Zidane deixa o Real pela porta da frente: nove títulos em dois anos e meio. Foto: Real Madrid
Talvez, os últimos atos da carreira do jogador Zidane — a cabeçada em Materazzi na final da Copa de 2006, a expulsão e a perda do título — tenham ensinado muito ao francês eleito três vezes o melhor do mundo sobre a melhor maneira, o momento certo de virar uma página. Doze anos depois, o único técnico tricampeão da Champions League em edições consecutivas do torneio sai por cima do Real Madrid.
Zidane não é o primeiro nem será o último a deixar o cargo logo depois de faturar o principal título de clubes da Europa. José Mourinho largou o Porto em 2004, após bater o Monaco, para assumir o Chelsea. Fez o mesmo na Internazionale, em 2010, quando derrotou o Bayern de Munique e depois embarcou para a aventura no Real Madrid. Jupp Heynckes conquistou a tríplice coroa com o Bayern de Munique, em 2013. Antes mesmo da final, havia comunicado a primeira aposentadoria. Voltou ao batente no clube nesta temporada.
Guardadas as devidas proporções, a decisão de Zidane lembra a do técnico Phil Jackson após o segundo tricampeonato do Chicago Bulls na NBA. O treinador pediu o boné depois da série de títulos de 1996, 1997 e 1998. Somente ele, Michael Jordan, Scottie Pippen, Ron Harper, Dennis Rodman, Luc Longley, Toni Kukoc, Steve Kerr e companhia sabem o que passaram para superar o Seattle Supersonics (1996) e o Utah Jazz (1997 e 1998) nas três decisões sucessivas. O relacionamento de Phil Jackson com o dono da franquia, Jerry Krause, estava por um fio. Além disso, ele entendeu que aquele Chicago havia chegado ao limite. Popularmente: deu o que tinha que dar. Zidane acaba de perceber isso no Real Madrid.
O técnico francês teve o vestiário nas mãos por três temporadas. Gênios indomáveis como Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Benzema e Sergio Ramos compraram a ideia dele. Uns à vista. Outros a prazo. CR7 admitiu ser poupado em alguns jogos para que jogasse em alto nível em momentos chave, como a fase de mata-mata da Liga dos Campeões. Bale e Benzema toleraram o banco de reservas quando Zidane precisou separar o trio BBC em nome da reinvenção do time. Em outros momentos, aceitaram o sacrifício tático. Foram nove títulos em dois anos e meio. Zidane só não ganhou a Copa do Rei da Espanha como técnico do Real Madrid. Relacionamentos se desgastam, A corda estica ao ponto de algum dos lados finalmente dizer: “não dá mais”.
Não dá mais porque discutir a relação com Florentino Pérez é uma guerra psicológica. Zidane passou a temporada inteira na corda bamba diante do risco de não ganhar nada em 2017/2018. Ouviu mais de uma vez rumores de nomes para substituí-lo. Não dá mais porque o vestiário cansou de empilhar troféus e o pronome “nós” passou a dar lugar ao “eu” minutos depois do apito final, em Kiev. Heróis da era dourada do Real, Cristiano Ronaldo e Bale levaram a público os descontentamentos deles. Em uma última lição de profissionalismo, Zidane ensinou que decisões importantes devem ser tomadas em particular e comunicadas em público com convicção, sem dar margem a especulações. Resumindo: falar na hora certa.
Acho que Zidane está disposto a começar um trabalho do zero. Só não aguenta mais ficar quebrando cabeça com o Real Madrid e sujeito ao humor de Florentino Pérez. Preferiu surpreender o todo-poderoso a ser surpreendido ao longo da próxima temporada. Afinal, o técnico mais vitorioso da história da Champions League, ao lado de Carlo Ancelotti e de Bob Paisley, tem mercado onde quiser. Ouso dizer até que a seleção francesa seria o melhor caminho depois da Copa da Rússia. Levar a França ao título da Euro-2020 ou do Mundial do Catar, sim, seriam belos desafios para quem provou como jogador, auxiliar e técnico que é viciado em vencer.
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