Próximo adversário da Seleção, El Salvador sofreu a maior goleada das Copas e quase viu o Brasil igualar o vexame em 2014

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El Salvador tem uma seleção digna de almanaque. Está registrada nas enciclopédias das Copas como o país que sofreu a maior goleada na história do torneio. Em 15 de junho de 1982, a Hungria não teve pena de protagonizar um 10 x 1 no Nuevo Estadio, em Elche. O placar bizarro jamais se repetiu em um Mundial, mas poderia ter sido igualado — ou até superado — se a Alemanha não puxasse o freio de mão naquele 7 x 1 sobre o Brasil, em 8 de julho de 2014.

Apesar de ter sido protagonista do maior vexame em um jogo de Copa, El Salvador tem um orgulho. Com as derrotas por 1 x 0 para a Bélgica, e por 2 x 0 para a Argentina, despediu-se do Mundial de 1982 com 13 gols sofridos. Em 2014, a Seleção Brasileira deixou a competição com 14: sete da Alemanha, três da Holanda, um da Colômbia, um do Chile, um de Camarões e um da Croácia. Nenhum delas, porém, superou os 16 sofridos pela Coreia do Sul, em 1954.

Em 1982, El Salvador desembarcou na Copa abalado pela guerra civil. Alguns jogadores se apresentaram para os treinos atrasados. “Tivemos que ajudar feridos abandonados ao longo da estrada”, contou o defensor Francisco Jovel em 2014, numa reportagem publicada pela revista inglesa Four Four Two. “Tudo o que sabemos é que, quando jogamos, as Eliminatórias, a guerra entre as facções cessavam e as pessoas se uniam pela seleção ao menos por um dia. O país estava em profundo sofrimento e tentamos reduzi-lo por um tempo”, testemunhou Mauricio Alfaro à publicação britânica.

O zagueiro Jaime Rodríguez culpou a logística pelo vexame contra a Hungria. Segundo ele, o itinerário até a Espanha “foi planejado pelo inimigo”. Em vez de ir diretamente para a Espanha, a seleção fez escalas na Guatemala, na Costa Rica, na República Dominicana. De para Madrid e finalmente um último voo até Licante. Total da viagem: 72 horas. Rival de El Salvador na estreia, a Hungria estava lá havia um mês. Além disso, a federação do país inscreveu apenas 20 jogadores — e não 20 —sob alegação de que o número era suficiente.

Trinta e seis anos depois, El Salvador, adversário da Seleção Brasileira nesta terça-feira, em Washington, é lanterninha no ranking histórico das Copas. Disputou a Competição em 1970 e em 1982 e perdeu todos os jogos. Na lista da Fifa, ocupa o 72º lugar e na da Concacaf, o sexto, atrás de México, Estados Unidos, Costa Rica, Jamaica, Honduras e Panamá. Em dois confrontos com o Brasil, duas derrotas pelo mesmo placar: 4 x 0, em 1994 e em 1998. É isso que o os comandados de Tite terão pela frente.

Apesar da fragilidade histórica, El Salvador não perde há três jogos. Em outubro do ano passado, derrotou o Canadá por 1 x 0, nos Estados Unidos. Antes da Copa, superou Honduras, que foi ao Mundial da Rússia, pelo mesmo placar. No último dia 8 de setembro, El Salvador superou Montserrat por 2 x 1 pelas Eliminatórias da Concacaf Nations League.

A seleção da América Central é comandada pelo mexicano Carlos Alberto de los Cobs Martínez, de 59 anos. Um dos assistentes é o filho dele, Sergio de los Cobos. O sistema tático predileto do pai é o 4-4-2, usado na vitória de virada sobre Montserrat. Na última exibição, o time atuou com: Henry Hernández; Alexander Mendoza, Bryan Tamacas, Roberto Domínguez e Juan Barahona; Óscar Cerén, Gilberto Baires, Fabricio Alfaro e Diego Coca; Denis Pineda e David Díaz.

Poucos jogadores atuam no exterior. O zagueiro Roberto Domínguez, por exemplo, defende o Vancouver Whitecaps, da Major League Soccer, a liga norte-americana de futebol. Denis Pineda é funcionário do modesto Santa Clara, de Portugal. O veterano Arturo Álvarez, de 33 anos, veste a camisa do Houston Dynamo e Andrés Flores pertence ao Portland Timbers. O maior goleador entre os convocados é o meia Jaime Alas, do Municipal da Guatemala, com seis bolas na rede em 62 exibições pela seleção.

Marcos Paulo Lima

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