Muito além do “uuuuuuuu” da Islândia: Messi do país viking conquistou o prêmio Nobel da Literatura

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Eu sei, você está louco para ver a estreia da Islândia, hoje, no Spartak Stadium, por pelo menos um motivo. Curtir o Haka — aquela belíssima coreografia que conquistou todas as torcidas na Euro-2016. Depois de tirar a Inglaterra daquele torneio, a seleção debutante terá pela frente um fantasma eleito cinco vezes melhor do mundo.

Mas por falar em fantasmas…

O Messi da Islândia chama-se Halldor Laxness.  Não foi convocado para a Copa porque brilhou em outra área. Fala-se que a Islândia é o menor país a disputar a Copa, que remodelou os livros de gestão da crise mundial, que é exemplar no que diz respeito à igualdade de gênero, educação pública, responsabilidade política, honestidade, da geração que brilhou na Euro e classificou o país para a Copa, mas pouco se diz sobre o seu “Messi”.

Halldor Laxness já foi melhor do mundo. Conquistou o prêmio Nobel em 1955.   No livro Gente Independente, um dos maiores épicos da literatura islandesa, o Messi deles conta a saga de Gudhbjartur Jonsson. O personagem é um camponês que, após trabalhar 18 anos para o intendente de Myri, consegue dar entrada na compra de seu próprio terreno e se livra da servidão, tornando-se proprietário da Casa Estival.

No novo lar, Jairo passa a viver com a esposa, Rosa, que teme as lendas sobre as possíveis assombrações. Há quem diga que o lugar é aterrorizado pelos fantasmas de Kolumkilli — feiticeiro de grande reputação e líder dos irlandeses que conquistaram a região no passado — e de Gunnvör, mulher-vampira que morou lá por anos antes da construção da Casa Estival.

Gudhbjartur Jonsson ignora as crendices e luta pela própria independência. É provado quando Rosa morre após dar à luz uma menina com paternidade duvidosa. O camponês assume o bebê, casa novamente e supera todas as dificuldades, das intempéries climáticas às dívidas. O restante da história está lá. Fica a dica de um livro bacana escrito pelo Messi das letras.

*Coluna Combinou com os russos? publicada neste sábado na edição impressa do Correio Braziliense.

Marcos Paulo Lima

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