Luxemburgo viu série invicta acabar duas vezes no Engenhão: 2020 e 2011. Foto: Cesar Greco/Palmeiras
Há um mês, escrevi aqui no blog sobre a invencibilidade aparente do Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo. Comparei com aquela série imbatível de 2011 do Flamengo de… Luxemburgo. O time rubro-negro não perdia, mas não mostrava futebol e a mínima ambição de assumir a liderança. Acomodado, contentava-se em fazer parte do pelotão de elite na maratona pelo título e olhe lá.
Pois bem. Há nove anos, Luxemburgo fechou o primeiro turno do Campeonato Brasileiro com apenas uma derrota em 19 jogos. O Flamengo acumulou 16 partidas sem perder. A série começou na primeira rodada e terminou na 17ª. Na época, o Atlético-GO surpreendeu ao encerrar a sequência, no Engenhão, por 4 x 1. O Dragão ocupava o Z-4. Exatamente como o Botafogo, que nesta quarta-feira quebrou a série alviverde de 20 jogos sem derrota — 13 delas nesta edição da Série A. O Glorioso venceu o time paulista por 2 x 1 no mesmo estádio.
Era difícil derrotar aquele Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Deivid. Mas também foi raríssimo vê-lo na liderança daquela edição. Aconteceu apenas uma vez, na primeira rodada. O Flamengo não conseguiu acompanhar o ritmo do Corinthians, de Tite; do Vasco de Ricardo Gomes e depois de Cristóvão Borges; e o Fluminense, de Abel Braga. Terminou o Brasileirão em quarto lugar e garantiu vaga para a Pré-Libertadores 2012 no confronto direto ao derrotar o Internacional por 1 x 0 na penúltima rodada, em Macaé (RJ), e empatar com o vice Vasco por 1 x 1 na última rodada, no Engenhão, atual Nilton Santos.
O Palmeiras versão 2020 é exatamente assim. Até esta quarta-feira, vivia da aparência de ter sido campeão paulista contra o arquirrival Corinthians e da ostentação de ser o único time sem derrota no Brasileirão. A invencibilidade de 12 jogos serviu para manter o time acomodado ali perto do G-4, mas sem a ambição necessária para experimentar o primeiro lugar.
A derrota para o Botafogo tornou o discurso de Luxemburgo contraditório. Um dos acertos dele é a utilização das joias da base. Os meninos mostram o comprometimento e a ambição que tanto falta aos veteranos do elenco. Mas o técnico pediu reforços. Quem conhece a história do treinador sabe que ele está falando de jogadores que cheguem para receber a camisa e entrar em campo. Resumindo: o repertório de Luxemburgo acabou com esse elenco.
“Hoje, tivemos quatro jogadores convocados (Gómez, Weverton, Gabriel Menino e Viña), então já vê que houve mudança. Precisamos fazer alguma coisa, a diretoria sabe. O elenco está curto. Precisamos fazer alguma coisa para melhorar, dar um upgrade com o que temos. Ter mais qualidade. Está bem claro para nós, temos três competições”, afirmou na coletiva.
De reforço precisava o Vasco do ano passado. Luxemburgo tinha um elenco limitadíssimo no trabalho razoável feito em São Januário. Qualquer clamor por contratação era correto naquela época. Nesta, não. Sim, houve a perda de Dudu. Falta reposição à altura. Porém, concorrentes com muito menos do que tem Luxemburgo entregam mais neste Brasileirão. É o caso do Atlético-MG de Jorge Sampaoli. Do Internacional de Eduardo Coudet. Até mesmo do São Paulo de Fernando Diniz. Cuca, por exemplo, protagoniza excelente trabalho à frente do Santos.
Em vez de cobrar reforços, Luxemburgo precisa fazer o trabalho sujo. Identificar quem está acomodado no caríssimo elenco do Palmeiras e dispensá-los. Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes não fizeram isso no ano passado. A batata quente está nas mãos de Luxemburgo. Portanto, coragem. Se ele não der um fim no assunto, a diretoria dará dispensando um dos treinadores mais vitoriosos na história do clube e do futebol brasileiro. Simples assim.
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