Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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FFU: times articulam reformas por controle total do bloco econômico

Mudança na convenção busca zerar poder de veto do investidor, alterar a composição do comitê de gestão para 6 x 1 e dar autonomia total aos times para a criação de uma liga independente.

Rebatizada de Futebol Forte União, a FFU tem mais de 30 times associados. Foto: Divulgação/FFU

Uma reunião entre representantes dos 33 clubes vinculados ao Condomínio Futebol Forte União e a investidora Sports Media Entertainment tenta alinhar, desde a manhã dessa segunda-feira (24/8), reformas na convenção para que os times tenham mais protagonismo e o controle político e administrativo absoluto da entidade. A intenção é reduzir as prerrogativas do parceiro financeiro na FFU, o bloco econômico antagônico à Liga do Futebol Brasileiro (LiBRA).

Atlético-GO, Atlético-PR Botafogo, Fluminense, Internacional e Vasco abriram diálogo com Carlos Gamboa, fundador de um fundo gestor de recursos Life Capital Partners, controlador da Sports Media Entertainmet; e Bruno Pimenta, CEO da investidora da FFU.

Em tese, essa reestruturação elimina o poder de veto do investidor sobre decisões cotidianas, diminui quóruns de assembleia e garante aos times autonomia total para criar uma liga nacional independente em uma fusão com a LiBRA. Na prática, significa uma mudança estrutural que extinguirá o condomínio atual e transferirá todos os direitos comerciais de forma definitiva para as mãos dos próprios clubes. 

A principal alteração no sistema da governança ocorre na composição do Comitê Condominial. O órgão de gestão, que antes contava com cinco membros indicados pelos clubes e dois pelo investidor, passa a ser formado por seis indicados pelos clubes e apenas um pelo investidor. Com a maioria esmagadora de 6 x 1, os clubes também assumem, de maneira exclusiva, o monitoramento e a fiscalização diária dos trabalhos da Administradora e da Equipe Comercial. 

Além de fiscalizar, caberá unicamente aos clubes a escolha e a indicação dessas prestadoras de serviço para contratação, restando ao parceiro financeiro apenas uma manifestação opinativa e sem poder de veto (não vinculante). 

Se antes a substituição dessas empresas exigia justificativas complexas ou procedimentos de listas tríplices controladas pelo investidor, sob as novas regras os clubes podem decidir pela troca a qualquer momento e independentemente de justa causa.

A agilidade das decisões coletivas na Assembleia Geral também pode ganhar um reforço de peso com a redução do quórum qualificado, que despencaria de 90% para 75% das partes ideais para aprovação de matérias importantes. 

Essa mudança desata nós históricos e impede que o investidor trave decisões cotidianas, uma vez que também devem ser suprimidas as exigências do voto favorável para a aprovação de contas, indicação de signatários ou movimentações financeiras nas contas do Condomínio FFU. 

Para garantir que o controle político acompanhe a realidade financeira do negócio, a reforma introduz uma regra de saída automática: se a participação do investidor no condomínio encolher para 10% ou menos, todas as prerrogativas políticas e direitos de voto especial serão revogados na hora.

No campo patrimonial, os clubes garantiriam uma blindagem essencial ao eliminar completamente a cláusula que concedia ao parceiro financeiro o direito de opção de compra de partes ideais de suas propriedades físicas, tais como centros de treinamento e estádios. 


Como é x Como pode ficar na Reforma da FFU

TemaComo Era (Redação Anterior)Como Fica (Reforma Proposta)Impacto Prático
GovernançaComitê de 7 membros: 5 indicados pelos clubes e 2 pelo investidor.Comitê de 7 membros: 6 indicados pelos clubes e apenas 1 pelo investidor.Clubes passam a ter maioria absoluta (6×1) nas decisões do comitê de gestão.
MonitoramentoSupervisão diária da Administradora e Equipe Comercial era exclusividade do investidor.Supervisão diária passa a ser atribuição exclusiva dos membros indicados pelos clubes.Os clubes assumem o controle operacional direto sobre quem gere as finanças e o marketing comercial.
EscolhasIndicação exclusiva do investidor, com burocracia de lista tríplice controlada por ele para trocas.Indicação feita pelos clubes (investidor tem parecer opinativo). Substituição permitida sem justa causa.Fim da dependência de listas do investidor. Clubes podem trocar a gestão comercial e financeira livremente.
QuórumExigência de 90% de aprovação das partes ideais para deliberações cruciais em assembleia.Redução do quórum de aprovação para 75% das partes ideais.Maior flexibilidade e agilidade para aprovar matérias cruciais, reduzindo o peso do voto do investidor.
Vetos e ContasExigência de voto afirmativo do investidor para abertura de contas, signatários e recomendações.Eliminação de qualquer veto ou necessidade de voto afirmativo do investidor nas decisões internas.Fim dos travamentos nas movimentações da Conta Centralizadora e na rotina financeira do condomínio.
GatilhoRedução da fatia do investidor mantinha prerrogativas, apenas reajustando quórum para 80%.Se a participação do investidor for igual ou menor que 10%, ele perde automaticamente todos os seus direitos políticos.O poder político do investidor fica estritamente condicionado ao seu tamanho financeiro no negócio.
Campos de JogoInvestidor tinha opção de compra de parcelas dos estádios/CTs dos clubes em caso de criação de Liga.Supressão integral da opção de compra sobre as propriedades físicas dos clubes.Blindagem jurídica e patrimonial dos ativos imobiliários (estádios/campos) de cada clube.
Liga e ExtinçãoDireitos comerciais da Liga deviam pertencer com exclusividade ao condomínio comercial.Decisão de criar a Liga é 100% autônoma dos clubes. Criação da Liga extingue o condomínio e reverte as receitas comercializadas para ela.Autonomia plena para o futebol brasileiro se organizar e reter todas as receitas comerciais sob governança própria.