Rodolfo Landim durante visita ao presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto
A excelente fase de Flamengo e Athletico-PR é capaz de unir as massas pelo sonho unânime de novos títulos, como o da Supercopa do Brasil, neste domingo, às 11h, no Mané Garrincha, em Brasília, mas as relações institucionais dos dois clubes conseguem transformá-las em um retrato do momento político do país. As duas diretorias rubro-negras são próximas do presidente Jair Bolsonaro. Há quem ame e odeie. A aproximação não dos jogadores dos dois times, mas dos cartolas, inclui manifestações de apoio ao então candidato nas eleições de 2018 por parte do Furacão; e a entrega de agasalho da equipe carioca ao presidente da China, Xi Jinping, em novembro do ano passado, no Grande Palácio do Povo, em Pequim.
Finalista da Supercopa por ser o atual campeão brasileiro, o Flamengo viu o palmeirense Bolsonaro se aproximar aos poucos do clube. No auge da tentativa de conquistar a “nação” de 40 milhões de torcedores, disse a Xi Jinping: “É o melhor time do Brasil no momento”. Acrescentou que 1,3 bilhão de chineses torceriam pelo clube carioca na final da Libertadores. A diretoria nega ter enviado a encomenda pelo chefe de Estado.
Bolsonaro ousou até uma profecia durante a inauguração de um complexo habitacional em Campina Grande, na Paraíba. Previu a conquista do título sul-americano com gol de Gabriel Barbosa. O camisa 9 marcou os dois gols da virada no bi, em Lima, no Peru. Houve até rumor de que a diretoria havia convidado Bolsonaro para o jogo. A cúpula negou.
O time da moda vira peça publicitária gratuita nas mãos do presidente. Um ano depois de entregar a taça do Brasileirão ao Palmeiras, seu clube do coração, no gramado do Allianz Parque, Bolsonaro foi ao Mané Garrincha com Sergio Moro. Embora o ministro da Justiça seja torcedor do Athletico-PR, ambos surgiram vestidos de Flamengo no Mané para torcer pelo líder do Brasileirão contra o CSA.
O presidente explora a boa fase do Flamengo, e a cúpula do clube aceita a aproximação. Habilisoso politicamente desde os tempos de Petrobras, o mandatário Rodolfo Landim foi recebido pelo presidente em novembro do ano passado, no Palácio do Planalto, com anúncio na agenda oficial. O convite partiu de Bolsonaro. Ele soube que o cartola estaria na capital para tratar do apoio do Banco de Brasília (BRB) ao basquete e o chamou para almoçar com ele. Landim deu uma camisa do Flamengo.
O diretor de Relações Institucionais e Governamentais do Flamengo, Aleksander Santos, é quem faz lobby em Brasília. Articulou o patrocínio de R$ 2,5 milhões do BRB ao basquete rubro-negro e transita com facilidade pelos gabinetes do governador rubro-negro do DF, Ibaneis Rocha, e do presidente Bolsonaro entregando mimos. Antes do jogo contra o CSA, deu camisas no Palácio do Planalto.
O aniversário de 124 anos do clube teve comemoração na Câmara dos Deputados em 2019. Amigo da família Bolsonaro, o deputado rubro-negro Helio Lopes (PSL-RJ) propôs o agrado. Landim esteve no plenário. Helio Lopes é aquele que desejava audiência pública para questionar a CBF sobre um lance polêmico contra o Athletico-PR. Reclamava da não utilização do VAR num pênalti.
O link com o governo Bolsonaro tem resistências na torcida. Uma deles é o Movimento Flamengo da Gente. Eles questionam a proximidade com políticos. Uma das críticas dizia respeito a uma imagem em que Marcos Braz e Aleksander Santos apareciam ao lado de Jair Bolsonaro e Sergio Moro, no Mané.
O Flamengo também tem trânsito livre no GDF. Os clubes de futebol da cidade e o Universo, representante da capital no NBB, têm ciúmes dos investimentos no basquete do time da Gávea. O blog apurou que Aleksander Santos faz o meio de campo com o governador Ibaneis Rocha, o secretário de Esportes, Leandro Cruz, e executivos do BRB. O time até manda jogos do NBB no DF.
Finalista da Supercopa por ser o atual campeão da Copa do Brasil, o Athletico-PR teve o presidente do Conselho Deliberativo, Mário Celso Petraglia, como um dos cabos eleitorais do então candidato a presidente Jair Bolsonaro e não fez questão de separar a ideologia pessoal da instituição Clube Athletico Paranaense.
Durante a corrida presidencial ao Palácio do Planalto, o Furacão entrou em campo duas vezes com a terceira camisa, amarela, em alusão à cor da campanha de Bolsonaro. Foi assim contra o América-MG e o Botafogo — este último na véspera do segundo turno contra o petista Fernando Hadad. Uma faixa na Arena da Baixada dizia: “Vamos Todos Juntos por Amor ao Brasil”. Os jogadores pisaram no gramado com camisas amarelas. O zagueiro Paulo André se recusou a exibi-la e colocou uma jaqueta por cima da blusa.
Paulo André foi um dos jogadores à época que assinaram o manifesto Democracia Sim numa lista de 332 personsalidades do país e argumentou: “É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”. Apesar de desafiar Petraglia, o ex-jogador é diretor de futebol do Athletico-PR.
O primeiro ato político do Athletico-PR pró-Bolsonaro foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Houve multa de R$ 700 mil. Na época, o clube pediu autorização à CBF, mas a entidade máxima do futebol brasileiro negou. “O Atlético-PR deveria ter precaução. O pedido foi indeferido. Entendo por condenar por descumprir um ofício da CBF”, explicou o auditor Eduardo de Mello à época. “Temos que ter em mente que pessoas estão morrendo por questões políticas. Não posso entender que aquela manifestação política é boa e correta”, completou o auditor José Nascimento no julgamento.
Em uma das raras manifestações sobre o apoio a Bolsonaro, Petraglia justificou a opção nas eleições de 2018. “Nossa posição e demonstração de apoio pelo projeto vencedor foi com um único objetivo: termos o melhor para o nosso Brasil”, escreveu no Facebook.
Promotora da Supercopa do Brasil, a CBF mantém relações amistosas com a Presidência da República. Em 2019, o secretário-geral da entidade, Walter Feldman, recebeu do presidente Jair Bolsonaro uma placa e um diploma pelas “eméritas conquistas e contribuições ao futebol brasileiro”. Retribuiu com uma camisa da Seleção na comemoração do Dia Nacional do Futebol na Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania.
“É um dia histórico e simbólico. É a primeira vez que o governo, como um todo, homenageia instituições que comandam o futebol brasileiro, particularmente a CBF. Um tratamento exemplar, respeitoso e reconhecedor de tudo aquilo que foi feito. Isso mostra que a boa relação institucional pode fazer tudo para que o futebol brasileiro seja cada vez maior”, discursou Walter Feldman.
Recém-eleito presidente da CBF, Rogério Caboclo conseguiu, em pouco tempo, o que os antecessores mais desejavam: acesso livre ao Planalto. Dois dias depois do triunfo no pleito da CBF, Caboclo almoçava com Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Antes do Mundial Sub-17 no Brasil, abriu as portas para o chefão da Fifa, Gianni Infantino, convencer Bolsonaro a dar apoio governamental ao evento realizado no ano passado, em Brasília, Goiânia e Cariacica, no Espírito Santo. Bolsonaro esteve duas vezes no Bezerrão acompanhando a competição da entidade máxima do futebol.
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