O rato de praia, a raposa velha de Las Vegas e o provável penta do Grêmio na Copa do Brasil

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Poucas vezes uma parceria deu tão certo quanto a de Valdir Espinosa e Renato Gaúcho. Juntos, eles deram ao Grêmio o maior título da história do clube — o Mundial de Clubes de 1983. Espinosa como técnico. Renato no papel de ponta-direita. Trinta e três anos depois, Renato está prestes a encerrar um jejum de 15 anos sem conquistas nacionais depois de vencer o Atletico-MG por 3 x 1 no Mineirão, no jogo de ida da final da Copa do Brasil. Quem está lá, unha e carne com ele? O agora coordenador técnico Valdir Espinosa.

Independentemente do resultado do duelo de volta — o Grêmio pode até perder por 1 x 0 para ser penta — os personagens do possível fim do jejum tricolor vão terminar o ano ressurretos. Renato Gaúcho era rato de praia no Rio de Janeiro até um dia desses. Em vez de aproveitar os dois anos e cinco meses desempregado para se reciclar como técnico, se manteve fiel às experiências de jogador e técnico que experimentou altos e baixos na carreira. Voltou ao batente sem ter a mínima vergonha de dizer que não fez intercâmbio com nenhum bambambã na Europa é muito menos na América do Sul.

O rato de praia topou a missão de assumir o Grêmio acompanhado de seu mentor, Valdir Espinosa, uma raposa velha boa praça que havia sido demitida do Metropolitano, de Santa Catarina, no início do ano, com 38% de aproveitamento, e depois foi fazer (mais) um pé de meia na terra dos cassinos, à frente do Las Vegas City — time de uma liga de segundo escalão do soccer norte-americano.

O smartphone do rato de praia Renato Gaúcho tocou lá no Rio e ele trocou a sunga pela prancheta do Grêmio. O celular de Valdir Espinosa mostrou o escudo do Grêmio na tela e ele trocou a vida de quase aposentado no estado de Nevada e a tranquilidade no Rio para tentar ser de novo mais que um salvador da pátria, a voz da consciência de Renato Gaúcho.

Renato Gaúcho e Valdir Espinosa combinam porque fazem parte da turma que tem facilidade para fazer a gestão do vestiário, que aposta no carisma, no papo de boleiro. Não se engane. Renato Gaúcho tem seus méritos, mas esse time do Grêmio é um pouquinho de Valdir Espinosa também. Ambos conquistaram o grupo com a mesma fórmula usada por Valdir Espinosa (1982 a 1984 e 1986) e nas outras passagens de Renato Gaúcho pelo cargo (2010 a 2011 e 2013). O futebol mudou. Eles continuam os mesmos. Até que o Atlético-MG prove o contrário na próxima quarta-feira, vencedores.

Marcos Paulo Lima

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