O Flamengo comemora o 39º título na história do Campeonato Carioca. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
O Flamengo é bicampeão carioca com autoridade diante de um Fluminense em evolução, mas incapaz, ainda, de fugir das amarras estabelecidas pelo time de Filipe Luís. A contundência rubro-negra não se traduziu em mais gols no placar agregado de 2 x 1 por um motivo: a quantidade de jogadores com característica de ponta no elenco. Com a ausência de Pedro e a contusão de Bruno Henrique, faltam jogadores eficientes no acabamento.
Luiz Araújo e Gonzalo Plata formaram a dupla de ataque nas duas partidas, porém os gols do título foram do lateral-direito Wesley e do centroavante reserva Juninho. Plata perdeu uma excelente chance ao tomar a bola a bola de Fábio. Faltou refino na tomada de decisão no momento da finalização. O Flamengo fez dois gols anulados no fim da partida em uma outra circunstância da partida. Obrigado a vencer, o Fluminense se abriu e deixou espaço.
As ideias e os conceitos de jogo de Filipe Luís estão em campo. A posse da bola é quase inegociável: 62%. A saída de bola com uma linha de três mais dois volantes é interessante. Contra o Fluminense, Léo Ortiz e Léo Pereira davam amplitude, Pulgar recuava para alinhar com os beques, e Alex Sandro se juntava a De La Cruz ou Gerson na construção. Todos com qualidade para sair jogando, sempre auxiliados pela competência de Rossi com os pés.
A conquista do título deixa um recado para o Flamengo: é preciso contratar um atacante com faro de gol para as disputas da Copa do Brasil, Brasileirão, Libertadores e Copa do Mundo de Clubes. O time jogou no limite somente com Bruno Henrique. Pedro está perto de voltar, porém vai demorar a entregar partidas de excelência. Juninho ainda está assustado, tímido e em processo de adaptação ao clube e ao futebol brasileiro.
Campeão gaúcho, mineiro e paulista, Mano Menezes perdeu a chance de adicionar o Carioca ao currículo. O técnico entregou evolução. O Fluminense cresceu na campanha e administrou bem a maior baixa no início da temporada: o meia Paulo Henrique Ganso. Arias, Canobbio e Lima se alternaram — e esforçaram — nesse papel.
Impressiona a qualidade do Fluminense para desarmar. O tricolor encerra o Carioca programado para isso. O time desarticulou o Flamengo 20 vezes contra nove do adversário. Pegada não falta. O time carece de um meia capaz de dar sequência no lance e não ficar preso à marcação. Mais uma vez, Canobbio passou o jogo correndo atrás de Wesley. Enquanto Ganso não volta, Ruben Lezcano é a peça a ser encaixada no setor.
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