Blog Drible de Corpo
Marcos Paulo Lima
Esporte 3 min de leitura
São Januário: de palco da final da Libertadores a vetado na semi da Sula
Histórico de decisões continentais na casa do Vasco expõe a falta de sensibilidade da Conmebol na regra dos 30 mil: Copa Sul-Americana de 2023 foi definida em arena com capacidade inferior
Falta sensibilidade à Confederação Sul-Americana de Futebol para dar um passo atrás, autorizar o Vasco a mandar a partida contra o Boca Juniors na casa própria, ou seja, em São Januário, no Rio de Janeiro, e colocar um capítulo final nessa novela do mando de campo.
Sensibilidade porque a Conmebol deveria olhar para o passado e lembrar que São Januário recebeu o primeiro jogo da final da Libertadores de 1998 contra o Barcelona de Guayaquil.
Sensibilidade para recordar que o Vasco mandou a primeira partida da decisão da extinta Copa Mercosul, em 2000, justamente em São Januário. À época, o torneio era equivalente à Copa Sul-Americana em relevância continental. A Sul-Americana substituiu a Mercosul.
É preciso tirar travas também a favor dos clubes e não somente dos próprios interesses. A Conmebol passou a exigir a capacidade mínima de 30.000 pessoas para os estádios das semifinais a partir de 2020 tanto na Libertadores como na Sul-Americana.
As restrições nas semifinais não constam no Manuel de Clubes para a final. Como o mando de campo da final única é da Conmebol, a entidade pode realizar a partida em arenas com capacidade inferior aos 30.000 exigidos nas semifinais.
Vamos ao exemplo de 2023. A decisão da Copa Sul-Americana foi entre o Fortaleza e a Liga Deportiva Universitaria do Equador (LDU). A Conmebol levou o duelo para Maldonado, no Uruguai. O Estádio Domingo Burgueño tem capacidade máxima oficial para 21.000 torcedores. O local foi escolhido a dedo para diminuir ou evitar o risco de esvaziamento na decisão. O público foi de 17.420.
Antes da atualização do Manual de Clubes da Conmebol, o Red Bull Bragantino disputou as semifinais da Copa Sul-Americana em 2021 no acanhado Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. Eliminou o Libertad e decidiu o título contra o Athletico-PR.
Desde o início da exigência de 30.000 torcedores na semifinais, times como Atlético-GO e Defensa y Justicia, que costumam mandar partidas nas casa própria em estádios com capacidade aquém do cobrado tiveram de se adaptar.
O time goiano teve de receber o São Paulo no Serra Dourada nas semifinais da Sul-Americana de 2022.
A equipe argentina pegou emprestado La Fortaleza, a residência do Lanús, em 2023.
Exemplos de que, no mundo da fantasia, o Consórcio Fla-Flu também deveria encerrar o perrengue, colaborar com o Vasco e liberar o Maracanã para a semifinal contra o Boca Juniors.