Quando o Brasil se dava ao luxo de fazer como a Alemanha: laboratório na Copa das Confederações

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Houve um tempo em que o Brasil se dava o luxo de fazer como a Alemanha: abria mão de titulares e reservas da seleção principal e disputava a Copa das Confederações com um elenco C. Vanderlei Luxemburgo usou a edição de 1999 do torneio para formar o time que disputaria os Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Emerson Leão transformou a versão de 2001 em laboratório para a Copa de 2002. Há uma diferença. Adoramos elogiar o trabalho de formação e de renovação dos outros, principalmente dos concorrentes europeus, mas não temos o mínimo de paciência com o nosso processo. Luxemburgo e Leão não foram campeões e se deram mal. Dificilmente Joachim Löw perderá o emprego em caso de derrota para o Chile na final de domingo, em São Petersburgo. O motivo é simples: há respeito ao trabalho planejado desenvolvido a longo prazo.

Em 1999, Luxemburgo havia conquistado a Copa América, no Paraguai. Na sequência, abriu mão de Rivaldo, Ronaldo, Cafu, Roberto Carlos, e aproveitou a Copa das Confederações de 1999, no México, para testar jogadores com idade olímpica. Ronaldinho Gaúcho, Alex, Luiz Alberto, Marcos Paulo, Athirson, Roni e Warley foram algumas das apostas. A média de idade do elenco era de 23,4 anos. O grupo era quase um ano mais jovem do que a Alemanha de Joachim Löw, que tem 24 na Copa das Confederações de 2017. O Brasil perdeu o título para o México. O laboratório explodiu. Mas aquele trabalho rendeu três campeões mundiais na Copa do Mundo de 2002 — o goleiro Dida, o meia Ronaldinho Gaúcho, eleito duas vezes melhor do mundo, em 2004 e em 2005, e o volante Vampeta.

Vanderlei Luxemburgo não foi demitido por causa do vice na Copa das Confederações. Estava com crédito depois da conquista da Copa América. NaE 2000, ganhou o Pré-Olímpico em Londrina. No entanto, o fracasso nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de 2000 minou definitivamente um treinador fragilizado por problemas extracampo.

23,4 anos era a média de idade do Brasil na Copa das Confederações de 1999. Alemanha, de Joachim Löw, tem 24 em 2017

Emerson Leão sucedeu Luxemburgo. Após um acordo com a CBF, levou à Coreia do Sul e ao Japão um elenco a ser observado para a Copa América e as Eliminatórias para a Copa de 2002. O volante Leomar, do Sport, virou símbolo da convocação. O Brasil chegou às semifinais, perdeu para a França e foi derrotado pela Austrália na decisão do terceiro lugar.

O então presidente Ricardo Teixeira, que havia topado a realização do laboratório, mandou o coordenador Antônio Lopes demitir Emerson Leão no aeroporto e contratou Luiz Felipe Scolari. O elenco observado por Emerson Leão também colocou na vitrine dois jogadores que seriam pentacampeões em 2002: os zagueiros Lúcio e Edmilson, titulares na Copa do Mundo.

Joachim Löw convocou para a Copa das Confederações apenas três tetracampeões na Copa de 2014, Ginter, Draxler e Mustafi. Apostou em um laboratório que certamente renderá excelentes frutos na sequência do seu trabalho na Copa da Rússia-2018 e dos sucessores na Euro-2020. Consequência de uma Alemanha que tem estratégia, planejamento e paciência de Jó para formar e renovar elencos vencedores. Até ser tetra, a Alemanha ficou em jejum de 1996, quando conquistou a Eurocopa na Inglaterra, até a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Dezoito anos!

Fala sério: aguentaríamos esperar tanto tempo assim?  Aceitaríamos perder o título da Copa das Confederações para o Chile em troca do amadurecimento de um grupo vencedor em competições futuras?

O gramado do vizinho é sempre mais verde do que o nosso.

Marcos Paulo Lima

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