Carlo Ancelotti e Seedorf em recente encontro no Real Madrid, em 2022. Foto: Real Madrid
É questão de tempo, ou melhor, de um ano para Carlo Ancelotti assumir oficialmente a Seleção Brasileira. O nome preferido do presidente da CBF Ednaldo Rodrigues havia sido divulgado primeiro pelos colegas do UOL, em 12 de dezembro do ano passado durante a Copa do Mundo, e confirmado pelo GE nessa segunda-feira. O que fazer enquanto Carletto não vem? Ao que tudo indica, ele nomeará um representante para trocar figurinhas com o interino Ramon Menezes. Tenho uma sugestão. Considero o holandês Clarence Seedorf, nascido em Paramaribo, no Suriname, o perfil ideal para contribuir no processo de transição.
O único treinador tetracampeão da Champions League (2003, 2007, 2014 e 2022) e único vencedor das cinco principais ligas nacionais da Europa (Alemão, Espanhol, Francês, Inglês e Italiano) por Bayern de Munique, Real Madrid, Paris Saint-Germain, Chelsea e Milan, respectivamente, só pode assinar contrato a partir de janeiro. Oficialmente, o acordo com o time merengue expira em 30 de junho de 2024. Até lá, a Seleção tem oito compromissos entre Eliminatórias e amistosos. Enquanto isso…
Meu primeiro argumento para a escolha de Clarence Seedorf é a relação com Carlo Ancelotti. Ele foi jogador do italiano. Liderava o meio de campo. Juntos, um à beira do campo e o outro dentro das quatro linhas, conquistaram a Champions League em 2003 e em 2007. Portanto, o ex-meia conhece muito bem como jogam os times de quem o comandou no Milan. Em maio de 2022, visitou o italiano na Cidade Desportiva do Real Madrid, em Valdebebas.
Seedorf fala português. Foi casado com uma brasileira. Logo, há vínculo com o Brasil. Tem residência no Rio e transita facilmente na Europa. Trabalhou na Holanda, Espanha e na Itália. Mais do que isso: jogou em um time brasileiro. Vestiu a camisa do Botafogo no período de 2012 a 2014. Ajudou o clube a conquistar o Campeonato Carioca em 2013.
Mais um tópico importantíssimo é o seguinte: Seedorf conhece muito bem a insanidade do calendário do futebol brasileiro. Falou sobre isso, em junho de 2018, numa entrevista ao GE e abordou o que aprendeu no país. “Várias coisas. A preocupação de recuperar jogador com essa quantidade enorme de jogos a cada três dias. Esta parte criativa, não só a intensidade e a maneira estrutural de fazer trabalho de recuperação todos os dias. Na Europa, a gente muitas vezes tem tempo para se recuperar e não tem tanta atenção assim. Depois que vivi no Brasil, vi que a gente faz muito pouca coisa aqui na Europa nessa parte”, observou.
Ele chamou a atenção para outra questão. “A capacidade de adaptação à parte climática: você vai para o Sul e está 10 graus. Três dias depois joga no Norte com 45 graus, volta ao Rio, 23 graus, no treino. Isso para o corpo é muito forte. Na Europa, quando a gente faz uma viagem de 1h30 já fica se lamentando e não muda nem temperatura, nada”.
O holandês também fez críticas na passagem pelo Brasil ao comportamento pré-jogo dos times. “Tinha aquecimento fora do campo. Como você não vai dentro do campo para fazer aquecimento? Tem que controlar a chuteira, o campo, luz, tudo. Lembro uma vez contra o São Paulo, eu acho que jogamos fora contra eles e tinha que ficar num lugar de 10 metros. Esta parte eu acho que está errado por vários motivos importantes. Zagueiro tem que saber que tipo de chuteira colocar, como está a grama, se está molhada, dura. Outra coisa, dieta, a alimentação. O brasileiro come qualquer coisa antes do jogo, tem pouca disciplina nessa parte. Para mim, está errado também, porque o combustível que a gente coloca dentro do corpo é fundamental”, observou.
O holandês de 47 anos tem algo fundamental para colaborar com Carlo Ancelotti: experiência no papel de treinador. Iniciou a carreira, em 2014, no Milan. Passou pelo Shenzen da China, trabalhou no Deportivo La Coruña e comandou uma seleção. Esteve à frente de Camarões de 2018 a 2019. Inclusive, enfrentou o Brasil de Tite em um amistoso de 2018. Perdeu por 2 x 0.
Um detalhe relevante: Seedorf é excelente observador. Olho clínico e crítico. Basta lembrar as palavras dele sobre Paulo Henrique Ganso em uma participação ao vivo no programa Bem, Amigos! do Galvão Bueno, em 2013. Quando tentaram comparar o meia do São Paulo com o estilo de jogo de Zidane, Seedorf foi curto e grosso na resposta:
“Hoje, não conseguiria jogar na Europa. Ele é um jogador com um talento diferente, mas precisa ser mais intenso nas jogadas. Se ele conseguir fazer isso com a bola nos pés, ele vai ter sucesso. O Ganso para a bola, joga, para a bola. Quando ele dá um toque de primeira, aí você vê o verdadeiro talento. Assim vai ser complicado”, analisou Seedorf em entrevista ao SporTV.
Ele estava errado? Ganso não teve vida longa na Europa.
O ex-jogador também conhece a gestão de grupo do treinador. “Ancelotti combina duas coisas importantes: o elemento técnico e o lado humano. A forma como ele trata os jogadores é muito importante. Ele os vê como seres humanos em primeiro lugar e depois como jogadores. Isso cria um ambiente de respeito recíproco. Isso transparece nos momentos difíceis porque a equipe se fecha e os jogadores tentam sempre dar aquele bocadinho a mais uns aos outros”, analisou em entrevista ao site oficial do Real Madrid.
Por fim, Seedorf elogiou recentemente a constante atualização do italiano. “O Carlo Ancelotti simplifica as coisas. É assim que ele trabalha. Tenta criar uma atmosfera calma. Quando tens os melhores jogadores disponíveis, tens de criar as condições para que todos possam tirar o máximo do seu talento, mas também se sentem como se tivessem uma responsabilidade, que vem com a capacidade dos jogadores de interpretar as coisas com a liberdade dada por Ancelotti”, avalia.
Seedorf acrescenta: “Lembro-me de quando estava no Milan. Podíamos tomar nossas próprias decisões em campo. Às vezes, não havia tempo para esperar até o intervalo para resolvê-las. Ele deixa bem claro o que quer e como quer que as coisas sejam feitas. Isso torna tudo muito mais fácil”, comentou o holandês.
Há um outro argumento relevante para Seedorf entrar no circuito. Ele é negro. Ao lado de Vinicius Junior, seria mais um baita nome no combate ao preconceito. Um senhor reforço na campanha “Contra Racismo, não tem jogo”, lançada recentemente pela Confederação Brasileira de Futebol . #ficaadica
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