Vélez Sarsfield x Flamengo: conheça o técnico argentino Mauricio Pellegrino

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Ele adiou o sonho do São Paulo e do goleiro Rogério Ceni de conquistar o tricampeonato consecutivo da Libertadores. Foi aprendiz do espanhol Rafa Benítez no Liverpool, quando iniciou a transição da carreira de zagueiro para a de técnico de futebol. Levou o modesto Alavés a uma final da Copa do Rei da Espanha contra o Barcelona com o centroavante Deyverson, ex-Palmeiras, no papel de centroavante do time. Impôs a maior derrota de Marcelo Gallardo no começo do trabalho do colega de profissão à frente do River Plate e comanda o filho de 19 anos no elenco profissional.

A trajetória do técnico do Vélez Sarsfield, Mauricio Pellegrino, indica que Rogério Ceni, provavelmente, não terá vida fácil no duelo tático com o argentino de 49 anos nesta terça, às 21h30, na estreia do Flamengo na Libertadores. Não se engane: o treinador do outro lado é bom.

Pellegrino era zagueiro, o camisa 13, daquele Vélez Sarsfield que encerrou a dinastia do São Paulo na Libertadores. O timaço de Telê Santana havia sido campeão continental em 1992 e 1993. Esteve próximo do terceiro título consecutivo, mas perdeu nos pênaltis. Rogério Ceni era um dos goleiros reserva de Zetti. Garoto, tinha 21 anos. No Morumbi, testemunhou Palhinha perder uma cobrança defendida por Chilavert, e o Vélez converter todas as cinco cobranças. Ceni esperou 12 anos para brindar o São Paulo com a terceira estrela na Libertadores de 2005.

Ex-zagueiro, Pellegrino foi o primeiro jogador argentino a atuar na Premier League. Vestiu a camisa do Liverpool. Antes de encerrar a carreira no Alavés. Observador, o técnico Rafa Benítez viu futuro no recém-aposentado para virar treinador e o contratou para trabalhar como um de dos seus estagiários. Pellegrino virou auxiliar do espanhol mentor do título dos Reds na edição de 2005 da Liga dos Campeões da Europa. Estava dado o primeiro passo na nova profissão.

Mauricio Pellegrino era zagueiro titular do Vélez Sarsfield, o camisa 13, na final da Libertadores de 1994 contra o São Paulo. Um dos goleiros reservas de Zetti no time de Telê Santana, Rogério Ceni viu o time de Carlos Bianchi calar o Morumbi na decisão por pênaltis e impedir o tricampeonato consecutivo daquele timaço paulista. Ceni deu o troco na final do Mundial de Clubes de 2005, quando Pellegrino fazia parte do elenco de Rafa Benítez no Liverpool

Rafa Benítez não foi o único mentor. O título da Libertadores, em 1994, teve Carlos Bianchi no papel de mestre. Em 2001, chegou à final da Champions League contra o Bayern de Munique, no San Siro, em Milão, sob a batuta de Héctor Cúper. Passou por um trauma: desperdiçou a última cobrança do Valencia depois do empate por 1 x 1 e viu o Bayern arrematar a Orelhuda.

O argentino costuma dar trabalho aos adversários. Era técnico do Independiente, em 2015, quando impôs a pior derrota do início do trabalho de Marcelo Gallardo no River Plate: 3 x 0. Pellegrino contava com Victor Cuesta (Inter) na defesa e Martín Benítez na linha de três meias do sistema tático predileto – o 4-2-3-1. Deixou a torcida em êxtase no Estádio Avellaneda.

Algo maior esperava por Pellegrino. Guiou o modesto Alavés até a final da Copa do Rei da Espanha desbancando La Coruña e Celta de Vigo no mata-mata. Em 27 de maio de 2017, disputou o título do segundo torneio mais importante da Espanha com o Barcelona, de Mascherano, Piqué, Busquets, Iniesta, Rakitic, Messi e Neymar — comandado por Luis Enrique, atual treinador da Espanha. Com um time muito bem arrumado, deu trabalho, porém, não resistiu e amargou derrota por 3 x 1. Messi, Alcácer e Neymar decidiram. Um dos frustrados com a derrota era Dayverson, ex-Palmeiras.

Campeão de quase tudo com o Vélez nos tempos de jogador, Pellegrino ganhou quatro edições do Campeonato Argentino, uma Libertadores, um Mundial de Clubes contra o todo-poderoso Milan, de Fabio Capello, uma Supercopa dos Campeões da Libertadores contra o Cruzeiro, uma Copa Interamericana e a Recopa Sul-Americana. Assumiu o time como técncio em 17 de abril do ano passado e acumula 33 jogos no cargo: 18 vitóris, seis empates e nove derrotas. Levou a equipe às semifinais da Copa Sul-Americana do ano passado após desbancar Peñarol, Deportivo Cali, Universidad Católica e perder para o Lanús na semifinal. Lidera o Grupo da Liga Argentina com 22 pontos, seis a mais do que o vice. Boca Juniors.

Curiosidade: o filho de Mauricio, Mateo Pellegrino, de 19 anos, é seu comandado.

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Marcos Paulo Lima

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