German Cano, o nome da final: três gols e um pênalti perdido nas finais. Foto: Mailson Santana/FFC
O Flamengo imperava na Libertadores. Perdeu a majestade para o atual bicampeão Palmeiras. Era hegemônico no Campeonato Brasileiro. Passou o escudo ao Atlético-MG. Ocupava o trono na Supercopa do Brasil com dois títulos consecutivos. O Galo tomou-lhe o poder. Restava o Campeonato Carioca. O sonho do tetra consecutivo foi cancelado pelo Fluminense de forma incontestável por 3 x 1 no placar agregado depois do empate por 1 x 1 neste sábado. O time da Gávea é vice pela quarta vez em seis meses. Da Libertadores, do Brasileirão, da Supercopa do Brasil e da Supercopa do Brasil. Podemos acrescentar a Taça Guanabara…
Os estaduais estão cada vez mais apequenados, mas a conquista do Fluminense é gigante. Enorme para um clube que não dominava o Rio havia 10 anos. Tempos demais. Valioso para Abel Braga depois da saída polêmica do Flamengo no início da gestão de Rodolfo Landim. Mais ainda após o vice no Brasileirão de 2020. Estava com a taça nas mãos à frente do Internacional e deixou o título escapar justamente para o time rubro-negro.
Abel só foi Abel nos últimos 15 minutos do jogo de hoje. Recuou à espera do contra-ataque quando não havia mais gás para manter a marcação eficiente e o domínio do meio de campo. Quem esperava um tricolor com marcação baixa desde o início ficou surpreso com a postura ousada de agredir o Flamengo desde o início. Paulo Henrique Ganso deu posse de bola e cadência ao time enquanto teve fôlego. Aris bagunçou o inexistente lado direito rubro-negro.
Enquanto isso, lá na frente, Germán Cano se tornava o cara da decisão. O argentino havia marcado os dois gols da vitória de quarta-feira passada. Balançou a rede novamente hoje. Confiante, poderia ter marcado o quarto em uma cobrança de pênalti. Seria a virada no Maracanã. Hugo Souza não deixou. Pegou a cobrança e alimentou a esperança do paupérrimo Flamengo de Paulo Sousa. O português amarga o segundo vice no início da temporada. Antes, havia desperdiçado a Supercopa do Brasil nos pênaltis contra o Atlético-MG na única exibição de alto nível da equipe sob seu comando. O Flamengo da final retrocedeu.
O Flamengo teve 10 dias livres antes da final do Carioca. Paralelamente, o Fluminense se engalfinhava com o Botafogo por uma vaga na decisão. Quando a maior esperava um tricolor enfraquecido depois das eliminações na Pré-Libertadores e o susto no jogo de volta contra o Glorioso, o time das Laranjeiras ressurgiu das cinzas com o verde da esperança, pois, como diz o hino do clube, quem espera sempre alcança. Foram dois vices contra o Flamengo em 2020 e 2021. Fascina pela sua disciplina o Fluminense, principalmente, nos duelos com o rival.
Foram três neste Campeonato Carioca. Venceu por 1 x 0 na quarta rodada da Taça Guanabara, abriu 2 x 0 no primeiro round da decisão e segurou 1 x 1 no capítulo final. Se Fla-Flu é um torneio à parte, a soma dos resultados 4 x 1. Portanto, não há como contestar a 32ª conquista.
Abel Braga esteve na berlinda duas vezes neste início de temporada. Balançou na eliminação diante do Olimpia. Esteve perto de cair quando o Botafogo vencia o segundo duelo da semifinal por 2 x 0 e foi salvo pelo herói Germán Cano. Resistiu bravamente e iniciará o Brasileirão com a missão de competir com o mesmo Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras. Afinal, Estadual não tem nada a ver com a Série A. São mundos diferentes.
Paulo Sousa, sim, está na berlinda. Apegado às convicções dele, mostrou na decisão do Carioca que dificilmente mudará a opção por três zagueiros e um time capenga. Agressivo pela esquerda e inoperante no setor direito. Não, cria, não apoia e defende mal. O gol de empate do Fluminense surgiu em uma trama de Arias e Paulo Henrique Ganso no frágil setor. Ou Paulo Sousa cede e abre mão dos próprios conceitos a partir da estreia na Libertadores ou a situação ficará insustentável. A “pré-temporada” acabou.
O time não está pronto para a maratona do da Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil. O tempo para treinar se foi. Daqui em diante, os jogos serão cada vez menos intervalados. Não adianta reclamar da falta de tempo. Houve. E aparentemente foi jogado fora. O rei Flamengo está nu. O Fluminense quebrou a última hegemonia de um arquirrival que precisa urgentemente se libertar do ano da glória de 2019.
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