Bonamigo celebra título nos Emirados Árabes Unios: agora ele quer a Taça GB. Foto: AFP
Vinte e nove de janeiro de 2006. Estádio dos Barreiros, Ilha da Madeira. Vigésima rodada do Campeonato Português. Um jovem técnico brasileiro de 45 anos tem a missão de evitar o rebaixamento do Marítimo para a segunda divisão. “Assumi o time na zona de rebaixamento”, lembra em entrevista por telefone ao blog o ex-jogador Paulo Afonso Bonamigo, campeão da Libertadores e da Copa Intercontinental pelo Grêmio, em 1983. Do outro lado, à frente do União Leiria, estava Jorge Jesus, técnico do Flamengo na decisão da Taça Guanabara contra o Boavista, às 18h, no Maracanã. Com uma exibição em outro patamar, Bonamigo colocou o Mister no bolso.
O Marítimo venceu o União Leiria por 3 x 0. Um gol do brasileiro Kanú e dois de Zé Carlos, o “Zé do Gol”, aniquilaram o União Leiria em 60 minutos de jogo. Nos outros 30, Bonamigo saboreou o triunfo. Questionado sobre aquela exibição de gala, o treinador do Boavista esquivou-se o tempo inteiro. “Rapaz, isso faz muito tempo. São 14 anos. Não lembro de mais nada”, riu o carrasco de Jorge Jesus.
A alternativa foi refrescar a memória de Bonamigo. Um dos trunfos do treinador no duelo tático com o português foi o sistema de jogo. Ele formatou o Marítimo no 3-5-2. A outra carta na manga era a quantidade de brasileiros na escalação inicial: oito. As exceções eram os lusitanos Briguel e Nuno Morais e o holandês Van der Gaag. Nem assim Bonamigo evoluiu na conversa. “É, deve ter sido isso mesmo. Rapaz, faz muito tempo”, driblou.
Bonamigo conhece bem o futebol português. Comandou o Marítimo em 21 dos 38 jogos na temporada de 2005/2006 da liga nacional. Evoluiu muito em duelos táticos contra os holandeses Ronald Koeman e Co Adriaanse; e os lusitanos Jorge Jesus, Jesualdo Ferreira e Paulo Bento. “O nível era altíssimo naquela época”, atesta o técnico.
“Vamos deixar o português quieto, depois ele acha de ligar aquela supermáquina que tem nas mãos e vai complicar para mim. Ele é um grande treinador, essa troca de conhecimento tem sido muito importante tanto para ele quanto para nós, brasileiros. Aprendi muito nos confrontos com eles em Portugal”
Conversa vai e vem, Bonamigo segue na defensiva. Arrisca sair jogando para falar sobre o duelo de 2006 com Jorge Jesus, mas logo recua. “Vamos deixar o português quieto, depois ele acha de ligar aquela supermáquina que tem nas mãos e vai complicar para mim. Ele é um grande treinador, essa troca de conhecimento tem sido muito importante tanto para ele quanto para nós, brasileiros. Aprendi muito nos confrontos com eles em Portugal”, admite.
O técnico do Boavista tem cinco título no currículo. No Brasil, foi campeão maranhense pelo Sampaio Corrêa (2000), paranaense com o Coritiba (2003); cearense à frente do Fortaleza (2007). Na longa passagem pelo mercado árabe, brindou o Al-Shabab com duas conquistas nos Emirados Árabes Unidos. Ganhou a Copa do Golfo e a Etisalat Cup, ambas nos Emirados Árabes Unidos. Jorge Jesus tem a chance de faturar o vigésimo — o quarto à frente do Flamengo. Antes, ganhou o Brasileirão e a Libertadores no ano passado, e a Supercopa no domingo.
Em vez cutucar Jorge Jesus com vara curta, Bonamigo escolhe elogiar o trabalho do colega de profissão. “Nós vamos enfrentar o grande clube do mundo hoje. O Flamengo não é só nível nacional. É de nível internacional. Decisão sempre tem situações peculiares, mas temos de trabalhar em cima da eficiência”, prega o algoz do Mister.
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