Candidatos ao título da Libertadores são influentes na vida política da capital do país. Imagem: Conmebol
Como diria Nelson Rodrigues, “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”. Olhemos além das quatro linhas. Poucos clubes jogam tão fácil nos Três Poderes como os finalistas da Libertadores. Há quem ame, odeie, sinta vergonha e ouse negar os cordões umbilicais de Palmeiras e Flamengo com o presidente Bolsonaro, mas isso é tão fato quanto a proximidade de Lula do Corinthians — beneficiado pela construção de estádio no governo petista. Não importa se a orientação é de direita, esquerda ou centro. Política e futebol andam juntos e misturados.
A final da Libertadores é ideológica. O Flamengo é explícito. Curte ser amigo do rei. O Palmeiras posa de bom moço, mas é sonso. Adora pegar atalhos abertos pelo arquirival rubro-negro no Palácio do Planalto.
Os tentáculos de Flamengo e Palmeiras vão além de elencos milionários. Ambos estão entre os maiores lobistas do futebol no Executivo, Legislativo e Judiciário. Às vezes, tabelam entre si por interesses comuns.
Bolsonaro é torcedor do Palmeiras. Ergueu o troféu da Série A no Allianz Parque, em 2018, ao lado de Felipe Melo, do presidente Mauricio Galiotte e de Luiz Felipe Scolari. Mas ele também veste a camisa do Flamengo para fazer média com a “nação”.
Deu manto rubro-negro — e não alviverde — ao presidente da China, Xi Jinping, em Pequim. Tem linha direta com o mandatário do Flamengo, Rodolfo Landim — um dos vices dos sonhos de Bolsonaro nas eleições de 2022 —, e o apoio de Renato Gaúcho.
A diretoria do Flamengo desfruta de passe livre com Bolsonaro. Foi até criticada pela cúpula do Palmeiras quando esteve no Palácio do Planalto para forçar a volta do futebol, da torcida e a Lei do Mandante. Meses depois, o clube paulista liderou caravana com outros sete clubes até o gabinete de Bolsonaro para defender a… Lei do Mandante!
Flamengo e Palmeiras são articulados no Legislativo. Influenciaram na suspensão do pagamento das dívidas na pandemia. Mexeram os pauzinhos nas discussões da Lei do Mandante, Clube-Empresa, Sociedades Anônimas de Futebol e outras tantas.
Os dois clubes também são influentes no Judiciário. Lembra a guerra no tapetão para a realização da Supercopa do Brasil em Brasília? I TRF1 determinou lockdown no DF. Vetou o evento. Rejeitou recurso. O caso foi parar no STJ. Caiu nas mãos do presidente Humberto Martins. E o ministro liberou rapidamente a decisão no Mané Garrincha.
Os cartolas dos dois times são habilidosos no mercado financeiro estatal e privado. Graças ao governador rubro-negro Ibaneis Rocha, o Flamengo tem orçamento turbinado pelo parceiro máster Banco de Brasília. Patrocinado pela Crefisa, o Palmeiras rivaliza alguns produtos com o BRB. Sim, títulos se ganham nas quatro linhas, mas também nos campos da política, justiça, economia…
*Coluna publicada na edição deste sábado na edição impressa do Correio Braziliense
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