Roger Schmidt consola Scott Parker após eliminar o Brugge. Foto: Patrício de Melo Moreira/AFP
O Campeonato Português não é conquistado por técnico estrangeiro desde a longínqua edição de 2005/2006. Naquela época, o holandês Co Adriaanse levou o Porto ao título nacional. Lá se vão 16 temporadas hegemônicas de treinadores domésticos e a exportação crescente de profissionais para ligas como o Brasileirão — que terá sete patrícios em 2023. Enquanto a nossa Série A se rende à escola lusitana, a Terra de Camões experimenta o impacto causado pelo sucesso de um profissional alemão. Líder disparado da Primeira Liga com oito pontos de vantagem sobre o arquirrival Porto, o alemão Roger Schmidt, de 55 anos, fez mais: classificou o Benfica para as quartas de final da Champions League.
Apesar de perdas e danos como a venda do meia argentino Enzo Fernández para o Chelsea por 121 milhões de euros, em janeiro, o Benfica avançou às quartas de final da Liga dos Campeões da Europa ao superar o Club Brugge por 7 x 1 no placar agregado.
Roger Schmidt é um estranho no ninho. O único técnico importado entre os 20 vinculados aos clubes da elite lusitana. Embora esteja imerso em uma das maiores fábricas de treinadores do mundo, o alemão realiza um trabalho espetacular. O Benfica ainda não perdeu em 2023. São 11 vitórias e dois empates em 13 exibições pós-Copa do Mundo.
Ao levar o Benfica às quartas de final da Liga dos Campeões, Roger Schmidt desafia a maldição de Béla Guttmann. Revoltado com a recusa do clube em concedê-lo aumento nos anos 1960, ele deixou o clube praguejando: “Sem mim, nem em 100 anos o Benfica conquistará uma taça continental”. O último sucesso dos encarnados na competição continental aconteceu em 1961/1962. Portanto, lá se vão 61 anos de jejum.
A confiança nunca esteve tão em alta numa campanha surpreendente. O Benfica terminou a fase de grupos em primeiro lugar. Deixou o Paris Saint-Germain na segunda posição e despachou a terceira colocada Juventus para a Liga Europa. Resistente, o Benfica arrancou empate por 1 x 1 com o PSG, em Paris, e venceu por 3 x 1, em Lisboa.
Roger Schmidt tem um histórico recente favorável. Quatro técnicos alemães diferentes foram campeões da Champions League. Jupp Heynckes brindou o Bayern de Munique com o título em 2013. Hansi Flick deu mais um título ao clube bávaro em 2020. Jürgen Klopp guiou o Liverpool ao Olimpo em 2019. O Chelsea ganhou a edição de 2021 sob a batuta de Thomas Tuchel. Schmidt não comanda um elenco caro como o dos compatriotas, mas vale lembrar que o Porto de 2004 também não era badalado e se tornou o último time de fora das cinco principais ligas nacionais da Europa a ganhar a Liga dos Campeões.
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