Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 3 min de leitura
Nem o copeiro Dorival Júnior blinda o São Paulo da governança caótica
Eliminado no Paulistão, na Copa do Brasil e na Sul-Americana com três técnicos diferentes, o Tricolor precisa assumir que a crise está fora das quatro linhas — e não dentro do campo
Dorival Júnior vinha em uma sequência incrível de títulos em torneios de mata-mata. Em 2022, ganhou a Copa do Brasil e a Libertadores pelo Flamengo. Em 2023, a Copa do Brasil pelo São Paulo. A sequência abriu as portas para assumir a Seleção Brasileira. Com o sarrafo mais alto, foi eliminado da Copa América de 2024 nos pênaltis pelo Uruguai. Demitido depois da goleada por 4 x 1 para a Argentina, foi demitido, mas levantou-se do tombo ao levar o Corinthians ao título da Copa do Brasil em dezembro do ano passado contra o Vasco no Maracanã.
Em quatro anos, o paulista de Araraquara alcançou Luiz Felipe Scolari no Olimpo dos técnicos mais vitoriosos da Copa do Brasil. Ambos são tetracampeões. Felipão estava sozinho no altar desde 2012. Dorival Júnior o alcançou e pode até ultrapassá-lo em breve.
Não mais neste ano. O técnico do São Paulo não encerrará o ano de mãos abanando por causa de um título no arquirrival Corinthians. Lembram? Ele derrotou o Flamengo por 2 x 0 no Mané Garrincha na Supercopa do Brasil. Os superpoderes de Dorival Júnior minguaram na Sul-Americana. Resta ao tricolor paulista cumprir o planejamento traçado — e criticado — de Hernán Crespo: remar para alcançar 45 pontos para ficar na elite do Brasileirão.
A temporada deixa claro: questão não é técnico. O São Paulo foi eliminado nas semifinais do Campeonato Paulista sob o comando de Hernán Crespo. Caiu na Copa do Brasil com Roger Machado. Dá adeus à Sul-Americana guiado por Dorival Júnior. Três ideias diferentes para um elenco limitado em uma gestão de futebol caótica há muito tempo.
Não faltou vontade ao São Paulo contra o Boca Juniors. É absurdo e até desumano dizer isso. A questão é paz para trabalhar. Falta isso hoje no CT da Barra Funda. A falta de tranquilidade estoura dentro do gramado. Jovens jogadores sentiram o peso da obrigação de derrotar o Boca Juniors em um Morumbi lotado. Dorival Júnior tentou acalmá-los, mas não foi possível.
A diretoria do São Paulo empurrou o problema o tempo inteiro para dentro do gramado ao ter três técnicos na temporada, mas tomou invertida do atacante Luciano depois da eliminação contra o Boca Juniors. A declaração do jogador resume o caos tricolor.
“Nunca recebi salário em dia aqui. Muitos jogadores que vêm para o São vêm porque querem vestir a camisa, porque querem estar aqui. Eu quero estar aqui. A gente ajuda quem a gente precisa. A gente tentou deixar os problemas fora de campo para focar no Boca. A gente queria ter vencido para dar a vitória para a torcida. É pedir desculpas”, afirmou um dos jogadores mais dedicados ao time depois da eliminação, em entrevista ao SBT.