Botafogo venceu diante de 28 mil pagantes na Arena BRB Mané Garrincha. Foto: Minervino Júnior/CB.DA Press
O futebol candango ficou de ressaca na semana em que Brasília completou 62 anos. Atual bicampeão do Distrito Federal, o Brasiliense perdeu por 3 x 0 para o Atlético-MG, em Belo Horizonte. O Botafogo impôs o mesmo placar ao Ceilândia, no Mané Garrincha.
A soma dos placares dá 6 x 0 nos jogos de ida da terceira fase do mata-mata nacional. “Um vexame”, dirão os inconformados e/ou desinformados. Não acho. “Foi pouco, discordarão os sincerões de plantão”. Sim, poderia ter sido pior, mas Brasiliense e Ceilândia não devem superdimensionar os resultados nem entrar em depressão por causa dele.
Clubes inteligentes tiram lições do intercâmbio para colocá-las em prática no que de fato importa na temporada — a Série D do Campeonato Brasileiro. Ou alguém em sã consciência acreditava na classificação de pelo menos um dos dois candangos?
Brasiliense e Ceilândia estrearam com vitória no Grupo 5 da quarta divisão. Os duelos contra times da elite são como aquelas degustações de supermercado. Bacana de provar, mas impossível de colocar no carrinho, pagar por ela no caixa e levar para casa. O preço é alto.
A mudança de patamar custa tempo e dinheiro. Demanda sucessivos acessos. Hoje, Brasiliense e Ceilândia estão na quarta divisão. Se quiserem mais jogos contra gigantes como Atlético-MG e Botafogo, ambos ou um deles precisa subir ano após ano, a partir desta temporada, para figurar na elite em 2025 — ano em que o Distrito Federal completará 20 anos fora da Série A.
Óbvio que seria bacana o Brasiliense repetir o sucesso de 2002, quando tinha apenas dois anos de idade e disputou a final da Copa do Brasil contra o Corinthians. Quem sabe igualar a campanha de 2007, ao chegar às semifinais. Mas essas campanhas são cada vez mais exceções e não regras em um futebol nacional cada vez mais profissionalizado.
Brasiliense e Ceilândia precisam aprender, por exemplo, com as evoluções de três vizinhos da Região Centro-Oeste e dois do Nordeste. Não basta trabalhar para realizar o sonho de disputar a Série A. É preciso alcançar sustentabilidade. A manutenção na elite permite a Atlético-GO, Cuiabá e Ceará, por exemplo, disputar partidas internacionais na Copa Sul-Americana. Ao Fortaleza, uma participação inédita na Libertadores. O Bragantino foi vice continental.
É evidente a evolução de times que têm a oportunidade de participar de torneios internacionais. Eles ganham casca grossa para duelos domésticos. O Ceará, por exemplo, derrotou o Palmeiras no Allianz Parque na primeira rodada do Campeonato Brasileiro.
Adversários de alto nível, seja de um time candango da Série D contra um da A nos casos de Brasiliense e Ceilândia; ou de pequenos da elite contra gigantes da América do Sul, permitem sonhar com voos mais altos. Que este seja o legado dos duelos contra Atlético-MG e Botafogo na Copa do Brasil. Menos preocupação com resultados óbvios. Foco na demanda do momento. Jacaré e Gato Preto enfrentam Iporá-GO e Grêmio Anápolis neste fim de semana pela quarta divisão. Este, sim, é o campeonato acessível aos atuais bicampeão e vice da capital.
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