalmente novo e único”, ressalta.
Entre os últimos projetos realizados, Yuri lembra de iniciativas que marcaram a trajetória da empresa, como a atuação do time na cobertura oficial da BOMA — Born Of Music Addiction, grande evento e movimento itinerante de música eletrônica, considerado referência no cenário nacional do gênero. De acordo com Yuri, o trabalho sempre foi uma meta para a Comp. “Ter sido confiada uma responsabilidade tão grande quanto a cobertura completa de drops e fullsets do evento, que contava com diversos nomes internacionais de peso e uma estrutura absurda, foi a melhor confirmação possível de que estávamos indo no caminho certo”, celebra.
No entanto, é justamente esse ritmo de crescimento que traz à tona um dos principais desafios da rotina à frente do estúdio: acompanhar a velocidade do mundo. “A cada minuto é criada uma ferramenta nova, uma tecnologia que acelera algum fluxo, uma solução diferente para algum problema…”, avalia Yuri. Para ele, filtrar tudo isso e absorver apenas o que faz sentido para a realidade da Comp, sem perder o foco do que realmente importa, não é tarefa simples. “Precisamos ser, a cada dia, mais rápidos e mais eficientes, e ainda assim continuar fazendo tudo isso com criatividade e personalidade”, acrescenta.
O processo criativo
Para tirar um projeto do papel, Yuri indica que a pré-produção é o coração e alma do que é criado pela Comp. “Nosso forte é ter ideias malucas, então, aqui é o momento de colocá-las no papel, viabilizar as melhores, montar um plano de ação, aprovar com o cliente e, só depois, começar a agir. Como não temos espaço para erro, principalmente quando falamos de apresentações ao vivo, precisamos estar totalmente preparados para todo e qualquer tipo de imprevisto”, aponta.
O fundador da Comp ressalta, ainda, que gravar uma apresentação ao vivo não permite um “segundo take”, visto que a equipe de audiovisual não pode pedir para o artista repetir uma ação ou momento. Por isso, é necessário garantir que tudo seja captado em tempo real, de forma fiel ao que o cliente espera. Para ele, trata-se de uma responsabilidade. Por essa razão, a pré-produção bem-feita se faz necessária. “Qualquer descuido pode ser fatal para um trabalho como o nosso”, destaca.
Três perguntas para Yuri Marques, fundador e diretor criativo da Studio Comp:
Por que a música e os eventos se tornaram uma parte tão importante do trabalho da Studio Comp?
Um fato engraçado é que todos os integrantes oficiais da Comp são ou já foram DJs e/ou produtores musicais, e foi exatamente assim que nos conhecemos. Eu, pessoalmente, toco desde os 14 anos de idade e produzo desde os 17. Então, muito antes da Comp pensar em existir, já éramos apaixonados de carteirinha pelo movimento e já estávamos inseridos de certa forma. Em resumo, a resposta é: nós vivemos isso.
Como vocês enxergam a cena musical e cultural da cidade atualmente?
Falando de música eletrônica, que é nosso maior lugar de fala, ao mesmo tempo em que estamos em momento super positivo, ao meu ver, também estamos confortáveis demais. Estamos passando por uma fase bem movimentada, somos rota dos maiores artistas e eventos do país, mas ao mesmo tempo sinto que estamos parados em uma certa mesmice, que talvez seja medo do novo. Pode ser saudosismo, mas sinto falta de uma época em que a cidade buscava a novidade, o diferente, em que a diversidade falava mais alto que o conforto. Espero ansioso por um momento em que a gente consiga ter ouvidos curiosos o suficiente nas pistas para sustentar uma cena tão ampla e diversa quanto o nosso país.
Há alguma curiosidade sobre a marca?
Somos todos super entusiastas de tecnologia e, recentemente, estamos focados no desenvolvimento de alguns aplicativos e ferramentas que vão acelerar os nossos fluxos e ajudar outros profissionais da área audiovisual a ter melhores resultados, de maneira mais ágil e segura. Ainda não posso falar muito sobre isso, mas a frase da empresa no último mês foi “a era das máquinas chegou”.

