
O Equador produziu uma das grandes histórias da terceira rodada da Copa do Mundo. Dentro de campo, Gonzalo Plata marcou o gol da vitória por 2 x 1 contra a Alemanha. À beira do gramado, Sebastián Beccacece colheu a recompensa por ter permanecido fiel às próprias convicções. Juntos, eles conduziram La Tri ao mata-mata depois de duas apresentações decepcionantes nos duelos com a Costa do Marfim e Curaçao.
Plata assumiu o papel reservado aos protagonistas dos grandes torneios. Quando o empate parecia insuficiente para afastar o risco da eliminação, surgiu na área para decidir o confronto contra uma tetracampeã mundial. O atacante transformou uma noite dramática em um capítulo histórico para o futebol equatoriano.
Por trás da façanha está um treinador moldado por uma das escolas mais ousadas do futebol sul-americano.
Aos 45 anos, Beccacece continua carregando a influência de seu mentor, Jorge Sampaoli. Durante mais de uma década, foi o braço direito do comandante argentino em clubes e seleções. Participou da campanha do Chile na Copa de 2014, quando a Roja eliminou a então campeã mundial Espanha ainda na fase de grupos, no Maracanã, e levou o Brasil de Luiz Felipe Scolari a uma angustiante disputa por pênaltis nas oitavas de final, em Belo Horizonte.
Aquele Chile jogava sem reverência aos favoritos. Atacava, pressionava e assumia riscos.
Doze anos depois, o discípulo apresentou traços semelhantes diante da Alemanha. Mesmo pressionado pelas críticas e ameaçado pela eliminação precoce, não montou uma equipe para resistir. Escolheu competir. Apostou na intensidade, acreditou na reação e foi recompensado.
O gol de Plata aos 32 minutos do segundo tempo selou a classificação, mas também validou uma ideia.
Por isso, os personagens do dia caminham lado a lado. Um escreveu a jogada decisiva. O outro desenhou o caminho. Gonzalo Plata garantiu a vitória mais importante do Equador em Copas do Mundo desde 2006. Sebastián Beccacece provou que a coragem ainda encontra espaço em um torneio cada vez mais pragmático.
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