Xeques sauditas já são donos das Supercopas da Espanha e da Itália. Foto: Fayez Nureldine/AFP
Favorita, Brasília poderia abrir nesta quarta-feira (28) contagem regressiva de um mês para receber a Supercopa do Brasil pela terceira vez em quatro anos se não houvesse uma oferta tentadora na mesa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O blog apurou que a Sela Sport Company Limited, uma empresa de marketing esportivo da Arábia Saudita, é a principal desafiante da capital federal para abrigar o duelo entre o Palmeiras, campeão do Brasileirão em 2022, e o Flamengo, vencedor da Copa do Brasil, em 28 de janeiro. Firmas dos Estados Unidos e arenas da Região Nordeste também estão no páreo.
A firma árabe com escritórios em Riade, Cairo, Dubai, Londres e Nova York tem investido pesado na compra de torneios curtos. O grupo adquire supercopas de ligas badaladas da Europa, propõe a troca de formato para Final Four ou Torneio de Verão, e está cada vez mais disposto a transformar o mês de janeiro em um festival da bola na terra dos xeques.
A reportagem apurou que a definição do local da Supercopa do Brasil deve acelerar na próxima semana e será oficializada a partir de 10 de janeiro, no retorno da CBF do recesso. O presidente Ednaldo Rodrigues pretende entrar em consenso com os chefes dos dois clubes candidatos ao título, Leila Pereira e Rodolfo Landim. Em caso de acordo, serão necessários ajustes nas tabelas do Carioca e do Paulistão por causa dos deslocamentos rumo ao país vizinho do Catar — sede da última edição da Copa do Mundo. Há uma outra oferta dos Estados Unidos. Hoje, a receita do evento é de R$ 7 milhões. Logo, qualquer proposta será superior a essa e, portanto, tentadora para a CBF e os times.
Anfitriã da Supercopa do Brasil nas edições de 2019 e 2020, a capital do país não somente está no páreo como é a bola de segurança da CBF. O Mané Garrincha só não recebeu o torneio na edição passada por causa das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus. Em meio ao impasse, a entidade fechou com a Arena Pantanal, em Cuiabá.
Além de Brasília, três cidades do Nordeste se ofereceram para abrigar a Supercopa do Brasil em 2023: Natal (Arena das Dunas), Fortaleza (Arena Castelão) e São Lourenço da Mata (Arena Pernambuco). O Distrito Federal virou praticamente a casa de festa da abertura da temporada do futebol brasileiro até os petrodólares jorrarem no Oriente Médio.
A Sela Sport tem se especializado em comprar e organizar torneios curtos, em janeiro, na Arábia Saudita. A firma despejou um dinheirão pelos direitos da Supercopa da Espanha e da Supercopa da Itália. Ambas serão disputadas no mês que vem no país.
Os sauditas aplicaram 320 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão) no contrato com a Real Federação Espanhola de Futebol. O acordo assinado com o presidente Luis Rubiales vai até a temporada de 2028/2029 e gerou polêmica no país devido a questões como violação dos direitos humanos e veto à presença de mulheres nos estádios.
Onde foram as finais da Supercopa do Brasil
“A Supercopa tinha duas possibilidades, dois caminhos: um era acabar, encerrar a competição. O outro era buscar um formato atraente que gerasse interesse e muito mais receita”, desabafou o presidente da RFEF ao justificar a comercialização da competição. “Além da receita dos clubes participantes, aquela que a RFEF receberá desta competição será usada integralmente para melhorar o futebol não profissional, ou seja, segunda e terceira divisão, futebol feminino e futsal”, prometeu o dirigente.
A Supercopa da Espanha ganhou até novo formato. Passou a ser disputada no estilo Final Four ou como se fosse um torneio de verão, com semifinais e final. A edição passada, por exemplo, teve as participações de Real Madrid, Barcelona, Valencia e Atlético de Madrid. Antes de desembarcar na Arábia Saudita, a Supercopa da Espanha teve quatro edições vendidas para Marrocos, palco do Mundial de Clubes da Fifa, em fevereiro.
Os empresários também partiram para cima da Supercopa da Itália. O duelo entre os campeões do Italiano (Milan) e da Copa Itália (Internazionale) está marcado para 18 de janeiro, em Riade, praticamente uma semana depois da realização da Supercopa da Espanha, agendada para 11 a 15 de janeiro. O acordo foi firmado por 138 milhões de euros (R$ 776,9 milhões) com promessa de aumento caso o evento também aceite o Final Four.
A Supercopa da Itália adere à moda pagando bem que mal tem faz tempo. O torneio se instalou duas vezes nos EUA, uma na Líbia, na China, no Catar, na Arábia Saudita e só havia voltado para casa nas últimas duas edições devido à pandemia do novo coronavírus.
Enquanto a CBF, Palmeiras e Flamengo avaliam propostas do exterior, outras competições similares da Europa estão cada vez mais fechadas com investidores do exterior. O Trophée des Champions, como é chamada a Supercopa da França, leva vida cigana faz tempo. Foi disputado em oito nações diferentes: Canadá, Tunísia, Marrocos, Estados Unidos, Gabão, China, Áustria e Israel.
Outras ligas tratam o evento como consumo interno. As últimas nove versões da Community Shield — Supercopa da Inglaterra — foram realizadas na capital Londres, especificamente em Wembley. Houve exceção, em 2012, devido aos Jogos Olímpicos. A Supercopa da Alemanha não arrasta o pé do país nem tem sede fixa.
Agenda dos finalistas
14/1/2023 – Flamengo x Portuguesa (Carioca)
18/1/2023 – Madureira x Flamengo (Carioca)
21/1/2023 – Flamengo x Nova Iguaçu (Carioca)
24/1/2023 – Bangu x Flamengo (Carioca)
28/1/2023 – Palmeiras x Flamengo (Supercopa do Brasil)
31/1/2023 – Flamengo x Boavista (Carioca)
14/1/2023 – Palmeiras x São Bento (Paulista)
19/1/2023 – Botafogo-SP x Palmeiras (Paulista)
22/1/2023 – Palmeiras x São Paulo (Paulista)
25/1/2023 – Ituano x Palmeiras (Paulistão)
28/1/2023 – Palmeiras x Flamengo (Supercopa do Brasil)
01/2/2023 – Mirassol x Palmeiras (Paulista)
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