Blog Drible de Corpo

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Marcos Paulo Lima

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O que as emissoras disseram ao Cade sobre a venda do Brasileirão

Globo, Record, CazéTV e outras redes e plataformas apontam ganho de concorrência e valorização do torneio no teste de mercado realizado pelo órgão antitruste

O Cade questionou as emissoras sobre as divisões dos direitos de tevê. Foto: AFP

A negociação coletiva dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro reduziu a concentração de mercado e ampliou o acesso de novos compradores à competição. Essa é a avaliação apresentada por emissoras e plataformas de streaming ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no teste de mercado realizado para analisar a operação envolvendo o Futebol Forte União (FFU), o Condomínio Futebol Forte União (CFU) e a Sports Media Entertainment (SME).

Nas manifestações enviadas ao órgão antitruste, veículos como Globo, Record, RedeTV! e CazéTV defenderam que a venda em blocos valoriza o Brasileirão como produto e fortalece o amGlobo, Record, CazéTV e outras redes apontam ganho de concorrência e valorização do torneio no teste de mercadobiente concorrencial.

O impacto mais direto desse modelo foi sentido pelas próprias compradoras dos direitos. A Record destacou ao Cade que a negociação coletiva possibilitou a reentrada na Série A após anos afastada, de maneira independente de conversas com a Libra.

A CazéTV pontuou que o modelo diminuiu a concentração do setor e que, sem ele, novas plataformas digitais teriam enfrentado barreiras muito maiores para montar uma transmissão de alcance nacional.

A RedeTV! classificou os efeitos como altamente positivos para a concorrência. Para a Globo, a venda conjunta é o formato que mais contribui para valorizar o torneio no mercado.

Como resultado prático, os direitos do FFU/CFU foram distribuídos entre diferentes telas, alcançando a tevê aberta, a tevê por assinatura e o streaming via Globo, Record, Amazon e CazéTV/YouTube.

Ao todo, 13 empresas responderam às consultas do Cade. Embora o conceito da venda coletiva tenha sido bem recebido de forma geral, o andamento das conversas variou entre os blocos comercializadores.

Em relação à Libra, por exemplo, veículos como a Band relataram interlocuções apenas iniciais antes do fechamento do acordo do grupo com a Globo. Nenhuma das participantes alegou prática de cartel ou fechamento de mercado. As poucas ressalvas apresentadas trataram do formato dos pacotes — como prazo de vigência e exclusividade —, um padrão de discussão em grandes torneios internacionais, como a Premier League e a LaLiga.

Outras redes opinaram com ressalvas construtivas: o SBT destacou que os ganhos dependem da transparência e do desenho dos contratos. A ESPN citou a redução nos custos de negociação, mas ponderou sobre a dificuldade de adquirir partidas de forma isolada.

Posicionamentos das emissoras no Cade

  • Globo: Vê a venda coletiva como o melhor modelo para valorizar o Brasileirão comercialmente.
  • Record: Aponta impacto positivo, ampliação do acesso e destaca que o formato permitiu seu retorno à Série A.
  • CazéTV: Destaca a redução da concentração e avalia que o modelo foi fundamental para a entrada de plataformas digitais no mercado nacional.
  • RedeTV!: Classifica o impacto como altamente positivo e destaca a desconcentração provocada pela venda em blocos.
  • Band: É favorável à venda coletiva, desde que haja diversidade de pacotes e concorrência real (sem ter identificado impacto negativo concreto).
  • SBT: Reconhece ganhos de escala, mas pondera que a efetividade depende da transparência, prazos de contrato e limites de exclusividade.
  • ESPN: Aponta redução de custos operacionais nas conversas, mas nota que a unificação dos direitos dificulta a compra individual de jogos.