Camisa 10 da Seleção Sub-17, o brasiliense Reinier está fora do Mundial. Foto: CBF
Reinier não se apresentou à Seleção Brasileira na Granja Comary, o treinador Carlos Amadeu abriu mão do camisa 10 e convocou Pedro Lucas do Grêmio. A novidade desta notícia velha é refrescar as memórias curtas. Nada disso estaria acontecendo a essa altura da temporada se o Peru não tivesse tentado abraçado o mundo, cumprido o seu papel de anfitrião original do Mundial Sub-17; e a CBF não fosse tão oportunista ao aceitar abrigar o torneio a partir do dia 26.
O Peru era o país sede da competição. Porém, não cumpriu o caderno de encargos da Fifa. A nação vizinha investiu para receber o Pan de Lima — e esqueceu o compromisso com a entidade máxima do futebol. Vale lembrar também que o Brasil não disputaria o Mundial Sub-17 em 2019. O time verde-amarelo protagonizou vexame. Com Reinier e tudo, foi eliminado na fase de grupos do Sul-Americano: vice-lanterna do B. Resumindo: se tudo ocorresse como deveria, não haveria desgaste na relação entre Flamengo e CBF. O caldo entornou.
Convidada a assumir o torneio no lugar do Peru, a CBF viu uma forma de se reaproximar do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e de encobrir a vergonha de ter ficado fora da competição. Argentina, Chile, Paraguai e Equador conquistaram a vaga dentro das quatro linhas. Embora seja o dono da casa, o Brasil estava barrado no baile. Entrou pela porta dos fundos. Esta vaga seria da seleção peruana.
A Fifa fez o favor de convidar o Brasil para o Mundial Sub-17, porém, a CBF torce o nariz toda vez que precisa fazer um favor aos clubes filiados. Custava liberar Reinier, Tales Magno e outros jogadores por mais uma, duas rodadas no máximo? A Seleção teve todo tempo do mundo para treinar antes do Sul-Americano Sub-17 — e não se classificou para o Mundial.
O episódio Reinier lembra muito o de Vinicius Junior. Há dois anos, o atacante também ficou fora da Copa do Mundo “teen” por não ter se apresentado antes do embarque para a Índia. Na época, preferiu seguir trabalhando com outro técnico estrangeiro, o colombiano Reinaldo Rueda. Um acordo de cavalheiros previa a liberação do atacante se o Flamengo conquistasse a Copa do Brasil. O Cruzeiro levou o título e Vinicius Junior ficou para a sequência do Brasileirão e da Copa Sul-Americana. Irritou o então coordenador de seleções Edu Gaspar.
Se você insiste em achar que o Flamengo é o vilão do corte de Reinier, aí vai uma última recordação. Atual campeã do Mundial Sub-17, a Inglaterra perdeu seu “Reinier” durante o torneio em 2017 porque o Borussia Dortmund exigiu o retorno de Jadon Sancho ao término da fase de grupos. O meia de 19 anos balançou a rede contra Iraque, México e Chile, arrumou as malas, deixou a concentração e partiu para se reapresentar ao clube alemão. Sancho até foi campeão, mas ficou fora do mata-mata.
Incrível notar que dois anos se passaram entre as novelas Vinicius Junior e Reinier. Nem assim a CBF aprendeu a dialogar com os clubes. Prova disso é a truculência do coordenador de seleções Branco durante a penúltima convocação, em setembro. Egocêntrico, mirou no próprio umbigo e fez ameaça aos times ao falar sobre eventuais pedidos de liberação. “Queremos os melhores. O top do top. Jogador que é convocado não vai ser mais desconvocado. Se não se apresentar vai para questão jurídica”, ameaçou durante o anúncio da lista divulgada em setembro.
Senhor, Branco, o Flamengo também tem o direito de querer os melhores contra Fortaleza, Fluminense e Grêmio. Jorge Jesus se recusa a poupar titulares no Brasileirão, valoriza o torneio mais relevante do calendário da CBF, mas não pode se dar o direito de retardar um pouquinho a apresentação de Reinier na caça ao título para suprir ausências de um elenco mutilado.
Filipe Luís, Arrascaeta e Diego estão machucados. Everton Ribeiro e Bruno Henrique, suspensos. Gabriel Barbosa e Rodrigo Caio encararam viagem longa de Singapura ao Brasil e estão com fuso horário de +11h.
Ceder, dialogar, compreender, deveria ser a melhor estratégia para quem caiu de paraquedas — está de favor no Mundial Sub-17. Repito uma vez mais: o Brasil não se classificou em campo. Portanto, Atlético-MG, Fluminense, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Athletico-PR, São Paulo, Coritiba, Grêmio, Corinthians, Santos, Internacional e Vasco estão quebrando o galho da CBF ao ceder seus jovens valores. Culpa do Peru. Culpa da CBF, que topou fazer graça para a Fifa.
Última lembrança: se você insiste em achar que o Flamengo é o vilão do corte de Reinier, aí vai uma última recordação. Atual campeã do Mundial Sub-17, a Inglaterra perdeu seu “Reinier” durante o torneio em 2017 porque o Borussia Dortmund exigiu o retorno de Jadon Sancho ao término da fase de grupos. O meia de 19 anos balançou a rede contra Iraque, México e Chile, arrumou as malas, deixou a concentração e partiu para se reapresentar ao clube alemão. Ele até foi campeão, mas só disputou a fase de grupos.
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