Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 5 min de leitura
FFU: times articulam reformas por controle total do bloco econômico
Mudança na convenção busca zerar poder de veto do investidor, alterar a composição do comitê de gestão para 6 x 1 e dar autonomia total aos times para a criação de uma liga independente.
Uma reunião entre representantes dos 33 clubes vinculados ao Condomínio Futebol Forte União e a investidora Sports Media Entertainment tenta alinhar, desde a manhã dessa segunda-feira (24/8), reformas na convenção para que os times tenham mais protagonismo e o controle político e administrativo absoluto da entidade. A intenção é reduzir as prerrogativas do parceiro financeiro na FFU, o bloco econômico antagônico à Liga do Futebol Brasileiro (LiBRA).
Atlético-GO, Atlético-PR Botafogo, Fluminense, Internacional e Vasco abriram diálogo com Carlos Gamboa, fundador de um fundo gestor de recursos Life Capital Partners, controlador da Sports Media Entertainmet; e Bruno Pimenta, CEO da investidora da FFU.
Em tese, essa reestruturação elimina o poder de veto do investidor sobre decisões cotidianas, diminui quóruns de assembleia e garante aos times autonomia total para criar uma liga nacional independente em uma fusão com a LiBRA. Na prática, significa uma mudança estrutural que extinguirá o condomínio atual e transferirá todos os direitos comerciais de forma definitiva para as mãos dos próprios clubes.
A principal alteração no sistema da governança ocorre na composição do Comitê Condominial. O órgão de gestão, que antes contava com cinco membros indicados pelos clubes e dois pelo investidor, passa a ser formado por seis indicados pelos clubes e apenas um pelo investidor. Com a maioria esmagadora de 6 x 1, os clubes também assumem, de maneira exclusiva, o monitoramento e a fiscalização diária dos trabalhos da Administradora e da Equipe Comercial.
Além de fiscalizar, caberá unicamente aos clubes a escolha e a indicação dessas prestadoras de serviço para contratação, restando ao parceiro financeiro apenas uma manifestação opinativa e sem poder de veto (não vinculante).
Se antes a substituição dessas empresas exigia justificativas complexas ou procedimentos de listas tríplices controladas pelo investidor, sob as novas regras os clubes podem decidir pela troca a qualquer momento e independentemente de justa causa.
A agilidade das decisões coletivas na Assembleia Geral também pode ganhar um reforço de peso com a redução do quórum qualificado, que despencaria de 90% para 75% das partes ideais para aprovação de matérias importantes.
Essa mudança desata nós históricos e impede que o investidor trave decisões cotidianas, uma vez que também devem ser suprimidas as exigências do voto favorável para a aprovação de contas, indicação de signatários ou movimentações financeiras nas contas do Condomínio FFU.
Para garantir que o controle político acompanhe a realidade financeira do negócio, a reforma introduz uma regra de saída automática: se a participação do investidor no condomínio encolher para 10% ou menos, todas as prerrogativas políticas e direitos de voto especial serão revogados na hora.
No campo patrimonial, os clubes garantiriam uma blindagem essencial ao eliminar completamente a cláusula que concedia ao parceiro financeiro o direito de opção de compra de partes ideais de suas propriedades físicas, tais como centros de treinamento e estádios.
Como é x Como pode ficar na Reforma da FFU
| Tema | Como Era (Redação Anterior) | Como Fica (Reforma Proposta) | Impacto Prático |
|---|---|---|---|
| Governança | Comitê de 7 membros: 5 indicados pelos clubes e 2 pelo investidor. | Comitê de 7 membros: 6 indicados pelos clubes e apenas 1 pelo investidor. | Clubes passam a ter maioria absoluta (6×1) nas decisões do comitê de gestão. |
| Monitoramento | Supervisão diária da Administradora e Equipe Comercial era exclusividade do investidor. | Supervisão diária passa a ser atribuição exclusiva dos membros indicados pelos clubes. | Os clubes assumem o controle operacional direto sobre quem gere as finanças e o marketing comercial. |
| Escolhas | Indicação exclusiva do investidor, com burocracia de lista tríplice controlada por ele para trocas. | Indicação feita pelos clubes (investidor tem parecer opinativo). Substituição permitida sem justa causa. | Fim da dependência de listas do investidor. Clubes podem trocar a gestão comercial e financeira livremente. |
| Quórum | Exigência de 90% de aprovação das partes ideais para deliberações cruciais em assembleia. | Redução do quórum de aprovação para 75% das partes ideais. | Maior flexibilidade e agilidade para aprovar matérias cruciais, reduzindo o peso do voto do investidor. |
| Vetos e Contas | Exigência de voto afirmativo do investidor para abertura de contas, signatários e recomendações. | Eliminação de qualquer veto ou necessidade de voto afirmativo do investidor nas decisões internas. | Fim dos travamentos nas movimentações da Conta Centralizadora e na rotina financeira do condomínio. |
| Gatilho | Redução da fatia do investidor mantinha prerrogativas, apenas reajustando quórum para 80%. | Se a participação do investidor for igual ou menor que 10%, ele perde automaticamente todos os seus direitos políticos. | O poder político do investidor fica estritamente condicionado ao seu tamanho financeiro no negócio. |
| Campos de Jogo | Investidor tinha opção de compra de parcelas dos estádios/CTs dos clubes em caso de criação de Liga. | Supressão integral da opção de compra sobre as propriedades físicas dos clubes. | Blindagem jurídica e patrimonial dos ativos imobiliários (estádios/campos) de cada clube. |
| Liga e Extinção | Direitos comerciais da Liga deviam pertencer com exclusividade ao condomínio comercial. | Decisão de criar a Liga é 100% autônoma dos clubes. Criação da Liga extingue o condomínio e reverte as receitas comercializadas para ela. | Autonomia plena para o futebol brasileiro se organizar e reter todas as receitas comerciais sob governança própria. |