O que o discurso de Lucas Pinheiro Braathen ensina ao futebol brasileiro

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A inédita medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno protagonizada por Lucas Pinheiro Braathen deixa um recado importante contra os recorrentes discursos xenófobos no futebol.

Em tempos de oito treinadores estrangeiros na Série A do Campeonato Brasileiro e um na Seleção para a Copa, sentimos vergonha alheia recentemente.

No ano passado, os técnicos Émerson Leão e Oswaldo de Oliveira criticaram publicamente Carlo Ancelotti em um fórum de treinadores na sede da CBF. Ambos detonaram o que consideram uma invasão de profissionais importados na bolha do mercado deles.

O Brasil será comandado pela primeira vez por um técnico estrangeiro na Copa do Mundo de 2026 na América do Norte. Há quem considere absurdo.

A Inglaterra irá ao Mundial sob o comando do alemão Thomas Tuchel. O Uruguai confia no argentino Marcelo Bielsa. Portugal delegou a prancheta ao espanhol Roberto Martínez.

Lucas Pinheiro Braathen nasceu em Oslo, na Noruega, é filho da brasileira Alessandra e conquistou o coração do povo brasileiro menos pela cor do passaporte ou da medalha — e mais pelo sincero discurso dourado em entrevista ao SporTV depois de triunfar com o tempo imbatível de 2min25s.

“Não sei como botar palavras nas minhas sensações agora. Só queria compartilhar que, provavelmente, está todo mundo assistindo no Brasil, acompanhando e torcendo. Isso pode ser uma fonte de inspiração para crianças da próxima geração”, emocionou-se.

“Nada é impossível, não importa onde você está, suas roupas, cor da pele, o que importa é o que está aqui dentro (apontando o lado esquerdo do peito). Esquiei com a força brasileira aqui do coração. Sou um esquiador brasileiro que virou campeão olímpico”, disse Lucas Pinheiro Braathen antes de cantar o Hino Nacional no pódio.

O esporte olímpico ensina faz tempo a respeitar atletas e técnicos estrangeiros. Leões, Osvaldos, o futebol precisa aprender.

O croata Aleksandar Petrovic comanda a seleção masculina de basquete.

A estadunidense Pokey Chatman é a dona da prancheta do time feminino.

A ginástica olímpica evoluiu na passagem do ucraniano Oleg Ostapenko e segue em ascensão com Iryna Ilyashenko.

O dinamarquês Morten Soubak levou o Brasil ao título inédito no Mundial Feminino de Handebol em 2013.

A neozelandesa Crystal Kaua lidera a Seleção feminina de rúgbi seven. O espanhol Jesús Morlán desenvolveu a canoagem.

A britânica Jo Manning lidera nosso time de bobsled.

Que Lucas Braathen seja um marco na luta contra a xenofobia e outros preconceitos!


X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: CBF Copa do Mundo 2026 diversidade no esporte esporte olímpico Futebol brasileiro Lucas Pinheiro Braathen Seleção Brasileira Série A treinadores estrangeiros xenofobia

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