Renato, não dá para o Grêmio ganhar o Gaúcho e passear na Libertadores

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Na temporada de 2008, o técnico Renato Gaúcho soltou uma daquelas frases prontas para virar meme a fim de justificar escolhas polêmicas de poupar o time titular do Fluminense no Campeonato Brasileiro e priorizar a campanha rumo à final do torneio continental.

“O Brasileiro está no início e quem está na frente não vai ganhar todas. Estou a cinco metros da Libertadores do ano que vem, enquanto os demais estão a cinco mil metros. Então, para que vou correr cinco mil metros? Deixa o Fluminense vencer a Libertadores que, depois, vamos brincar no Brasileiro”, disparou  Renato à época.

Esse costuma ser o espírito de Renato Gaúcho na escolha entre as prioridades. Final do Gaúcho ou a fase de grupos da Libertadores? Ele preferiu ter força máxima nos dois jogos contra o Juventude e perdeu seis pontos em dois duelos na largada da Libertadores. Os resultados contra The Strongest, em La Paz, e Huachipato nesta terça-feira, na Arena (assista aos melhores momentos no fim do post), podem custar caro ao planejamento do Grêmio. Os próximos dois jogos serão fora de Porto Alegre contra o Estudiantes e novamente o Huachipato. Se não vencer, há risco de receber o Estudiantes e o The Strongest com a eliminação encaminhada.

Renato Gaúcho trocou cinco peças em relação ao time usado na conquista do hepta gaúcho no fim de semana. Aparentemente, exagerou na dose ou foi prepotente ao menosprezar o time chileno. Na zaga, saíram o goleiro Caíque e Kannemann para as entradas de Marchesin e Rodrigo Ely. No meio de campo, só manteve Villasanti. Ele optou por Everton Galdino e Du Queiroz no começo do jogo e poupou Pepê. No ataque, em vez de Pavón e Gustavo Nunes, deslocou Cristaldo do meio para a ponta e adicionou Soteldo ao lado de Diego Costa.

Não tinha tudo para dar errado, mas deu por um motivo simples: o conjunto do Huachipato, a média de idade 25 anos do adversário, a falta de entrosamento da formação alternativa usada por Renato Gaúcho e opções abaixo do padrão da formação principal. Rodrigo Ely, Du Queiroz e Everton Galdino não entregam a mesma qualidade de quem substituíram. O padrão cai muito.

Em vez de passear na fase de grupos da Libertadores depois da conquista do Gaúcho contra o Juventude, o Grêmio terá de conquistar 10 pontos em 12 a disputar daqui em diante. A margem de erro é mínima. Na prática, três vitórias e um empate. Dramático levando-se em conta o início do Campeonato Brasileiro e a estreia na Copa do Brasil. Renato Gaúcho se atrapalhou na conciliação do Gaúcho com a Libertadores. Impossível negar: o momento é delicado.

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Marcos Paulo Lima

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