O que a passagem de Maradona pelo Al Wasl tem a ensinar a Odair Hellmann

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Odair Hellmann escapou de ser demitido pelo menos duas vezes neste ano: na eliminação precoce do Fluminense da Sul-Americana contra o time chileno Unión La Calera e no adeus à Copa do Brasil diante do Atlético-GO. Odair resistiu. Bravamente até. Nesta segunda, ele escolheu demitir-se do tricolor carioca. Topou proposta irrecusável do Al Wasl. Jamais poderá reclamar da diretoria. Teve o apoio dela nas crises. Larga o clube em quinto lugar no Brasileirão.

Odair escolheu viver dias de Diego Armando Maradona. Explico: D10S foi técnico do Al-Wasl de agosto de 2011 a julho de 2012. Badalado, largou a equipe em oitavo lugar entre 12 clubes da primeira divisão. Esteve com o título nas mãos na final na Liga dos Campeões do Golfo – disputada por clubes da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Omã e Bahrein.

À época, o time comandado por Diego Maradona venceu o Al Muharraq por 3 x 1 fora de casa; perdeu pelo mesmo placar, em Dubai, e fracassou na decisão por pênaltis, por 5 x 4. Antes, o time havia sido eliminado na semifinal da Copa dos Emirados Árabes Unidos.

Maradona bancou o sincerão ao aceitar a proposta do Al Wasl e admitiu o óbvio, ou seja, que topou a oferta por questões financeiras. “É uma experiência maravilhosa. É a chance de estar num país onde, apesar de não estarem todas as estrelas, existe uma equipe para comandar e um bom dinheiro”, justificou Maradona, em 2011, em entrevista à tevê argentina TyC Sports.

Odair Hellmann é mais um exemplo de que a escola brasileira de técnicos continua tendo espaço no exterior, sim, mas em mercados periféricos. Aposentados como Mário Jorge Lobo Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari – campeões mundiais, respectivamente, em 1970, 1994 e 2002 –  já exploravam o mundo árabe. A Europa raramente vem aqui contratar treinador brasileiro. Vanderlei Luxemburgo (Real Madrid), Luiz Felipe Scolari (Portugal e Chelsea), Zico (Fenerbahçe) e Ricardo Gomes (Bordeaux e Monaco) são casos pontuais no século.

O mercado árabe emprega, por exemplo, Péricles Chamusca (Al-Faisaly), com passagem pelo Brasiliense, e Fábio Carille (Al-Ittihad). Além de Odair Hellmann (Al Wasl), a liga dos Emirados Árabes Unidos tem por lá outro brasileiro, Caio Zanardi (Khor Fakkan).

A saída de Odair Hellmann reforça também a fragilidade do Campeonato Brasileiro. Veja o que aconteceu neste ano: o argentino Eduardo Coudet, líder da Série A à frente do Internacional, deixou o Brasil para trabalhar no Celta da Espanha. Quinto colocado, Hellmann abriu mão do quinto lugar do Fluminense para trabalhar no Al Wasl. No fundo, ele sabe que qualquer resultado diferente do título ao término do Brasileirão será esquecido na próxima temporada.

O ex-técnico do Fluminense é livre para tomar decisões, óbvio. Saiu. É importante ele saber, porém, que nem Diego Armando Maradona teve tanto crédito na passagem pelo clube. Naquela época, o diretor Mohammad Ahmad bin Fahad bancou a permanência de D10S em 18 junho de 2011. “Diego é o treinador do Al Wasl e tem plena autoridade. Ele continuará conosco. Não haverá nenhuma mudança”. Vinte e dois dias depois, passou de prestigiado a demitido.

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Marcos Paulo Lima

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