Apesar das dificuldades, o atual campeão Flamengo venceu pela primeira vez. Foto: Gilvan de Souza/CRF
Filipe Luís está engajado em reconstruir um setor ofensivo do Flamengo: o lado direito. Há uma dificuldade imensa naquela fatia do campo desde as transferências de Gerson para o Zenit São Petersburgo da Rússia e do lateral Wesley para a Roma desde o fim da Copa do Mundo de Clubes da Fifa no ano passado. Eles eram afinados. Entendiam e cumpriam o plano do treinador rubro-negro. A saída deles deu início a um rodízio.
Gonzalo Plata, Luiz Araújo e Carrascal se alternavam no papel de ponta ou extremo pela direita no segundo semestre. Varela e Emerson Royal se revezavam na lateral. Ao aceitar receber Lucas Paquetá, Filipe Luís pensou o posicionamento do jogador dentro de um modelo estabelecido no ano passado. Adaptá-lo a isso tem sido praticamente impossível diante da sequência insana de jogos em um intervalo de três dias.
O que Filipe Luís deseja? Na cabeça dele, Lucas Paquetá deve jogar aberto na direita alinhado com Arrascaeta centralizado e um ponta aberto na esquerda: Everton Cebolinha ou Samuel Lino. Quando o Flamengo tem a posse da bola, Paquetá tem que dar um passo para dentro para articular com o uruguaio e dar o corredor a Emerson Royal, o titular da lateral direita no triunfo por 2 x 1 contra o Vitória, ou Varela.
Como se não bastasse a falta de entrosamento entre os dois, Emerson Royal desafina ao não dar profundidade ao corredor direito. Lucas Paquetá cumpre o desejo do técnico, mas o companheiro dele no setor irrita a torcida ao não chegar à linha de fundo. São recorrentes os cruzamentos de Royal da altura do bico da grande área.
Ao liberar Royal para apoiar o ataque, a linha defensiva passa a ser formada por Léo Ortiz, o recuo de Pulgar para a zaga e Léo Pereira. Alex Sandro alinha com Evertton Araújo no meio de campo na proteção por dentro e o Flamengo ataca com cinco jogadores: Everton Cebolinha e Emerson Royal dando profundidade nas pontas, Lucas Paquetá e Arrascaeta por dentro e Pedro no papel na referência. Bonito na teoria, ruim na prática.
Sem a bola, Filipe Luís demanda de Lucas Paquetá a recomposição no lado direito como costumavam fazer os pontas Luiz Araújo, Plata ou Carrascal naquele setor. Royal não passa confiança. Sofreu com Matheuzinho! A transição defensiva rubro-negra tem sido caótica. O Flamengo só não foi vazado pelo Vasco utilizando a formação principal.
A dificuldade para penetrar nas defesas adversárias tem obrigado o Flamengo a mudar características. Erick Pulgar abre o placar contra o Vitória em um belíssimo chute de fora da área. Uma das broncas da torcida com o time era justamente a falta de finalizações de média e longa distância. Outra alternativa tem sido a profundidade, o passe longo. Everton Cebolinha marca o segundo depois do lançamento milimétrico de Léo Ortiz.
Em contrapartida, os erros de passe continuam deixando os adversários na cara do gol com um espaço imenso diante da lentidão da recomposição. O pênalti cometido é resultado disso. O gol do Vitória também. O goleiro Rossi pegou a cobrança de Renato Kayzer e impediu o empate do Vitória em mais uma exibição preocupante do Flamengo.
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