Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 2 min de leitura
Queda de Luís Castro expõe falta de convicção do Grêmio em um projeto
Mudanças constantes no comando técnico escancaram a ausência de planejamento no futebol do clube, que volta a se apegar a ídolos do passado em momentos de crise
O Grêmio demitiu o técnico português Luis Castro neste domingo depois da derrota de sábado por 2 x 1 para o Vasco na Arena, em Porto Alegre. A questão tricolor não é trocar de treinador como quem muda de roupa, mas estabelecer de uma vez por todas qual é o projeto do clube. As escolhas aleatórias mostram um departamento futebol perdido.
Ídolo como jogador e técnico, Renato Gaúcho deixou o Grêmio em 2024. A torcida tricolor conhece muito bem o estilo do Portaluppi. A questão é o desconhecimento de quem veio depois dele e o incrível choque cultural das ideias dos escolhidos com a história do clube.
Gustavo Quinteros parecia oferecer o combo desejado pelo Grêmio, mas desiludiu a cúpula em quatro meses. Lá estava o Grêmio novamente no mercado à procura de um treinador.
O escolhido foi Mano Menezes. Resultado de uma memória afetiva da Batalha dos Aflitos e do vice na Libertadores de 2007. A união do útil, o diretor Luiz Felipe Scolari, ao agradável, um dos profissionais históricos na galeria dos técnicos do Grêmio. Deu certo? Não!
A guinada foi voltar a mirar em um dono da prancheta estrangeiro. O cavalo de pau do Grêmio mirou em Luís Castro. As lembranças do trabalho dele no Botafogo levaram o clube a buscá-lo na Arábia Saudita para um projeto em longo prazo que durou apenas nove meses.
Nem mesmo a classificação nas quartas de final da Copa do Brasil contra o Internacional blindou o lusitano. O mundo deu voltas e o Grêmio mais uma vez irá ao mercado em busco do óbvio ululante: Luiz Felipe Scolari interino até a oficialização de Renato Gaúcho. Se não fosse ele, o clube buscaria Tite e até mesmo Valdir Espinosa se estivesse vivo.
A iminente volta de Renato Gaúcho é o resultado de um Grêmio que andou em círculo e de um futebol brasileiro refém do “sebastianismo”. Em tempos de crise, os clubes procuram aquele super-herói que voltará para salvá-los do perigo e reestabelecer a ordem. Um vício.