A merecida madrugada de festa no Mineirão. Foto: Ricardo Stuckert/CBF
Entrevistei Marta uma vez cara a cara no Canadá, com os amigos Rafael Diverio (Zero Hora) e Miguel Caballero (O Globo), antes de ela conduzir a tocha dos Jogos Pan-Americanos de Toronto-2015. Chamou a minha atenção a simplicidade dela durante a entrevista. Parecia que conhecia nós três. Em nenhum momento se colocou no pedestal de jogadora eleita cinco vezes melhor do mundo. Foi simpática no ônibus que dividiu conosco e em um jantar no qual não tirava os olhos do telão que mostrava o início da decisão da temporada de 2014/2015 da NBA entre o Cleveland Cavaliers, de LeBron James, e o Golden State Warriors, de Stephen Curry.
A proximidade com Marta naquela entrevista e a história de vida da alagoana de Três Riachos me tornaram um admirador da camisa 10 da Seleção. Não a ponto de sair gritando “Marta” para provocar Neymar, como fizeram alguns torcedores no Mané Garrincha durante o empate por 0 x 0 com o Iraque. Cada coisa no seu lugar. Há mil e uma maneiras de protestar.
Nunca torci tanto para Marta acertar a cobrança dela na decisão por pênaltis contra a Austrália no início da madrugada deste sábado. Vou explicar. Na hora em que ela pegou a bola, lembrei que 2015 tem sido um ano difícil para os chamados craques de times e seleções.
Naquele momento, lembrei de Lionel Messi perdendo pênalti na final da Copa América contra o Chile. Lembrei de Cristiano Ronaldo errando um pênalti na fase de grupos da Euro contra a Áustria. Acertou a trave. Lembrei de Thomas Müller, Özil e Schweinteiger falhando na decisão por pênaltis das quartas de final contra a Itália. De Griezmann acertando o travessão do Real Madrid no tempo normal na finalíssima da Champions League. Quando Marta correu para bater, a minha memória emitia sinais de que a camisa 10 também erraria. Errou.
Alguns jogadores que erraram neste ano esquisito para craques tiveram anjos da guarda. Cristiano Ronaldo foi campeão da Euro. E Marta deve muita gratidão à goleira Bárbara. Se não fosse nossa Taffarrel de saias, que nos fez lembrar daquelas exibições históricas do melhor goleiro que vi jogar na Seleção nas semifinais dos Jogos Olímpicos de Seul-1988, na final da Copa de 1994, nas semifinais da Copa América de 1995 e nas semifinais da Copa de 1998, Marta estaria, quem sabe, fazendo como Messi: dando um tempo da Seleção.
As mãos de Bárbara não permitiram um “7 x 1” na carreira de Marta ali no Mineirão, diante de uma torcida que abraçou as meninas. A arrancada de Marta na prorrogação, que poderia ter evitado a decisão por pênaltis, não merecia ser penalizada. E não foi. Como disse o amigo Silvestre Gorgulho em um comentário no meu facebook, se ela faz aquele gol quase aos 120 minutos da prorrogação, o Mineirão viria abaixo.
A chance de Marta finalmente conquistar um título pela Seleção está viva. Não vai ser fácil ganhar da Suécia na terça-feira. Muito menos do Canadá e da Alemanha em uma possível decisão. Mas, ao menos por uma noite, os deuses do Olimpo e do futebol foram justos com quem mostrou mais uma vez que ama de verdade vestir aquela camisa 10 da Seleção.
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