Temporada de Hulk lembra Adriano de 2009 na artilharia, título, idolatria e risco de não ir à Copa

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Tenho as minhas restrições ao Hulk na Seleção. Esperava mais dele nos Jogos Olímpicos de Londres-2012, quando foi, ao lado do lateral-esquerdo Marcelo e do zagueiro Thiago Silva, um dos jogadores acima dos 23 anos escolhidos à época pelo técnico Mano Menezes. Decepcionou, também, na Copa do Mundo de 2014. O sistema tático de Luiz Felipe Scolari sacrificava demais o talento dele para facilitar as vidas de Fred e, principalmente, de Neymar. Perdeu pênalti, no Mineirão, nas oitavas de final contra o Chile e quase colocou tudo a perder. Foi salvo pelo goleiro Julio Cesar. Mas é inegável a contribuição do atacante de 35 anos para o ano mágico do Atlético-MG. Simplesmente brilhante. Sensacional. Tiro meu chapéu.

O desempenho de Hulk lembra o que fez Adriano no Flamengo, em 2019. Ambos mudaram a sorte dos respectivos clubes na temporada. Um retornando da Itália e outro, da China. Mais do que arrumar as equipes, tornaram-se as principais munições no ataque aos adversários.

Quer mais coincidências?

O Imperador levou o time rubro-negro ao título com 19 gols. Foi um dos artilheiros ao lado de Diego Tardelli. Hulk tem 19 bolas na rede. O goleador isolado do campeonato pode ampliar a marca na última rodada contra o Grêmio, na Arena, em Porto Alegre.

O Flamengo era um sem Adriano. Virou outro com ele. O Galo era um sem Hulk. É outro com ele. Há mais denominadores comuns. Um deles, a força física. O ex-camisa 10 da Gávea sobrava. Fez gols inesquecíveis na campanha que tirou o time rubro-negro da fila de 17 anos. Alguns deles com chutes indefensáveis de meia e longa distância com a perna canhota.

19 gols tem Hulk, artilheiro do Brasileirão 2021 e símbolo da conquista do Atlético-MG. Adriano também marcou 19 vezes na campanha que levou o Flamengo ao título de 2009. Fortes fisicamente, canhotos, goleadores e protagonistas nas conquistas alvinegra e rubro-negra

Hulk também deixou obras-primas nas redes dos adversários nesta edição. Gols dignos de aplaudir de pé e levá-lo à Copa do Mundo. Aqui, há possibilidade de outra coincidência — essa triste — entre os dois craques. O sucesso em 2009 não levou Adriano à África do Sul em 2010. A temporada quase perfeita de Hulk pode deixá-lo fora do Catar em 2022.

Nesse ponto é necessário separar o joio do trigo. Dunga não convocou Adriano para a Copa de 2010 por causa de questões disciplinares. Ele fez parte do grupo até o último amistoso antes do anúncio da lista final. Vestiu a camisa 9 na vitória por 2 x 0 contra a Irlanda. A poucos dias da convocação, uma visita do auxiliar-técnico Jorginho à Gávea detectou problemas disciplinares do Imperador e fez com que Dunga desistisse dele. Artilheiro do Alemão, Grafite levou a vaga. Goleador do Brasileirão, Adriano viu a Copa do sofá.

Ao contrário de Adriano, Hulk não tem problemas disciplinares no Atlético-MG. Até onde se sabe, o comportamento do atacante é exemplar. A questão é outra. Ele até foi convocado por Tite em outubro, mas não faz parte do grupo. Embora seja o melhor jogador do país em 2021, está longe de ser plano A, B ou C de Tite para a próxima temporada. Curiosamente, a posição de centroavante é carente, hoje, na Seleção. Hulk atuou nessa função na maior parte da incontestável campanha alvinegra, mas não parece interessar tanto ao Tite.

Hulk e Adriano. Dois atacantes fortes, canhotos, goleadores, decisivos para os títulos do Atlético-MG em 2021 e do Flamengo em 2009, respectivamente, mas unidos por uma possibilidade em comum: ficar fora da Copa depois de um ano encantado no futebol brasileiro. Para sorte do Hulk, o Mundial do Catar só começa em 21 de novembro de 2022, ou seja, ele terá pelo menos mais 10 meses até lá para conquistar o coração do Tite.

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Marcos Paulo Lima

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