Inauturado em 19/11/2008, Bezerrão custou R$ 55,5 milhões ao GDF. Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Em entrevista à CNN Brasil exibida na noite de domingo, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, falou sobre o amistoso mais polêmico da Seleção realizado no Distrito Federal. Em 19 de novembro de 2008, Brasil e Portugal inauguraram o novo Estádio Bezerrão, no Gama. Na época, o time de Dunga, que tinha Kaká em campo, goleou a equipe comandada por Carlos Queiroz, com direito a Cristiano Ronaldo em campo. Foi um duelo entre o brasileiro eleito melhor do mundo em 2007 contra quem o tiraria do trono no fim daquele ano.
Ao tocar no assunto abordado aqui no blog antes da abertura do Mundial Sub-17 do ano passado disputado justamente no Bezerrão na entrevista à jornalista Monalisa Perrone, Ricardo Teixeira se refere assim ao jogo que virou caso de polícia. “A imprensa inventou ‘rolo’ no amistoso de Brasília”. A Ailanto, empresa contratada para organizar o amistoso, teria recebido R$ 9 milhões do Governo do Distrito Federal.
Segundo o Ministério Público, houve superfaturamento e pagamento de propina para políticos e empresários. As suspeitas de que Ricardo Teixeira teria embolsado dinheiro público surgiram quando a polícia descobriu quem eram os sócios da Ailanto: o ex-presidente do Barcelona e da Nike no Brasil, Sandro Rosell, e a secretária dele, Vanessa Almeida Precht. Houve busca em um apartamento da assessora no Rio de Janeiro. Foram encontrados cheques nominais dela no valor de R$ 600 mil usados para quitar o contrato de arrendamento de uma fazenda do ex-presidente da CBF. “Isso aí não existe, não tem nada a ver”, retrucou Ricardo Teixeira.
Ao se explicar, Ricardo Teixeira emendou: “Você sabe de quem era esse jogo? Da Ambev. A Ambev tinha o contrato deste jogo dela”. Porém, a empresa não foi investigada. Quase 12 anos depois daquele amistoso, Ricardo Teixeira está citado no inquérito da Polícia Civil, mas não foi indiciado. O empresário Sandro Rosell, o ex-governador José Roberto Arruda e o ex-secretário de Esporte Agnaldo de Jesus foram surpreendentemente absolvidos. O blog teve acesso aos despachos, como mostrou no post publicado no ano passado.
“Isso aí não existe, não tem nada a ver (ter recebido cheque nominal de R$ 600 mil). Você sabe de quem era esse jogo? Da Ambev. A Ambev tinha o contrato deste jogo dela”
Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, em entrevista à CNN Brasil
Ricardo Teixeira falou também sobre a relação com políticos de Brasília, especialmente com os presidentes da República. O dirigente assumiu a CBF em 1989 e deixou a entidade em 2012. Portanto, relacionou-se com José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O cartola deixou claro o rancor com FHC. “O distanciamento foi porque ele não apoiou a Seleção. Ganhou da Turquia, não mandou ‘parabéns, boa sorte’, nada”. Irritado, Ricardo Teixeria não queria passar por Brasília no retorno do Japão. “Se ele não queria a Seleção, a Seleção não queria ele. Os jogadores ficaram fabulosamente satisfeitos de não ir”, conta. Coube ao então governador do Ceará, Tasso Jereissati, convencer o dirigente a mudar de ideia. “Fomos tomar café e ele disse ‘pô, Ricardo, faz isso, é o presidente’. Ele gosta muito do Fernando Henrique. Depois de duas horas, eu disse ‘tá bom, vou passar’”, revelou.
Sobre Lula, Ricardo Teixeira afirmou: “Posso dizer nem que era bom e nem que era ruim”. Ao falar de Dilma Rousseff, voltou a mostrar rancor: “Essa mulher não existe. Desagradou ao nosso país, quase faliu. Nunca tive relação com ela. Nunca. Ela mentia. Ela dizia que eu pedi entrevista e que ela me negava. Nunca pedi entrevista para ela na vida”, encerrou.
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