Da colorada-atleticana ao tricolor não praticante: o time do presidente em exercício Michel Temer

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Presidente da República costuma ter seu clube do coração, mas o interino Michel Temer faz de tudo para manter a discrição. Esconde a sete chaves. O paulista de Tietê não é de assumir publicamente a preferência. Na noite da última quarta-feira, no entanto, há quem diga que, em meio à sessão do impeachment no senado, Temer buscava informações, no Palácio do Jaburu, sobre o resultado da partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores da América, entre São Paulo e Atlético-MG.

Embora se declare “sem time”, uma fonte próxima a Michel Temer garante que o presidente em exercício é um torcedor são-paulino não praticante. Quando o assunto é futebol, Temer mantém a linha discreta de Dilma Rousseff e de Fernando Henrique Cardoso. Só toca no assunto quando é necessário. Na Copa de 2014, por exemplo, deu palpite sobre a Seleção Brasileira depois da lesão que tirou Neymar da competição. “Além do apoio da torcida, nossos craques vão jogar (na semifinal) com mais garra para compensar a ausência de Neymar. Aposto em Brasil 2 x 1 Alemanha”, disse na véspera do atropelamento germânico por 7 x 1.

Torcedora do Internacional, Dilma Rousseff também procurava falar de futebol somente quando necessário. Em 2013, também deixou escapar sua paixão pelo Atlético-MG ao falar de improviso sobre o título inédito do Galo na Libertadores em cima do Olimpia, do Paraguai. “O Brasil acordou alvinegro com o título do meu querido Clube Atlético Mineiro de campeão da Taça Libertadores. Aprendi a gostar de futebol indo, ainda criança, ao estádio do Mineirão assistir aos jogos do Atlético”, disse Dilma.

Corintianos, Fernando Henrique Cardoso — também Fluminense — e Luiz Inácio Lula da Silva tinham posturas diferentes. FHC praticamente não falava de futebol, mas ele e Itamar Franco tiveram sorte. Os últimos dois títulos do Brasil na Copa do Mundo (1994 e 2002) foram em suas gestões.

De todos os presidentes recentes do Brasil, ninguém falou mais de futebol do que Lula. De 2003 a 2010, ele sempre adorou usar metáforas da bola, principalmente, nos discursos improvisados. Em um deles, falou até demais. Disse o que queria sobre o peso de Ronaldo na Copa do Mundo de 2006 e ouviu o que não queria na resposta do Fenômeno. “Fui informado de que era terminantemente proibido fazer perguntas para ele, mas eu tinha muitas perguntas para fazer. Ele disse que eu sou gordo, como todo mundo diz que ele bebe para caramba. Tanto é mentira que eu estou gordo como deve ser mentira que ele bebe para caramba”.

* Colaborou Paulo De Tarso Lyra, repórter e colunista de política do Correio Braziliense

MEMÓRIA

O time do coração deles…

Presidente Clube
Michel Temer São Paulo
Dilma Rousseff Internacional e Atlético-MG
Luiz Inácio Lula da Silva Corinthians
Fernando Henrique Cardoso Corinthians e Fluminense
Itamar Franco Juiz de Fora
Fernando Collor de Mello CSA
José Sarney Sampaio Corrêa e Flamengo
Tancredo Neves América-MG
João Figueiredo Fluminense e Grêmio
Ernesto Geisel Botafogo
Emílio Garrastazu Médici Grêmio e Flamengo
João Goulart Grêmio e Vasco
Jânio Quadros Corinthians
Juscelino Kubitschek Cruzeiro, América-MG e Vasco
Café Filho Alecrim
Getúlio Vargas Grêmio e Vasco
Eurico Gaspar Dutra Flamengo

Marcos Paulo Lima

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