Pior trabalho no Brasil: a primeira demissão de Jorge Sampaoli no país

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Jorge Sampaoli está demitido pela primeira vez no futebol brasileiro. A saída pela porta dos fundos em um time do país é inédita. Nas duas passagens anteriores, o argentino estava com o rei na barriga. Botou banca. Foi o senhor do próprio destino antes de se desvincular do Santos e do Atlético-MG após um vice e um terceiro lugar no Brasileirão em 2019 e em 2021, respectivamente. Superado pelo São Paulo na final da Copa do Brasil, ele passou a ser fritado pelo Flamengo até a consumação da queda nesta quinta-feira em um encontro convocado pela diretoria.

O trabalho termina com o segundo pior aproveitamento pessoal no futebol brasileiro: 60,6% contra 57,7% no Atlético-MG e 61,5% no Santos. O vice na Copa do Brasil, a eliminação nas oitavas da Libertadores contra o Olimpia e o sétimo lugar no Brasileirão traduzem os números. A falta de tato para lidar com o vestiário e a confusão mental ao montar o Flamengo com 39 formações diferentes em 39 jogos dão mais peso ao fim do casamento.

Em 2019, Sampaoli levou o Santos ao vice-campeonato no Brasileirão. Só ficou atrás do Flamengo. O time de Jorge Jesus encerrou a Série A com 90 pontos. O Peixe concluiu com 74, ou seja, pontuação de campeão. O Corinthians levou a taça em 2017 com 72. O Flamengo emendou o bicampeonato com 71 na temporada de 2020.

Na despedida do Santos, Jorge Sampaoli carimbou a faixa de campeão do Flamengo. Goleou o time rubro-negro por 4 x 0, na Vila Belmiro, antes do embarque da delegação rubro-negro para o Mundial de Clubes da Fifa. Ele pediu demissão depois da apoteose.

O enredo da saída do Santos lembra os acontecimentos no Flamengo. Houve desgastes com o presidente José Carlos Peres, nariz torcido para o orçamento curto e aborrecimentos com a falta de dinheiro para a montagem do elenco. A ótima campanha no Brasileirão não se repetiu nas outras competições. Sampaoli acumulou três eliminações: para o River Plate, do Uruguai, na primeira fase da Copa Sul-Americana; o Atlético-MG nas oitavas de final da Copa do Brasil; e o Corinthians na semifinal do Campeonato Paulista.

Quanto melhor o elenco, pior o desempenho

  • Santos
    65 jogos: 35 vitórias, 15 empates, 15 derrotas, aproveitamento de 61,5%.
    Título: nenhum
  • Atlético-MG
    45 jogos: 26 vitórias, nove empates e 10 derrotas. Aproveitamento de 57,7%.
    Título: Campeonato Mineiro
  • Flamengo
    39 jogos: 20 vitórias, 11 empates, 8 derrotas. Aproveitamento de 60,6%.
    Título: nenhum

A despedida do clube foi publicada em uma carta de agradecimento aos torcedores. “Em um mundo que nos trata como objetos, me senti humano e isso foi um privilégio maravilhoso”, publicou nas redes sociais depois de 65 jogos: 35 vitórias, 15 empates e 15 derrotas. O treinador deixou o cargo com aproveitamento de 61,5%.

Sampaoli não ficou muito tempo desempregado. Cinco meses depois de deixar o Santos, aceitou o convite do Atlético-MG para suceder o venezuelano Rafael Dudamel. Deu tempo de conquistar o único título no país. O título mineiro foi conquistado contra o Tombense. Apesar de não iniciar a temporada no Galo, levou o time ao terceiro lugar no Brasileirão, atrás apenas do Internacional e do Flamengo. Fez 68 pontos. Mais uma pontuação de campeão.Na arrancada de 2009, o time rubro-negro conquistou o título com 67.

Houve conversas pela renovação com a diretoria do Atlético-MG, mas o treinador preferiu sair. Estava em alta. Tinha ofertas do futebol europeu. O técnico anunciou a saída antes da última rodada do Brasileirão de 2020. Como de praxe, publicou uma carta.

“O Galo colocou seu coração em todo o país. Isso me dá um orgulho impressionante. Desejo que seja uma ideologia que se mantenha no clube. O futebol brasileiro tem um talento infinito e me fez reencontrar com a beleza do jogo, algo que irá me marcar para sempre. “Sigam caminhando com o coração como guia”, encerrou Sampaoli depois de 45 jogos com 26 vitórias, nove empates e 10 derrotas. O aproveitamento foi de 57,7%.

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Marcos Paulo Lima

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