Palmeiras x Flamengo: “final das bets” turbina volume de apostas no Brasil

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Bets turbinam as receita do Palmeiras de Vitor Roque e do Flamengo de Arrascaeta. Fotos: Juan Mabromata e Pablo Porciuncula/ AFP

De um lado o Palmeiras com patrocínio da inglesa Sportingbet no espaço nobre da camisa. Do outro, o Flamengo ostentando a grega Betano. Protagonistas da decisão da Libertadores neste sábado, às 18h, no Estádio Monumental, em Lima, no Peru, os dois clubes podem impulsionar um recorde nas plataformas regulamentadas de apostas no Brasil na partida em que o país conhecerá o primeiro tetracampeão continental. Estimativas da indústria de bets indicam possibilidade de volume de apostas na casa dos R$ 500 milhões na final única.

Uma pesquisa encomendada pelo Grupo Globo em parceria com a empresa Offerwise, a qual o blog teve acesso, aponta que a Libertadores lidera a preferência do público na entre as competições continentais de clubes. Hoje, 45% apostam no torneio organizado pela Conmebol e 40% preferem a prima rica Champions League da Uefa.

A liderança é disparada da Série A do Campeonato Brasileiro com 71%. A Copa do Brasil vem logo atrás com 61%. O ranking é de maio e foi elaborado online com homens e mulheres de 18 anos. São 59% de apostadores e 41% não apostadores entre 1.000 casos.

“Hoje as bets são realidade no contexto do futebol brasileiro, tanto pelos investimentos que fortalecem os clubes quanto pelo crescente engajamento do torcedor ao apostar nas partidas. Mas esse movimento precisa vir acompanhado de responsabilidade. Apostar deve ser uma forma de entretenimento, e não uma expectativa de ganho”, diz ao blog Daniel Fortune, influenciador especialista em Jogo Responsável. É importante estimular uma cultura responsável por diversão, com autocontrole e dentro de seus próprios limites”,

Os finalistas da Libertadores ostentam os maiores patrocínios do Brasil. O Palmeiras tem um acordo estimado em R$ 105 milhões por temporada, além de bonificações e adicionais que podem chegar a R$ 70 milhões. A Betano assumiu o espaço máster do Flamengo no lugar da Pixbet ao oferecer algo em torno de R$  268 milhões por temporada.

“Essa decisão representa o panorama das bets como apoiadoras de clubes e entidades no cenário sul-americano. Hoje temos as companhias de apostas como principais financiadoras do futebol nacional há algum tempo. Esse movimento só tem a se consolidar com a regulação da indústria”, diz João Fraga, CEO da techfin Paag, especialista no setor.

Diretor do Instituto Brasileiro de Consumidores e Consultor do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Leonardo Henrique Bessa, faz um alerta: “Os patrocínios realizados pelas empresas de apostas esportivas têm um papel relevante no cenário esportivo, desde que conduzidos de forma responsável, especialmente devido ao impacto financeiro expressivo que trazem a essa grande paixão cultural do brasileiro. É movimento natural e se assemelha ao protagonismo que, em outras épocas, foi exercido por marcas de segmentos como bancos físicos e digitais, além de empresas do setor de eletroeletrônicos, que também se destacaram como patrocinadores máster de clubes de futebol”.

Todos os 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro têm parcerias com empresas de apostas.  Do total, 18 estampam marcas de cassinos online na área nobre da camisa.

Segundo uma pesquisa da LCA Consulting, em parceria com o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), o espaço era domingo até 2017 por empresas estatais, com 80%. Esse número caiu para 70% em 2018, e irrisórios 10% em 2019. Em contrapartida, começaram a avançar lentamente. Em 2022, 50% dos times tinham parcerias com bets; em 2023, 60%, e em 2024, 70%, até chegar aos 100% nesta temporada, ano em que o setor foi regularizado.

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Marcos Paulo Lima

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