Aqui jaz o gramado em que jogaram Kaká e Cristiano Ronaldo: Bezerrão está impraticável
O fraco desempenho esportivo, a falta de calendário no segundo semestre deste ano, a possibilidade de disputar apenas o Candangão em 2023, uma falha contratual e o clima de eleições mandaram a principal demanda do Gama — a reconstrução do gramado do Bezerrão — para escanteio na lista de prioridades do Governo do Distrito Federal.
O blog apurou que o orçamento para a reconstrução do gramado do Bezerrão está nas mãos da Novacap. A obra custará R$ 3 milhões. O tamanho do prejuízo causado pela montagem de um hospital de campanha dentro das quatro linhas da segunda arena mais moderna do país — contrariando a ordem de erguê-la fora do estádio — assustou executivos da empresa. Resultado: a ordem de serviço é considerada supérfluo.
O blog apurou que o contrato do GDF com a empresa Paleta Engenharia e Construções, responsável pela instalação do hospital de campanha, previa o replantio do campo de jogo. No entanto, a previsão era de instalação da grama batatais — que não serve para o futebol. O modelo é usado no Distrito Federal para obras de urbanização. Arenas como o Bezerrão e o próprio Mané Garrincha usam a grama bermuda. Portanto, há total incompatibilidade.
Fora de série, o clube mais popular do DF está a três jogos de fechar as portas em 2022. Falta enfrentar Brasiliense, Ceilândia e Capital no segundo turno do quadrangular semifinal. Além de vencer as três partidas, o time depende de combinações de resultados para ir à final. Se for eliminado, não há mais nada a disputar nesta temporada.
O Gama não participará da Série D do Campeonato Brasileiro. Justamente por isso, não há pressa para a reforma do gramado do segundo estádio mais moderno do futebol candango. Na melhor das hipóteses, o campo, que também costuma receber partidas das séries A1 e A2 do Brasileirão feminino e outras modalidades, só voltará a funcionar em 2023.
Como revelou o blog no início deste ano, o gramado está impraticável ao futebol devido a um grave erro de logística na escolha do local de instalação do hospital de campanha lá atrás, no auge da pandemia. A ordem inicial era para que o ginásio ao lado da arena recebesse a estrutura. O Plano B foi construí-lo no estacionamento.
Durante o vaivém, descobriram que havia desnível no paralelepípedo da área externa. Sem ginásio e estacionamento, mandaram erguer a toque de caixa dentro das quatro linhas do Bezerrão. O hospital era necessário, óbvio, mas a escolha atabalhoada do local causou prejuízo três vezes maior do que o investimento feito pela Fifa no piso. A instalação ignorou o manual de instruções do gramado e danificou tudo.
Em 2019, a entidade máxima do futebol despejou R$ 1 milhão no gramado do Bezerrão. O tapete estava impecável no Mundial Sub-17. Os investimentos mais pesados se deram no reforço híbrido com grama sintética e na tubulação. A arena recebeu a maioria das partidas do torneio, inclusive a abertura, a decisão do terceiro lugar e a final vencida pelo Brasil. O serviço bancado pela Fifa ficou como legado para a principal sede da competição. Três anos depois, está totalmente danificado pelo entra e sai de caminhões, desconhecimento e estragos causados em peças fundamentais para o bom funcionamento do campo de jogo.
O orçamento de R$ 3 milhões recomenda retirar tudo o que resta do gramado anterior, drenagem, colchão drenante, irrigação e nova grama. Não há meio termo. É preciso refazer tudo. O tempo necessário para o serviço é de, no mínimo, cinco meses, ou seja, se começar em abril, o que é improvável, seria concluído em setembro. Talvez, a batalha por votos na corrida pelo Buriti acelere o processo para evitar desgastes com o sétimo colégio eleitoral mais relevante do DF. Há muita insatisfação com o fechamento do Bezerrão.
Em janeiro, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entrou em ação. O documento assinado pelo Procurador Distrital dos Direitos do Cidadão, José Eduardo Paes, requisitou a desativação completa da estrutura do hospital de campanha montada em março de 2021 na arena e alertou para as “condições precárias do gramado”, que impossibilitam a “utilização do espaço público, em especial da agremiação do Gama”, time da região administrativa. A estrutura foi retirada, mais o piso continua impraticável para o futebol.
Inaugurado em 19 de novembro de 2008 no badalado amistoso entre Brasil e Portugal com direito a duelo à parte entre Kaká e Cristiano Ronaldo, o Bezerrão recebeu também o jogo do tricampeonato do São Paulo naquele mesmo ano. A arena serviu de ponto de apoio para as seleções na Copa das Confederações 2013, Copa do Mundo 2014 e torneio de futebol nos Jogos Olímpicos do Rio-2016. Em 2019, abriu o Mundial Sub-17 da Fifa.
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