Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 4 min de leitura
Esporte e política: quem conquistou mandato nas eleições de 2026
Danrlei, Luiz Lima, Bobô, Felipe Sertanejo e Rozenha conquistaram mandato em 2026; bancada da bola mantém nomes como Carreras, Lira e Wagner
As eleições de 2026 levaram cinco nomes diretamente ligados ao esporte a novos mandatos no Legislativo: Danrlei, Luiz Lima, Bobô, Felipe Sertanejo e Rozenha. Ao lado deles, parlamentares com atuação próxima ao futebol, como Arthur Lira, Jaques Wagner e Felipe Carreras, mantiveram ou conquistaram mandatos no Congresso.
O resultado revela duas formas distintas de chegada do esporte à política. Uma nasce da carreira construída nas competições; outra passa pela atuação parlamentar em torno do futebol, dos clubes e das entidades que administram a modalidade.
Nomes do esporte chegam ao Legislativo
Danrlei, ex-goleiro do Grêmio, foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul, com 105.079 votos. O ex-nadador olímpico Luiz Lima também renovou o mandato na Câmara. Candidato pelo Rio de Janeiro, recebeu 79.249 votos.
Na Bahia, o ex-jogador Bobô foi eleito deputado estadual com 70.893 votos. Em São Paulo, o ex-lutador de MMA Felipe Sertanejo conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa com 138.277 votos.
Outro nome ligado diretamente à estrutura do futebol é Rozenha, presidente da Federação Amazonense de Futebol e vice-presidente da CBF. Reeleito deputado estadual pelo Amazonas, recebeu 62.201 votos.
Senado: Lira e Wagner
A presença do futebol na política não se limita aos nomes que vieram das competições. Arthur Lira, ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi eleito senador por Alagoas.
Na Bahia, Jaques Wagner renovou o mandato no Senado. Os dois integram o universo político frequentemente identificado no Congresso como “bancada da bola”, expressão jornalística usada para reunir parlamentares com atuação próxima ao futebol.
Carreras e a articulação política do futebol
Na Câmara, Felipe Carreras foi reeleito deputado federal por Pernambuco, com 148.971 votos. Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a manipulação de resultados no futebol, o parlamentar mantém atuação diretamente relacionada ao setor.
Também foram reeleitos nomes com histórico de articulação em torno do futebol, como Leur Lomanto Jr., Paulo Azi, Valmir Assunção e Sidney Leite.
Leur Lomanto Jr., da Bahia, recebeu 108.893 votos. Paulo Azi, também baiano, teve 105.797. Valmir Assunção foi reeleito com 148.941 votos, enquanto Sidney Leite, do Amazonas, obteve 138.498.
Júlio Arcoverde mantém a cadeira
Outro nome ligado ao futebol que permaneceu na Câmara foi Júlio Arcoverde, do Piauí. Reeleito com 101.799 votos, ele tem ligação histórica com o River-PI e participou da CPI da Manipulação de Resultados.
A trajetória reforça a presença de parlamentares que transitam entre a política institucional e a estrutura do futebol, ainda que a expressão “bancada da bola” não represente uma frente parlamentar formal.
Quem ficou pelo caminho
A eleição de 2026 também interrompeu projetos de nomes conhecidos do esporte.
Vanderlei Luxemburgo terminou em sétimo lugar na disputa pelo Senado no Tocantins, com 67.987 votos. O ex-jogador Luís Fabiano recebeu 9.613 votos na corrida para deputado federal por São Paulo. No Rio de Janeiro, Edmundo teve 35.725 votos e não conquistou uma cadeira na Câmara.
No Distrito Federal, Washington “Coração Valente” obteve 7.503 votos para deputado federal e ficou como suplente. Marcelinho Carioca, candidato a deputado distrital, recebeu 2.494 votos.
Outro resultado de peso ocorreu no Senado do Distrito Federal. Leila Barros, a Leila do Vôlei, terminou em terceiro lugar, com 686.340 votos, e não conseguiu a reeleição.
No Piauí, a judoca Sarah Menezes recebeu 10.516 votos para deputada federal e ficou fora da Câmara. Maurício Souza, o Maurício do Vôlei, também não conseguiu se eleger.
Duas rotas para a política esportiva
O resultado das urnas expõe dois caminhos diferentes para a presença do esporte na política brasileira. De um lado, atletas e profissionais conhecidos pelo desempenho nas quadras, nos campos, nos ringues e nas piscinas transformam popularidade e trajetória esportiva em capital eleitoral.
De outro, parlamentares com atuação institucional no futebol consolidam uma agenda que envolve clubes, federações, CBF, legislação esportiva, direitos de transmissão, apostas, integridade das competições e financiamento do esporte.
A partir de 2027, os dois grupos estarão diante da mesma arena: o Legislativo brasileiro.